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A
revolução diária de Betty Faria
PnW - Você sente influência do budismo
na maneira como vive hoje em dia?
Betty - Estou totalmente diferente. Eu sempre
fui muito impulsiva, muito temperamental. A pessoa impulsiva
muitas vezes não age com sabedoria. Hoje eu sou uma
pessoa melhor, porque na medida em que você vai tentando
fazer uma revolução diária, vai vendo
onde você erra e vai tentando se melhorar. A partir
do momento em que você se melhora, vai tendo mais boa
sorte.
PnW - Em outra oportunidade, você declarou
que quem pratica nam-myiho-rengue-kyo tem mais sorte. Como
assim?
Betty - Praticando nam-myiho-rengue-kyo diariamente,
você se funde com a energia vital do universo. Às
vezes você vai para um lugar e fica cansada, pois existem
pessoas que levam a tua energia. Mas com o nam-myiho-rengue-kyo
você recupera a sua energia vital e se funde com o universo.
Essa prática queima o carma ruim mais rápido
e, por isso, você tem mais boa sorte. A partir do momento
que você está praticando, está elevando
seu estado de vida.
PnW
- Antes de achar o budismo, quais foram os caminhos
explorados por você na sua busca espiritual?
Betty - Eu sou de formação católica,
mas procurei na umbanda, fui do candomblé, em suma,
procurei as religiões brasileiras. Mas nada disso batia
em mim como filosofia de vida até que eu encontrei
o budismo.
PnW - Você sente reflexos do budismo na sua profissão?
Betty - Eu acho que sim. Quando você
está bem, tudo fica melhor. Melhorou meu trato, a minha
convivência com as pessoas quando eu trabalho.
PnW - Como o budismo pode mudar a vida de uma pessoa?
Betty - Ele muda devagar, com muita disciplina,
muita prática. Não é como dar um dinheiro
para alguém fazer um trabalho de magia. Tudo é
dentro de você. As pessoas falam em Deus, a gente, de
Estado de Buda. Você vai buscar o Buda lá fora,
lá no céu, quer encontrar Deus, mas que Deus?
É Buda, e é dentro você. Nós procuramos
a iluminação que é o Estado de Buda.
PnW - O que é iluminação para o
budista?
Betty - Iluminação é
você procurar se melhorar, e é dificílimo.
É um estado elevadíssimo. Eu espero conseguir
esse estado antes de ir embora desse planeta, para poder voltar
melhor.
PnW
- O seus filhos e seu marido acompanham você no budismo?
Betty - Ah, claro. Eles gostam. Pelo menos
o nam-myiho-rengue-kyo eles fazem. Cada um faz de seu jeito.
A Alexandra faz mais, o João faz de vez em quando,
mas todo mundo conhece e gosta. Agora, se tornar praticante
é uma opção, uma escolha de vida.
PnW
- Muita gente acredita que a tônica deste século
será a busca espiritual. Você acredita nisso?
Betty - Eu acredito que é física,
não é mais mágica. Se você analisar
a filosofia budista que fala da energia vital, de você
se fundir com o cosmo, com o universo, você percebe
que tem paralelos com a física quântica. Além
do mais, eu acho que o planeta não tem mais salvação
se não lutar pela paz, pela fraternidade, pela cultura
e pela educação para criar novos valores entre
os jovens.
PnW
- O Brasil é um país muito espiritualizado,
mas também é transpassado de injustiças
sociais. O que você acha dessa contradição?
Betty - Existem lugares e países em
que o nível de sofrimento é muito maior. Se
nos compararmos com a África e a Bósnia, veremos
que pessoas felizes e pacíficas somos nós. Se
cada um fizer a sua modificação diária,
eu acho que o Brasil tem salvação.
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