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Transcendendo: Religião

 

Principais mestres

Ibin Arabi - Considerado o maior gênio místico da história do Islã, Ibin Arabi nasceu em Múrcia, na Andaluzia, em 1165. Estudou as tradições e jurisprudência em Sevilha e, em 1194, foi para Tunis, onde foi iniciado no sufismo. Oito anos mais tarde, empreendeu uma viagem ao Oriente. Depois de estadias mais ou menos longas em diferentes lugares - Meca, Cairo, Bagdá, Alep, Konia - e de percorrer o Iraque, a Anatólia e a Ásia Menor, fixou-se em Damasco, onde morreu em 1240. É chamado de o "vivificador da religião" ou de "o maior dos mestres", pois deixou obra considerável que dá testemunho de um espírito ao mesmo tempo sintético e profundo. A ele são atribuídas nada menos que 800 obras. O número pode ser meio exagerado, mas não resta dúvida de que Ibin Arabi era prolífico. Pouco antes de sua morte ele mesmo organizara uma lista de suas obras, que totalizavam 270. No entanto, muito poucas chegaram até nós. As duas mais importantes são as Revelações de Meca e a Sabedoria dos Profetas.

Al Ghazzali - Nasceu e morreu em Tus (1058-1111), no leste do Irã. Recebeu formação de teólogo e de jurista ortodoxo, o que lhe permitiu ser nomeado diretor da universidade Nizamiyya de Bagdá. Chegou a ser conselheiro do califa de Bagdá, desempenhando um papel não-desprezível no contexto das tensões religiosas da época. No ápice de sua carreira, ele renuncia à sua cátedra e deixa Bagdá para se dirigir a diversos lugares santos do Islã, da Síria, em Meca e em Jerusalém. Aspirando a uma experiência mais pessoal, não hesita em praticar a dúvida e, em particular, questionar o uso da razão como única abertura para o conhecimento místico. Dá longas explicações a esse respeito em seu livro Erro e Libertação, onde conclui pela primazia da experiência intuitiva na abordagem mística. É considerado o maior teórico do sufismo. Suas obras tendem a reconciliar - nos planos moral, místico e metafísico - a via sufista e a ortodoxia islâmica.


Rumi: o grande poeta místico do sufismo

Rumi - Nascido em Balkh, no Korasã, em 1207, o grande poeta Rumi é filho do eminente teólogo Baha al-Din Walad, discípulo de Kubra, outro grande mestre sufi. Diante do iminente risco de uma invasão mongol, a famíla deixou Balkh e depois de se fixarem temporariamente em alguns locais acabaram se instalando em Konia. Depois da morte de seu pai, quando tinha 24 anos, Rumi foi estudar em Alep, depois em Damasco, onde permaneceu vários anos e encontrou Ibin Arabi. Ao voltar a Konia, em 1244, ele encontrou Shams de Tabriz, que se tornou seu mestre espiritual e a quem amou profundamente. Esse estranho dervixe errante teria então uns 60 anos de idade e tinha oferecido a Deus, segundo dizem, sua própria vida em troca do encontro com um de seus santos. Shams e Rumi permaneceram juntos até 1247, quando Shams desapareceu (talvez assassinado por discípulos de Rumi, ciumentos da ascendência que ele exercia sobre seu mestre). Inconsolável, Rumi escreveu Poemas Místicos, em homenagem a Shams, que é uma compilação de poemas de "amor e de luto". Para Rumi, o amor que ele sentia por Shams personificava o amor divino. Depois do desaparecimento de Shams, Rumi criou o a dança cósmica, o sama, praticada pela ordem sufi Mevlevi, conhecida como a ordem dos dervixes rodopiadores. Sergio Rizek explica que essa dança se inspira no movimento dos astros. "Assim como todos os corpos giram por amor ao sol, os dervixes também giram por amor ao divino, que muitas vezes precisa de uma contrapartida humana, pois no Islã o amor humano é símbolo e reflexo do amor divino".

A obra de Rumi marcou profundamente o pensamento religioso do Islã. Muitos o consideram o maior poeta místico de todos os tempos. Entre suas principais obras estão o Rubaiyat, os Poemas Místicos, editado em 1996 pela Attar Editorial, e o Mathanawi, um vasto poema de 45 mil versos.

Attar - A vida do grande poeta persa que foi Attar permanece um profundo mistério. Sabe-se que nasceu em Neshapur, na província de Korassã, entre 1120 e 1140, e que morreu entre 1200 e 1230. Conta-se que trabalhou toda a vida com o florescente comércio de perfumes, ungüentos e especiarias herdado de seu pai, e por isso tornou-se Attar, que significa "aquele que faz o comércio de perfumes". Diversas lendas circulam a respeito das circunstâncias de sua conversão. Em uma delas, um mendigo apareceu em sua loja e tendo a esmola recusada o perguntou: "Como irás morrer?", ao que Attar respondeu: "Da mesma maneira que tu". Então o mendigo se estendeu sobre o solo e exalou seu último suspiro. Verdade ou não, o fato é que Attar certamente deve ter passado por uma experiência decisiva para ter se iniciado no sufismo. A ele são atribuídas diversas obras - poucas, entretanto, tem sua autoria comprovada. Entre as mais célebres estão Memorial dos Santos, O Livro Divino, O Livro dos Conselhos, Os Livro dos Segredos e a que é talvez a sua obra-prima: A Linguagem dos Pássaros, um célebre poema iniciático que mostra o caminho da alma até o aniquilamento do Ser Revelado.

Leia Mais:

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Transcendendo

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a busca interior. Terapias, religiões, meditações, cura.
O encontro da alma, corpo e mente

 

Links relacionados

Site da ordem sufi Halveti Al-Jerrahi, que tem sede na Turquia e representação em São Paulo.

Whirling dervishes, Rumi, relato de um sama na Turquia.

Lindo poema de Al Hallaj sobre Deus.

O pensamento e obra de Rumi.

Lista de inúmeros sites sobre sufismo.

Em português, site da ordem Naqshabandiya, que existe no Brasil há 25 anos e tem sede no Rio de Janeiro.

 



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