Obras de arte O que faz do cavalo árabe um objeto de desejo dos maiores "colecionadores" da raça no País
Alécia Pontes, de Indaiatuba (SP)

Daniela Amaral: “Quando o cavalo árabe anda, parece que está flutuando”
Para os apaixonados por arte, um quadro ou uma escultura. Para os mais sensíveis, a beleza feminina. Aos colecionadores, um carro antigo ou uma joia rara. Para os criadores de cavalo árabe, não importa o objeto do desejo, a paixão é a mesma. A composição morfológica, que é a estrutura corporal dos cavalos da raça, e o conjunto que define o belo na elegância de seu galope são os principais elementos que despertam o sentimento nos criadores de árabe. “Para mim, o árabe é a raça mais apaixonante e a mais bonita”, diz o criador paulista José Alves. “Tanto que era a predileta de Napoleão Bonaparte e também do italiano Enzo Ferrari, que colocou a raça como símbolo da marca de seus carros.” Alves, que se intitula, mais do que um criador, um colecionador de cavalos árabes, é dono do Haras JM, em Monte Mor, no interior paulista, e presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA). O estilo árabe de ser, de Alves, começou quase sem querer. Foram os filhos do criador que deram o primeiro passo rumo à “coleção” que reúne hoje 250 animais da raça. “Meus filhos tinham amigos que criavam árabe e um dia, de tanto ser convidado, participei de um leilão, em 1989”, diz Alves. “No leilão, eles insistiram tanto para que eu comprasse um cavalo que acabei dando um lance.” Segundo ele, foi nesse momento que entrou de cabeça nesse mundo, para não sair nunca mais.
O papel de colecionador da raça surgiu alguns anos depois, quando ele notou que não conseguia mais vender os animais de seu haras. A todos, conhece e os chama pelo nome de batismo. “Todos os cavalos que nasciam eram lindos e maravilhosos”, diz Alves. “Comecei a buscar justificativas para não vendê-los.” Nos últimos sete anos, Alves conquistou consecutivamente também o título de melhor criador de cavalo árabe do Brasil, concedido pela ABCCA. A dedicação que o “colecionador” tem pelos animais que cria também já rendeu muitos prêmios. O último foi durante a 30ª Exposição do Cavalo Árabe, realizada no mês passado. A égua Piettra di Style JM levou o prêmio de melhor fêmea da raça. De acordo com Alves, seus animais competem nas modalidades halter, na qual os juízes avaliam as características morfológicas que mais se aproximam do ideal da raça, e performance, em que o carisma e a elegância são fundamentais. O evento realizado no Helvetia Riding Center, em Indaiatuba (SP), reuniu criadores de diferentes países e movimentou R$ 7 milhões em negócios.
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Para o criador-colecionador, além da beleza da raça e dos negócios, outra vantagem do árabe está na união dos criadores e de suas famílias, sempre prontos para a troca de experiências. Daniela Amaral, 22 anos, filha do empresário Pedro Amaral, proprietário de uma distribuidora de medicamentos em Sorocaba (SP), é exemplo da integração familiar citada por Alves. “Eu me envolvi no universo do árabe aos 6 anos de idade, quando meu pai começou a criação”, diz Daniela. Ela conta que o pai caiu de amores pela raça depois de conhecê-la em haras de amigos, onde costumava participar de montarias a cavalo. Hoje, a família cria 120 equinos da raça no Haras El Madan, em Iperó (SP). No início deste ano, Daniela assumiu a presidência da recém-criada ABCCA Jovem, uma entidade formada para organizar a participação de crianças e adolescentes nos eventos da raça.
A raça no Brasil
Participação da cada tipo no plantel registrado
Puro-sangue árabe: 45 mil
Cruza-árabe: 36 mil
Anglo-árabe: 6,5 mil |
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