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Transcendendo: Corpo

 

Mulheres insaciáveis e homens de mérito

A levar-se em conta as descrições e os pontos de vista do Jardim das Delícias, publicado pela Ediouro,- e que também pode ser encontrado com o nome de Jardim Perfumado em outras edições - , as mulheres muçulmanas da época estavam muito mais disponíveis do que as de hoje em dia.Não se deve supor, evidentemente, que o fato de elas hoje viverem tapadas com véu signifique que tenham uma vida sexual insatisfatória - mas é possível que as dificuldades sejam maiores. Mas chama atenção o fato de o livro atribuir às mulheres maior apetite e, sobretudo, maior desejo pelo membro do homem, do que vice-versa. Aliás, em sua obra, o sheik dá quase vida própria à vulva das mulheres, de maneira muito semelhante ao comportamento que os homens têm em relação a seus, digamos, apetrechos sexuais, que muitas vezes até ganham apelidos.

No capítulo XII, considerado pelo tradutor um dos relatos mais objetivos do livro, uma filósofa literalmente afirma que a mente da mulher está localizada "entre as coxas". Além disso, ao longo de todo o livro, o autor tece a teoria de que as mulheres só amam os homens por causa do coito, que Nefzaui chama de "combate", ou melhor, "um conflito animado entre dois atores".

O Jardim das Delícias também exalta a importância de que o membro viril masculino tenha grandes proporções, para que consiga preencher completamente uma vagina e conquistar a afeição de uma mulher. Para Nefzaui, os "homens de mérito" são aqueles cujo membro "cresce, fica forte, vigoroso e duro", quando em presença de uma mulher.

Mesmo consideradas uma maravilha da natureza, por suas formas e faculdades de darem prazer aos homens, as mulheres são vistas como nada confiáveis. Há inclusive um capítulo para alertar os homens sobre "as manhas e traições das mulheres".

De qualquer maneira, mesmo que a visão de Nefzaui sobre a mulher soe restritiva e preconceituosa, não dá para deixar de reconhecer que seus conselhos muitas vezes encerram belas e importantes contribuições. Como seu poético preceito para que um homem obtenha o máximo de prazer em um desses "combates" amorosos: "A mulher é como uma fruta. Ela só entrega sua doçura quando comprimida entre as mãos".


Leia Mais:

• O Jardim das Delícias: o livro muçulmano dos prazeres

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