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Edição nº 86

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HOME: REVISTA: Agrofinanças Dezembro/2011

Nova safra de papéis
O estoque de títulos financeiros lastreados no agronegócio atingiu R$ 22 bilhões em outubro. E isso é só o começo


Cláudio Gradilone e Fernando Teixeira

 


Buranello (à esq.) e Catraio: aposta na securitização

Olhando à primeira vista, parece uma salada incompreensível de letras: LCA, CRA, CDCA, CTRA. Pouco conhecidas, essas siglas representam uma das fronteiras mais promissoras do mercado financeiro, os papéis lastreados no agronegócio. Lançadas em 2004, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são um título garantido por créditos bancários à atividade agrícola. São, de longe, os mais conhecidos do mercado. Do total de R$ 22 bilhões desses títulos em circulação no fim de outubro, R$ 17 bilhões ou 78% correspondem às LCAs, um aumento de 34,6% em 12 meses. Nesse período, porém, outros papéis apresentaram crescimentos ainda mais expressivos. Apesar de distorcido pela pequena base de comparação, o aumento dos Certificados de Recebíveis Agropecuários (CRA) foi de 611%. Outros papéis, como os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e sua forma simplificada, os CTRA, também cresceram na casa dos dois dígitos.

Esses títulos são muito parecidos. Eles funcionam como uma securitização, ou seja, a emissão de um papel que paga juros e cuja remuneração é garantida por empréstimos concedidos aos produtores. As diferenças ficam por conta das formas de assegurar o dinheiro dos investidores e de quem emite o papel. As LCA são cobertas por empréstimos bancários, as CRA provêm de operações lastreadas por créditos concedidos por empresas não financeiras. O mercado para as LCA é pujante. Um dos bancos que devem apostar em sua emissão para alavancar operações é o recém-criado Original, produto da fusão dos bancos JBS e Matone (veja a reportagem na página 84). Segundo Emerson Loureiro, presidente do Original, o instrumento financeiro tem duas vantagens. A primeira é a de mitigar o risco para o banco, pois diversifica a forma de captação. A segunda é que esses papéis atraem investidores por oferecer isenções fiscais. “Para cada real que emprestamos ao agronegócio, podemos emitir outro em letra”, diz.

 

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