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DINHEIRO RURAL
Edição nº 86

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HOME: REVISTA: Agrotecnologia Dezembro/2011

Em busca do pasto perfeito
Durante 45 dias, o Rally da Pecuária percorreu 30 mil quilômetros, por nove Estados, em busca de informações para aprimorar a produtividade da pecuária brasileira


Viviane Ávila, de Mato Grosso do Sul

Foto: Marco Ankosqui
Ramalho da Silva: “A adubação dos grãos deixa como herança boa parte da riqueza orgânica no solo, que nutre o pasto e engorda o boi”


Caixas de primeiros socorros, repelentes e protetores solares foram os primeiros itens da lista, tão importantes quanto guias de viagem, mapas e rotas. Não faltaram aparelhos técnicos, com nomes pouco conhecidos, como espectrorradiômetros ou clorofilômetros, ao lado de bússolas e GPS. Malas prontas e check lists feitos, sete equipes devidamente paramentadas em caminhonetes 4x4 deram a largada no dia 26 de setembro, em Brasília, à primeira edição do Rally da Pecuária, uma expedição que desbravou um Brasil diferente das rotas convencionais de outros sertões. Sem a adrenalina das altas velocidades, o Rally da Pecuária 2011 percorreu 30 mil quilômetros em busca de informações preciosas para a criação de gado no País. “O objetivo do Rally da Pecuária é melhorar a qualidade estatística do setor, subsidiando as análises mercadológicas e as decisões estratégicas de produtores e empresas”, diz André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult, de Florianópolis, uma das organizadoras do evento.

A DINHEIRO RURAL acompanhou o rali por seis dias, num trecho de dois mil quilômetros, aproximadamente, pelos Estados de Mato Grosso do Sul e do Paraná. Saiu de Campo Grande e passou por Aquidauana, Bonito, Bela Vista, Ponta Porã, na divisa com o Paraguai, entrando em Pedro Juan Caballero. Seguiu para Dourados, ainda em Mato Grosso do Sul, e foi para Umuarama e Londrina, no Paraná.

A Embrapa no campo: o aparelho que emite imagens a satélites permite monitorar grandes áreas com precisão

 

As equipes, compostas por agrônomos, zootecnistas e veterinários, atravessaram pontes, pularam cercas e adentraram pelas porteiras das propriedades rurais para avaliar a atual situação da pastagem do gado de corte brasileiro. Foram quase dois meses de coleta de amostragens em nove Estados (Goiás, Mato Grosso, Pará, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Paraná, São Paulo e Minas Gerais) das regiões mais produtivas do País – Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Elas abrigam 75% do rebanho bovino e respondem por 85% da produção da carne brasileira. “Os benefícios e a relevância do projeto baseiamse na qualidade das informações obtidas in loco, no campo”, afirma Maurício Palma Nogueira, engenheiro agrônomo e diretor da Bigma Consultoria, de Casa Grande (SP), também empresa organizadora do evento.

Fonte: MAPA

Praticamente tudo ligado ao campo passou pelo crivo das equipes do rali, que desdobravam-se em efetuar análises de solo, dos níveis de relevo, dos pesos e medidas de massa do capim, bem como das pragas e doenças, os grandes causadores de degradação generalizada de pasto. Técnicas de suplementação e de manejo, como boi no pasto, semiconfinado ou confinado, também foram avaliadas.

Com as informações obtidas a partir das análises, as equipes iam detectando tendências efetivas de produção. Como, por exemplo, a da verticalização de áreas de pastagens, denominada Integração Lavoura e Pecuária (ILP ). Ela é a grande aposta técnica dos produtores pelo Brasil afora, observada pelas equipes do rali. “A única garantia de suprir a demanda de alimento em larga escala e ter rentabilidade é somar sustentabilidade com tecnologia”, diz Cássio Ramalho da Silva, produtor rural em Mato Grosso do Sul. Ele é um, entre os 80 produtores visitados, que integra lavoura e pecuária.

Ramalho da Silva faz questão de manter árvores nativas em suas áreas agricultáveis, um empecilho para o uso de máquinas colhedeiras, mas que promove o bem-estar animal no período de engorda. Em suas duas propriedades em Naviraí, uma com 1.700 hectares e a outra com 830 hectares, o produtor aduba o solo com calcário, fósforo, cloreto de potássio e gesso, para integrar lavoura de soja e milho com pecuária, em sistema rotacionado. Com 70% de área para a agricultura e 30% para o gado, ele alterna as atividades a cada três anos. “A adubação da soja e do milho deixa como herança para a lavoura seguinte boa parte da riqueza orgânica dessas plantas, que são incorporadas ao solo e nutrem o pasto”, afirma Ramalho da Silva.

 

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