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Maithuna
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"De todas as formas de prazer, a mais contagiante e
transbordante é o prazer sexual. Se você trabalhar sobre esse
tipo de prazer e sobre esse instinto poderosíssimo, que é
o instinto de preservação da espécie, a energia sexual começa
a trabalhar a seu favor", explica De Rose.
Esse é o princípio do Tantra, cuja relação sexual é
chamada de maithuna e tem duração média de três horas, podendo
chegar até a seis. Não por acaso, no Tantra, a mulher, chamada
de "Shaktí" - termo que significa energia - é reverenciada
como uma divindade. Ao invés de ser possuída, é ela quem possui,
pois é ela, através de seus movimentos, que conduz todo o
ato.
De acordo com De Rose, o elemento básico do Tantra
é a retenção do orgasmo. "Ao invés de você transmitir a vitalidade
do orgasmo para fazer um filho, para construir um outro ser
humano a sua imagem e semelhança do lado de fora, você guarda
essa energia e a joga para dentro, como se estivesse gerando
uma outra pessoa do lado de dentro", explica De Rose.
Com o desenvolvimento da potência sexual e da contenção
do orgasmo, os praticantes do Tantra garantem que pode-se
entrar em níveis de consciência mais elevados, melhorando
as percepções sensoriais e extra-sensoriais, melhorando o
bem-estar físico e aumentando até a capacidade imunológica.
"A proposta do Tantra é exacerbar a energia criativa que vai
ser canalizada de acordo com a conveniência do praticante",
diz De Rose. "Se ele é um artista, vai canalizar essa energia
para a sensibilidade, para a estética; se ele é um empresário,
para a produtividade".
Simplificadamente, essa tradição prega tudo ao contrário
do que é mais comum nos encontros sexuais. Geralmente o homem
é quem toma a iniciativa, fica por cima e direciona o ato
para o orgasmo. No Tantra é a mulher que toma a iniciativa,
é ela que fica por cima e o objetivo é não ter orgasmo.
Para se chegar à prática do maithuna, é aconselhado
a prática do Yôga para preparar o corpo, desenvolvendo musculatura,
flexibilidade, tônus muscular, fôlego e resistência, antes
do aprendizado das técnicas de contensão do orgasmo. Além
disso, a prática do Yôga também segura o ego, propicia uma
vida mais balanceada e amplia a percepção.
Mas, atenção, Tantra não tem nada a ver com os manuais
e vídeos de posição sexual vendidos em profusão na Internet.
Segundo Mestre De Rose, isso não passa do Tantra "desenvolvido
para consumo".
Como o Tantra é uma ciência secreta, também não espere
achar suas técnicas esmiuçadas em livro. É preciso encontrar
um mestre autêntico que aceite transmitir esse conhecimento
pessoalmente, mas mesmo eles evitam ensinar essas técnicas
porque muitas pessoas não têm maturidade nem sensibilidade
suficientes para merecer tal iniciação.
Encarar a sexualidade como caminho na busca pelo auto-conhecimento
e a evolução interior é um reencontro com o modo como nossos
ancestrais a cultuaram, longe do hedonismo tão em venda hoje
em dia. Através dela, homens e mulheres conectam-se com um
aspecto primordial da vida e podem experimentar a ampliação
de sua consciência. Mas esse caminho só será percorrido por
aquele que estiver disposto a encontrá-lo e reverenciá-lo
. A sexualidade pode ser adormecida, desperdiçada ou cultuada,
cabe a cada um fazer a escolha.
Quem estiver interessado em saber mais sobre
o Tantra, procure o Uni-Yoga – Universidade de Yoga, que possui
mais de 200 escolas franqueadas em todo o país. Informações
pelo telefone: (11) 881-9821.
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