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Respirando
de volta ao útero
A
respiração pode ser uma chave para o autoconhecimento.
Essa é a lição que o Renascimento traz
para quem se aventura por essa experiência profunda
e transformadora.
Débora
F. Lerrer
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| tarika
e Khalis: bem
estar e êxtase através da vivência
de conteúdos reprimidos |
Imperceptível,
porém vital, a respiração é
parte essencial da vida. Pouca gente sabe, entretanto, que
o simples controle da nossa respiração pode
levar a experiências profundas e prazerosas, que causam
impacto imediato na nossa percepção, promovendo
a expansão da consciência. Esse é o objetivo
do Renascimento, técnica desenvolvida na década
de 70 pelo norte-americano Leonard Orr - e que, diz a lenda,
foi descoberta em meio a um demorado banho de banheira.
"O
Renascimento é basicamente uma técnica de
respiração onde a gente respira de uma forma
um pouco diferente do normal. É mais rápido
e profundo", explica Khalis Chacel, 40 anos, que junto
com a psicóloga Tarika Lima, 32, coordena o Instituto
do Renascimento, sediado em São Paulo.
Em
uma sessão, o paciente inspira e expira pela mesma
via (nariz ou boca), ligando a inspiração e
a expiração, sem pausas. A inspiração
é ajudada, para que seja mais profunda, e a expiração
deve ser solta e relaxada, sem interferências. Segundo
Khalis, depois de algum tempo nessa respiração,
todas as pessoas passam primeiramente a experimentar sensações
corporais, tais como alterações de temperatura
corporal, formigamentos, pequenos espasmos, tremores prazerosos.
Eventualmente, também experimentam memórias
e emoções, às vezes relacionadas ao momento
do nascimento - primeira vez que nós respiramos - ou
mesmo a sentimentos identificados com sua situação
atual de vida. "Quando ela vivencia esses conteúdos,
a causa inconsciente que gera pressão se desmancha,
e a pessoa se sente profundamente relaxada", explica
ele.
Essa
sensação de bem-estar, êxtase e amplitude
obtida através da vivência de conteúdos
muitas vezes reprimidos ou suprimidos é o que os "renascedores"
chamam de "integração". Cabe a quem
está conduzindo o processo controlar a velocidade e
a profundidade da respiração do paciente de
maneira a controlar a intensidade dos conteúdos que
estão surgindo. "O processo tem que ser feito
dentro do que é confortável para a pessoa, e
essa avaliação o bom profissional tem que saber
fazer", diz Tárika, que é também
psicóloga.
Nos atendimentos individuais ou nas vivências,
o Renascimento é feito sentado, deitado ou mesmo de
pé. Somente quando conseguem um espaço com piscina
térmica ou nas vivências fora de São Paulo
é que Khalis e Tarika induzem a um renascimento dentro
da água, mas nunca na primeira sessão. "A
água é um potencializador e o renascimento é
uma experiência forte o suficiente. Não adianta
você ter uma experiência interna mais intensa
do que você tenha condições de integrar
naquele momento", explica o renascedor.
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