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Ordem
Rosa Cruz: tradição mística de busca
pelo domínio interior
A
Ordem Rosa Cruz rejeita o rótulo de religião
e se propõe a oferecer um método de conhecimento
esotérico para tornar as pessoas mais livres, felizes
e realizadas em suas vidas. O caminho oferecido por eles passa
por vários níveis de estudo de ensinamentos,
cujas raízes remontam o Antigo Egito.
DÉBORA LERRER
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Grande
Loja para os países de
língua portuguesa, em Curitiba |
Victorio
José de Almeida, 45, começou na Ordem Rosa Cruz
aos 18 anos, depois de levar um susto com uma experiência
de desdobramento. Deitei na cama e me senti flutuando,
olhei para baixo e vi a sala onde eu estava deitado. Isso
me apavorou. Almeida
então começou a procurar respostas para o fenômeno.
Falou com pessoas de diversos tipos de correntes espirituais,
mas não se sentiu satisfeito. Até que
encontrou uma pessoa da Ordem, também conhecida como
Amorc Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis. Ele
procurava uma explicação que lhe fizesse mais
sentido. Nunca fui adepto de acreditar nas coisas só
porque alguém falou assim. Dentro da Ordem, explica
Almeida, milagres não existem. Você não
pode se satisfazer com a explicação de que Deus
interferiu. Essa busca por uma explicação sobre
os fenômenos é que leva um indivíduo a
ser Rosa Cruz.
De
acordo com Victorio, essa busca tem por objetivo dominar um
fenômeno para poder repeti-lo. Fogo eu só
posso repetir na medida que eu conheço as leis que
o envolvem. Nós da Ordem estamos atrás do domínio
dos fenômenos que ocorrem na vida, explica ele.
Depois de 27 anos na Ordem, Victorio diz ter mais controle
de seus desdobramentos, que na Amorc são chamadas de
projeções psíquicas. Além disso,
ele sente ter melhorado sua capacidade de percepção,
desenvolvido sua intuição, melhorado sua auto-estima
e obtido mais capacidade de resolver problemas que motivam
outras pessoas a buscar psicólogos e psicanalistas.
Casado
e pai de três filhos, ele conta que sua mulher também
é da Ordem, mas os filhos de 12, 17 e 20 anos estão
mais interessados em estudos, namoricos e guitarra.
Como a Ordem não força a entrada de ninguém,
se eles vão entrar ou não é da cabeça
de cada um. Na medida do possível a gente tenta despertar
a curiosidade e o espírito buscador deles.
A
Ordem Rosa Cruz se auto denomina uma organização
místico-filosófica. Não é
religião, seita, não é doutrinária
nem dogmática. Seu objetivo é auxiliar
o ser humano no desenvolvimento de suas potencialidades interiores,
explica Victorio, hoje diretor de marketing da entidade, cuja
sede, ou Grande Loja, que atende todos os países
de língua portuguesa, está localizada em Curitiba
(PR). O próprio fato dele, que é proprietário
de uma empresa de comunicação visual, ter sido
contratado para trabalhar nesta área, reflete o interesse
da Amorc em se expandir. Neste ano eles inclusive abriram
uma pré-escola, a Erci (Escola Rosa Cruz Integrada),
com características de formação holística,
que eles futuramente querem que também atenda o ensino
fundamental. Ele cita a abertura desencadeada pela entrada
na Era de Aquário como um fator que estimula a Ordem
a divulgar mais suas atividades.
Nesses
momentos em que determinados paradigmas são quebrados
e que há um interesse das pessoas em desenvolver suas
capacidades interiores, a terem mais paz, a serem mais livres,
as organizações esotéricas mais autênticas
aproveitam para falar de seus conhecimentos mais abertamente,
diz ele. Para Victorio, um dos reflexos mais claros da entrada
na Nova Era é o fato de a própria ciência
estar encontrando explicações para fenômenos
antes inexplicáveis cientificamente, como a constatação
feita por cientistas norte-americanos de que as pessoas que
costumam rezar têm maior capacidade imunológica
e mais facilidade de se curar. Segundo ele, a própria
afirmação de Einstein de que matéria
é igual a energia era encontrada em documentos milenares.
A ciência descobre nuances sobre a realidade do
mundo objetivo de uma forma diferente, que corrobora o que
está sendo dito nas escolas esotéricas ou organizações
religiosas há milênios, diz ele.
O interessado em conhecer melhor a Ordem pode se filiar visitando
o site. O novo membro paga uma taxa de inscrição
de R$ 10, colabora com a ordem trimestralmente (R$ 25 individual,
R$ 30 dupla) e passa a receber monografias. A cada semana
uma monografia deve ser lida, o que, segundo Victorio, toma
em média uma hora de estudo.
A partir daí, o adepto começa a percorrer vários
graus, cada um deles dedicado a um assunto específico,
precedido de uma iniciação, uma cerimônia
ritualística sem caráter mágico,
frisa. É para as pessoas receberem de uma forma
dramática a base dos ensinamentos daquele grau,
explica Almeida.
De
acordo com Victorio, o conhecimento transmitido pela Ordem
busca desenvolver as potencialidades internas do indivíduo,
como a memória e a intuição, tendo por
objetivo torná-lo útil para o dia-a-dia do iniciado,
o frater, para que ele possa dominar sua vida e experimentar
paz interior. Ninguém é forçado
a entrar e a acreditar no que está dito. Você
é levado a questionar e a testar o conhecimento que
a organização fornece, julgando se ele serve
para sua vida ou não. Você só aprende
experimentando ou observando, afirma ele.
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