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Marina Gold é professora universitária formada em Letras (português, inglês e alemão) pela Unesp-Assis e em Pedagogia pelas Faculdades Campos Salles. É Mestra em comunicação e semiótica pela PUC-SP. Tem uma editora, a Labortexto Editorial, que só publica textos polêmicos. Além da carreira de professora, possui faculdades paranormais, atende em seu consultório e agora colabora com Planeta na Web. Marina pode ser contatada pelo e-mail marinagold@planetanaweb.com.br

Coluna Semanal
Fórum da Semana
Marina Responde
Seção Relato


29/11/2001

Querer acreditar

Como todos sabemos, a novela O clone coloca em destaque a engenharia genética e suas perspectivas éticas.

Ter conseguido construir um clone humano que, na figura do menino Léo, transita pela novela guardando incógnito o segredo de seu nascimento, é o grande feito do cientista Albieri.

Porém, apesar de todos os esforços do geneticista, o menino se encontra algumas vezes com Mel, que o identifica com as fotos do falecido Diogo, aumentando a semelhança para surpresa de seus familiares. Cada um reage a sua maneira, e sobre o comportamento de Dalva é que recai minha atenção.

Apoiada por Lobato, ela interpreta os rápidos encontros de Mel com o menino, como aparições do espírito de Diogo, acreditando estar à frente de um fenômeno extrafísico. Essa crença alivia sua dor e ela até manipula Mel para obter respostas que venham reforçar o sentido da "aparição".

A novela abre, a partir desses fatos, uma importante discussão, pois mostra que, muitas vezes, as pessoas - assim como Dalva - aceitam explicações duvidosas, porque elas trazem conforto e tranqüilidade, embora sejam tendenciosas e resistentes a uma abordagem mais profunda.

Na vida real, pessoas como Dalva e Lobato, na tentativa de fazer os demais acreditarem em suas suposições, tem o poder de ativar ceticismo e descrença, pois apoiam suas verdades em bases pouco sólidas, vindas de suas próprias necessidades pessoais e não na vivência real. É preciso cuidado e atenção quando se quer acreditar.


Marina Gold responde cinco questões por semana, uma a cada dia útil. As perguntas são sorteadas entre as enviadas na semana. Para participar, clique aqui e preencha a ficha de inscrição. Confira a coluna diariamente para checar se sua questão foi sorteada.

Pseudônimo: Jandira
Pergunta: Marina, já escrevi outras vezes e não obtive resposta, estou muito angustiada pois minha vida está tomando um rumo completamente desconhecido. Estou namorando um rapaz há alguns meses e agora ele será transferido para uma outra cidade. Ele me convidou para ir junto, mas apesar de amá-lo muito, sinto que ele está bastante inseguro. Gostaria que me dissesse alguma coisa sobre isso. Devo largar tudo (emprego, casa, família) e ir embora com ele? Ele me ama ou está só com medo da solidão por lá? Por favor, me ajude.

Marina Responde: Cara Jandira, você precisa ficar mais tranqüila com as mudanças que estão ocorrendo. O seu namorado está inseguro com razão, pois vai começar uma nova situação de vida. Você não deve largar tudo aí e sair correndo atrás dele, pois esta não é uma boa resolução. Ele é um bom moço, gosta de você, não está brincando e, provavelmente, você se mantendo bem equilibrada, poderá confiar nele, porque quando ele se acertar lá e ficar mais seguro quanto às condições de permanência e crescimento, ele vai se colocar de forma adequada quanto a você e a um compromisso mais sério. Se você "pirar" muito, vai acabar assustando o rapaz. Um abraço, Marina.


A aparição

Recebi, no início do ano, uma moça, profissional conceituada, bom casamento, duas filhas pequenas (6 e 4 anos).

Ela veio me procurar por ter problemas com uma das meninas.

De saída, senti a caçula, pois entendi que havia algo com ela. Mas a mãe logo me surpreendeu, alegando haver um problema com a mais velha: ela tinha "visões".

Concentrei-me, mas não confirmei "visão" nenhuma. Percebi que a criança queria chamar atenção, tinha um ciúme atroz da irmãzinha, e muita agressividade encoberta.

A mãe então me contou que um casal amigo havia perdido uma filha de seis anos e que ela estava "aparecendo". Era essa a visão da menina. Contou-me inclusive que a primeira "aparição" ocorreu num restaurante, onde ambas as famílias estavam reunidas. A menina veio correndo do playground, pois havia visto a amiguinha no balanço. A comoção foi geral.

Minha cliente colocou-me a seguinte questão: "Seria oportuno levar a menina a um centro espírita?" Minha resposta foi objetiva: "Não, você deve levar a caçula no psicólogo."

"Por que?" - perguntou a mãe.

"Porque ela não fala." - respondi.

A mãe tentou minimizar: "Mas ela só não fala fora de casa, na escolinha, na praça, na casa da avó. Em casa ela conversa bem..."

E lá se foi a mãe. Não creio que ela tenha levado a filha menor ao psicólogo. Talvez, a maior tenha ido ao centro espírita. Não sei, pois ela nunca mais voltou.

Envie o seu relato sobre qualquer experiência mística, paranormal ou espiritual para marinagold@planetanaweb.com.br.

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