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HOME: REVISTA: Agronegócios Outubro/2011

A nova fronteira da Amaggi
Agroempresa controlada pela família do senador Blairo Maggi (PR-MT) começa a plantar soja na Argentina e vai investir em logística no país


Guilherme Queiroz, de Brasília

Foto Ana Paula Paiva / Agência IstoÉ

Em 2004, uma grande comitiva de empresários de Mato Grosso visitou Buenos Aires levando um convite a produtores argentinos para cultivar soja no Estado em troca de incentivos fiscais. À frente da proposta estava o então governador, Blairo Maggi, um dos maiores produtores rurais do mundo, que buscava investidores para o campo matogrossense. Passados sete anos, a rota do investimento se inverteu, liderada justamente pelo Grupo André Maggi (Amaggi), da família de Blairo, hoje senador pelo Partido da República. A empresa expandirá seus negócios com o plantio de soja em solo argentino. De início, cultivará uma área arrendada de cinco mil hectares já para a safra de 2012 – a localização é mantida em sigilo – com a possibilidade de ampliá-la para 30 mil hectares num prazo de cinco anos. Se os resultados forem satisfatórios, a Amaggi alimenta planos ainda mais ambiciosos: um projeto de logística e a administração de um terminal portuário para embarque de soja e derivados.

A gigante mato-grossense

Ramos de atuação
• produção agrícola (soja, algodão e milho)
• produção de sementes
• processamento e comercialização de grãos
• fertilizantes
• administração portuária
• transporte fluvial

Países onde atua
• Brasil
• Holanda (trading)
• Noruega (processamento de soja não transgênica)
• Argentina (trading e plantio)

O ingresso na Argentina faz parte do projeto de internacionalização do grupo, que começou a atuar no país vizinho com a abertura de um escritório em Buenos Aires, em 2010, e desde abril opera como trading para negociar soja no mercado local. A meta é comercializar 500 mil toneladas neste ano e atingir a marca de dois milhões de toneladas em 2015. Fincar raízes em solo argentino significa estar no terceiro maior produtor de soja do mundo. A safra 2011/2012 da oleaginosa é estimada em 43 milhões de toneladas. O governo tem a meta, considerada muito ambiciosa por alguns analistas, de ampliar a produção até 2020, para 80 milhões de toneladas. A Argentina tem terras para isso com a expansão da fronteira agrícola para o norte da província de Santa Fé, a noroeste de Buenos Aires, maior produtora nacional. “A Argentina é um concorrente, mas também é um parceiro da empresa”, disse Blairo Maggi à DINHEIRO RURAL . “As nossas atividades se complementam.”

Maggi classifica a etapa inicial do plantio de soja na Argentina como um “aprendizado”. A opção pela produção inicial em pequena escala tem o objetivo de aproximar o grupo dos produtores locais, visando a parcerias no futuro.

“Vamos conhecer um pouco como funciona o mercado de lá”, disse o senador. Também entram na equação, é claro, algumas vantagens competitivas do parceiro do Mercosul. Os custos de produção são inferiores aos do Brasil e a legislação ambiental é sensivelmente menos restritiva que a brasileira. A grande vantagem, porém, é o custo do frete, componente importante no preço final da soja. Se a safra do Mato Grosso precisa viajar dois mil quilômetros até o porto mais próximo para ser exportada, o de Santos, na Argentina as zonas produtoras ficam a cerca de 300 km do porto de Rosário, principal rota de escoamento da produção. “Estaremos do lado do porto”, diz Maggi.

Foto: AFP PHOTO/CARLOS CARION
VANTAGEM COMPETITIVA : porto de Rosário será a principal rota de escoamento

 

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