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Transcendendo: Religião

publicado em 10/07/2002
 

Para onde vamos?

Judaísmo
O judaísmo vislumbra a sobrevivência da alma, mas não oferece um retrato claro da vida após a morte. Até hoje os rabinos antigos e contemporâneos apresentaram poucas discussões sobre a natureza do mundo vindouro.

De acordo com o Rabino Henry Sobel, presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista, o judaísmo não encara a morte como o fim da existência, mas sim como uma parte natural e lógica da vida. Não é uma extinção, mas uma transformação. "O homem morre e é enterrado, mas seu espírito permanece eternamente vivo nos pensamentos e nos atos dos que ficam", afirma.

A crença judaica na imortalidade da alma se reflete no próprio vocabulário. O cemitério é chamado em hebraico de Beit Há´Chayim, "Casa da Vida". O Kadish, a oração tradicional, não menciona a morte; glorifica o "Criador da Vida". "Em face da perda de um ente querido, exaltamos o Deus que nos presenteou com aquela vida e reafirmamos nossa profunda fé nos desígnios divinos, que estão além da compreensão humana", diz Henry Sobel.

A idéia de vida após morte não é uma afirmação. O judaísmo é uma religião que permite múltiplas interpretações. "Para os judeus ortodoxos, a noção de vida após a morte é uma declaração da crença na vinda de Messias, que ressuscitará fisicamente os mortos. Para os judeus liberais, por outro lado, a idéia é mais figurativa do que literal: existe a terra dos vivos e existe a terra dos mortos. A ponte entre elas é a recordação", afirma Sobel.

Já o rabino da Congregação Shalom de São Paulo, Adrián Gottfried, explica que algumas correntes mais místicas do judaísmo chegam a acreditar no conceito de reencarnação, enquanto outras, mais racionais, não vêem com bons olhos. "A discrepância está no fato dos mais místicos acreditarem que exista algum tipo de continuidade física", diz. A tradição judaica também oferece uma forma alternativa de renascimento: ressureição dos mortos. Enquanto a reencarnação representa o retorno da alma para um novo corpo, a ressurreição é definida como o retorno da alma ao corpo original.

Além disso, conforme Gottfried, o judaísmo apresenta sete estágios místicos da jornada da alma:

1 - O processo da morte
Quando a alma deixa o corpo, se encontra com uma luz radiante, que é chamada de Shechiná, ou a presença feminina divina, segundo os escritos místicos. Se o homem for um justo, transpassa e se apega à Shechiná. Mas se não for, a Shechiná parte e a alma é deixada para trás, lamentando a sua separação do corpo. Antes que a alma possa se mexer, entretanto, o indivíduo deve olhar para trás para rever a sua vida.

2 - Separação do corpo físico
A separação do corpo físico cria confusão para a alma. É uma fase de transição onde a alma lamenta a perda e quer retornar ao corpo.

3 - Purificação emocional
Após a morte, há um intenso encontro com as conseqüências da escuridão e desonra, que representam emoções negativas não resolvidas. De acordo com o Zohar (livro de mística judaica), o encontro com Guehenom (inferno, em Hebraico) permite a limpeza, através da catarse, descarga, e purificação da alma.

4 - Conclusão final da personalidade
Uma vez que o consciente daquele que partiu é purificado das emoções negativas, a alma passa simultaneamente por duas transformações. Primeiro, a alma vivencia uma felicidade emocional, e depois completa sua personalidade, estando preparada para entrar no mundo do infinito, o Divino.

5 - Repouso celestial da alma
No Jardim do Éden (Paraíso), a alma encontra o repouso celestial. Uma maior evolução acontece neste reino, que permite a movimentação entre "os sete céus" ou degraus de escalada na proximidade do Divino.

6 - Retorno à fonte
No Jardim do Éden superior, os níveis superiores da alma, a chaia ou iechidá (dimensões universais que são extensões diretas de Deus), se libertam dos aspectos inferiores da alma e são capazes de vivenciar a alegria da presença de Deus.

7 - Preparação para o renascimento
O Judaísmo fala de reencarnação - em Hebraico, guilgulei neshamot, que é traduzido como "a rotação das almas" (de corpo em corpo). Um texto medieval intitulado Seder Ietzirat Ha-Vlad, "A Criação do Embrião", oferece a imagem de uma apresentação prévia da vida como uma preparação para o renascimento, que se tornou uma lenda judaica popular. Um excerto:

Entre manhã e noite o anjo carrega a alma por aí e lhe mostra onde ela viverá e onde ela morrerá, e o lugar onde ela será enterrada, e o anjo a leva por todo o mundo, e lhe mostra os justos e os pecadores e todas as coisas. À noite ele a recoloca no ventre da mãe, e lá ela permanece por nove meses...

Finalmente, chega a hora em que a alma deve entrar no mundo. É relutante partir; mas o anjo toca o bebê no nariz, apaga a luz em cima da cabeça, e o manda para o mundo. Instantaneamente, a alma esquece tudo o que ela viu e aprendeu, e entra no mundo chorando porque acabou de perder um lugar de proteção, descanso e segurança.

Para onde vamos?

O que acontece após a morte de acordo
com as religiões:


Budismo

Wicca

Hinduísmo

Islamismo

Espiritismo

Igreja Evangélica

Igreja Batista

Catolicismo

Hare Krishna

Candomblé

Umbanda


Transcendendo

Os veículos para
a busca interior. Terapias, religiões, meditações, cura.
O encontro da alma, corpo e mente



Para saber mais:

Judaísmo
Congregação Israelita Paulista
Sinagoga Shalom

 

 



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