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Transcendendo: Corpo

 

O Jardim das Delícias: o livro muçulmano dos prazeres

Livro escrito pelo sheik Nefzaui, na Tunísia, por volta dos anos 1349 e 1433, revela a arte de amar à moda árabe. Através de histórias, receitas e conselhos, o livro revela um pouco do que se passava nas tendas, casas e palácios das mil e uma noites.

Débora F. Lerrer

A cultura árabe é vista hoje em dia como repressora, principalmente no que concerne à posição das mulheres. No entanto, essa mesma cultura produziu, entre os séculos XIV e XV, uma obra chamada O Jardim das Delícias - costumes, práticas e estímulos sexuais, escrita pelo sheik Nefzaui. Do ponto de vista da época, tratava-se de um livro científico. Lido hoje em dia, pode ser reconhecido como um clássico da literatura erótica e um compêndio de como os árabes se comportavam em relação à sexualidade.

Ao contrário do Kama Sutra - cujo relato frio e objetivo enumerando posições sexuais e fórmulas de conquistas lembra um manual de instruções -, a narrativa do sheik Nefzaui, repleta de histórias e comentários, nos transporta para uma atmosfera erótica. Também explica em detalhes, por exemplo, os diferentes tipos de "membros viris", que segundo o sheik são ao todo 39 - e receitas de como torná-los maiores e aumentar o vigor sexual. As minúcias da descrição das partes sexuais das mulheres também não ficam atrás. O autor lista 43 tipos de vulvas, fornecendo receitas de como estreitá-las e mesmo aplacar seu cheiro, quando desagradável.

Além dessas descrições e receitas, o livro distribui conselhos para evitar problemas de saúde - desaconselhando, por exemplo, comer antes ou fazer muito exercício depois do intercurso sexual.

"Se você for comparar com o que era a medicina, esse livro é absolutamente científico para a época", observa Zacaria Ramadam, chefe do departamento de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

Nefzaui também apresenta inúmeras posições sexuais, incluindo uma lista empregada também pelos hindus, que ele reconhece serem superiores nessa arte, já que, segundo ele, seus habitantes "multiplicaram os diversos meios de desfrutar as mulheres e nos ultrapassaram no conhecimento e no estudo do coito".


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