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A
revolução diária de Betty Faria
A
atriz Betty Faria, 59, entrou em contato com o budismo em
meio a uma crise existencial e profissional no início
da década de 90. Superada a crise, a atriz tornou-se
uma praticante diária do budismo de linha Nichiren
Daishonin, que se baseia na recitação repetida
do mantra nam-myiho-rengue-kyo, base do Sutra de Lótus,
um dos ensinamentos do Shakyamuni, o fundador histórico
desta religião - que muitos preferem chamar de filosofia
de vida.
por
DÉBORA F. LERRER
Para Betty, o budismo é uma revolução
diária. Todos os dias ela procura analisar seus erros,
defeitos, investigar as "causas" que ela provoca.
Em suma, ela busca constantemente seu aperfeiçoamento
pessoal - e é justamente esse, segundo o budismo, o
caminho para a iluminação. Mãe de Alexandra
e de João Daniel, Betty está casada há
três anos com Franklin Thompson, 25. Enquanto espera
ser chamada para um papel na TV Globo, a atriz organiza a
produção de três novos projetos para o
ano que vem: uma co-produção com Bruno Barreto,
outra com Carlos Reichenbach, para o cinema, e a encenação
da peça A Mãe, de Brecht (cujos direitos ela
acaba de comprar), que pretende levar aos palcos junto com
o amigo Domingos de Oliveira. Nesta entrevista exclusiva para
a Planeta na Web, Betty conta o que a atraiu no budismo e
como essa prática religiosa mudou suas concepções
de vida.
Planeta na Web - O que te atraiu no budismo?
Betty Faria - Foi a filosofia de vida, que
é a lei da causalidade. Nós fazemos causas com
pensamentos, palavras e ações. Essa filosofia
faz com que não culpemos os outros pelo que nos acontece.
Você tem que assumir as suas coisas. Não tem
ninguém te proibindo de nada, nada é imposto.
É só a sua consciência, o seu estado de
vida. Isso me agrada muito. Mas também é muito
difícil porque você se sente obrigado. Quanto
mais você pratica, mais vê o que tem que modificar.
É preciso fazer uma revolução diária
dos seus defeitos, dos seus erros, das causas que você
provoca. É uma filosofia de vida muito bonita.
PnW
- Qual é o tipo de budismo que você pratica?
Betty - Eu sigo o budismo do Sutra de Lótus.
A gente repete nam-myiho-rengue-kyo, nam-myiho-rengue-kyo,
que é o mantra básico. Nós praticantes
tentamos fazer isso uma hora por dia, ou seja, 30 minutos
de manhã, 30 minutos à noite, ou 20, 15 minutos.
O importante é tentar. É difícil. É
uma prática que exige muita disciplina, estudo e conhecimento.
PnW
- Como você entrou em contato com o budismo? Quem é
que te levou até ele?
Betty - Eu conheci o budismo em Los Angeles,
através de uma fotógrafa norte-americana. Mas,
na época, há uns dez anos, eu estava em outras
buscas espirituais no Brasil e não me liguei tanto.
Eu realmente entrei no budismo durante uma grande crise existencial
e profissional que tive de 91 para 92. Sou praticante há
oito anos. É uma prática individual, mas eu
também freqüento palestras e reuniões para
trocar e ler os escritos. Eu pertenço à Soka
Gakkai Internacional, que é dirigida pelo Daisaku Ikeda,
que faz um trabalho maravilhoso, levando o budismo para muitos
países.
Continua
a entrevista na página seguinte >>>
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