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Transcendendo: Religião

publicado em 08/02/2001
 

A revolução diária de Betty Faria

 

A atriz Betty Faria, 59, entrou em contato com o budismo em meio a uma crise existencial e profissional no início da década de 90. Superada a crise, a atriz tornou-se uma praticante diária do budismo de linha Nichiren Daishonin, que se baseia na recitação repetida do mantra nam-myiho-rengue-kyo, base do Sutra de Lótus, um dos ensinamentos do Shakyamuni, o fundador histórico desta religião - que muitos preferem chamar de filosofia de vida.

por DÉBORA F. LERRER

Para Betty, o budismo é uma revolução diária. Todos os dias ela procura analisar seus erros, defeitos, investigar as "causas" que ela provoca. Em suma, ela busca constantemente seu aperfeiçoamento pessoal - e é justamente esse, segundo o budismo, o caminho para a iluminação. Mãe de Alexandra e de João Daniel, Betty está casada há três anos com Franklin Thompson, 25. Enquanto espera ser chamada para um papel na TV Globo, a atriz organiza a produção de três novos projetos para o ano que vem: uma co-produção com Bruno Barreto, outra com Carlos Reichenbach, para o cinema, e a encenação da peça A Mãe, de Brecht (cujos direitos ela acaba de comprar), que pretende levar aos palcos junto com o amigo Domingos de Oliveira. Nesta entrevista exclusiva para a Planeta na Web, Betty conta o que a atraiu no budismo e como essa prática religiosa mudou suas concepções de vida.

Planeta na Web - O que te atraiu no budismo?
Betty Faria - Foi a filosofia de vida, que é a lei da causalidade. Nós fazemos causas com pensamentos, palavras e ações. Essa filosofia faz com que não culpemos os outros pelo que nos acontece. Você tem que assumir as suas coisas. Não tem ninguém te proibindo de nada, nada é imposto. É só a sua consciência, o seu estado de vida. Isso me agrada muito. Mas também é muito difícil porque você se sente obrigado. Quanto mais você pratica, mais vê o que tem que modificar. É preciso fazer uma revolução diária dos seus defeitos, dos seus erros, das causas que você provoca. É uma filosofia de vida muito bonita.

PnW - Qual é o tipo de budismo que você pratica?
Betty - Eu sigo o budismo do Sutra de Lótus. A gente repete nam-myiho-rengue-kyo, nam-myiho-rengue-kyo, que é o mantra básico. Nós praticantes tentamos fazer isso uma hora por dia, ou seja, 30 minutos de manhã, 30 minutos à noite, ou 20, 15 minutos. O importante é tentar. É difícil. É uma prática que exige muita disciplina, estudo e conhecimento.

PnW - Como você entrou em contato com o budismo? Quem é que te levou até ele?
Betty - Eu conheci o budismo em Los Angeles, através de uma fotógrafa norte-americana. Mas, na época, há uns dez anos, eu estava em outras buscas espirituais no Brasil e não me liguei tanto. Eu realmente entrei no budismo durante uma grande crise existencial e profissional que tive de 91 para 92. Sou praticante há oito anos. É uma prática individual, mas eu também freqüento palestras e reuniões para trocar e ler os escritos. Eu pertenço à Soka Gakkai Internacional, que é dirigida pelo Daisaku Ikeda, que faz um trabalho maravilhoso, levando o budismo para muitos países.

Continua a entrevista na página seguinte >>>

 


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