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Medicina chinesa

Foto: RICARDO GIRALDEZ
Remédios homeopáticos:
socos potencializam efeitos
Talvez a tradicional medicina chinesa seja a que melhor traduza esse conceito. Essa ciência milenar engloba a acupuntura, medicamentos à base de plantas, animais (casca de cigarra, minhoca e chifre de veado) e minerais como cálcio e enxofre, e também massagens como o shiatsu e o do-in, que reequilibram a energia vital por meio da pressão dos dedos. "Na tradicional medicina chinesa, há uma avaliação energética do paciente. O terapeuta não aplica somente técnicas que visem combater os sintomas. O objetivo é buscar a causa dos problemas", explica o acupunturista e cirurgião vascular Wu Tow-Kwang, de São Paulo.

Na China, essa é a medicina popular. É o que se pratica no que se poderia chamar de SUS dos chineses. No Brasil, aos poucos os hospitais abrem suas portas para essa tradição e o sucesso é enorme. A Universidade Federal Paulista oferece desde 1992 um serviço de acupuntura aos seus pacientes. A técnica é utilizada para tratar problemas que vão desde dores musculares até enxaqueca, gastrite, reumatismo, alergias e outros males. O paciente quase sempre é encaminhado pelos especialistas do hospital depois do diagnóstico. Em média, são atendidas 2,8 mil pessoas por mês, inclusive crianças. A procura é tanta que, no guichê do serviço, há cartazes informando que não há vagas para as sessões até o ano que vem. No Hospital das Clínicas de São Paulo (HC), a acupuntura é utilizada para amenizar dores crônicas dos pacientes do Instituto de Ortopedia. "O estímulo da agulha faz com que o cérebro libere substâncias, como a endorfina, que atenuam a dor", explica a fisiatra Satiko Imamura, diretora do serviço de reabilitação do instituto. A dona de casa Luzia Senhorinha dos Santos, 69 anos, é um exemplo de quem descobriu os benefícios das agulhas em hospitais convencionais. Por causa do reumatismo, ela sofria dores intensas em todo o corpo e, cansada de bater na porta da medicina tradicional, só encontrou o alívio na técnica chinesa usada no HC. "A acupuntura mudou minha vida. Não conseguia sequer mexer os braços. Hoje tenho uma rotina normal", conta.

Ricardo Giraldez
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Para os menos informados, a terapia de acupuntura pode parecer não um alívio divino, mas uma tortura chinesa. Afinal, ninguém gosta de levar agulhadas. No entanto, raramente as espetadas doem. Isso porque elas não são colocadas no corpo a esmo. Para os orientais, o organismo possui linhas de energia, chamadas meridianos, que se relacionam com cada órgão. Ao harmonizar esses canais, alcança-se a cura das doenças. Mas para quem não gosta de agulhas, há outras formas eficientes de estimular os pontos de energia. Uma delas é o bastão de moxa, pequenas bolas de ervas que, ao serem queimadas, aquecem o local e alcançam os meridianos. A atriz Cássia Kiss, 39 anos, está usando a modalidade para tratar problemas que ganhou no joelho depois de excesso de exercício físico. "Melhorei muito", garante, satisfeita em escapar de uma eventual cirurgia.

Mas se até há pouco tempo era difícil imaginar que centros de pesquisa de medicina ortodoxa abririam espaço para técnicas alternativas, mais impossível ainda era supor que um dia elas chegassem a ambulatórios de empresas. No departamento médico da Du Pont, uma das maiores indústrias do País, funciona há três anos um programa alternativo de saúde implantado nas suas cinco unidades. A empresa oferece a seus funcionários acupuntura, do-in, shiatsu e tai-chi-chuan. Mas é a acupuntura a técnica que faz mais sucesso entre os 600 empregados da unidade de Alphaville, na Grande São Paulo. Até hoje, 250 funcionários se submeteram à terapia. A maior parte das queixas eram enxaquecas, obesidade, problemas no estômago e ginecológicos. A consultora de recursos humanos Cláudia Briganti é uma das que se deram bem com a acupuntura. Aos 33 anos, ela sofria de enxaqueca e era hipersensível à luz. Usou medicamentos fortíssimos que não resolveram seu problema. Encontrou a solução nas agulhas. "Hoje não sinto quase nada", garante.


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