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Paranormalidade,
esquizofrenia e depressão
Graças
a essa visão abrangente, Mortari já conseguiu equilibrar a
energia de pessoas tratadas como esquizofrênicas e epiléticas
e que nada mais eram do que paranormais. Aliás, para ele a
paranormalidade é uma característica "natural" de todos os
seres humanos, com a diferença de que alguns a desenvolvem
em maior e outros em menor grau.
Por
outro lado, o médico faz questão de frisar que o mapa astral
em si não tem validade nenhuma sem uma interpretação feita
diante do próprio paciente. Certa vez, ao terminar a consulta
com um astrólogo que o havia elogiado por sua interpretação,
Mortari deu-se conta que o mapa que ele usou na interpretação
era de outro paciente. Mas isso não abalou suas convicções.
"A mandala astrológica do mapa faz com que meu inconsciente
entre em contato com o inconsciente do paciente e, nesse momento,
eu capto uma série de coisas que nem sempre estavam necessariamente
no mapa, fazendo com que eu discuta certas coisa que o paciente
realmente estava precisando ouvir naquele momento", diz ele.
Embora
use o mapa astral para construir o diagnóstico, Mortari faz
questão de frisar que ele é antes de tudo um médico e, portanto,
não dispensa nenhum recurso que a medicina tradicional desenvolveu,
incluindo o indispensável "exame dos pés a cabeça" do paciente.
Além disso, embora seja homeopata e acupunturista de carteirinha,
Mortari não tem pudores de associar essas terapias com a medicina
alopática. "Com um paciente depressivo, é natural que eu vá
receitar um anti-depressivo para depois começar a tratar esse
paciente com homeopatia. Mas antes eu vou tirar ele da crise",
exemplifica.
Outro
instrumento que Mortari considera precioso para ajudar seus
pacientes é um questionário de mais de 50 páginas, onde ele
investiga de tudo. Gostos, doenças presentes na família e
mesmo perguntas que revelam o nível de stress que o paciente
vem enfrentando. Para o Mortari, toda essa atenção é meio
caminho para a cura do paciente. "Se você tem confiança no
médico, só de você conversar um pouquinho com ele já se sente
melhor". É por esta razão que ele lamenta que a atual medicina
de convênios tenha instalado as tais consultas de 10, 15 min.
"O médico nem olha para a cara do paciente", diz.
"Sempre
considerei o homem como tendo vários compartimentos. O primeiro
é o corpo físico. Depois tem a parte psíquica, a parte social
e a parte espiritual. Se não houver uma inter-relação de equilíbrio
entre todos esses corpos no homem, ele acaba ficando doente,
acaba se desequilibrando", explica o médico. "A pessoa tem
que estar equilibrada em todos os sentidos. Uma falta de dinheiro
pode desequilibrar a pessoa e ela pode ficar doente", diz
ele, que hoje em dia anda impressionado com o número de casos
de depressão que atende em seu consultório.
Nesse
caso, entretanto, embora haja tratamento médico disponível,
para Mortari a origem do sintoma está fora da atuação médica
- localizada, mais precisamente, na globalização e em seus
sub-produtos, como o desemprego e a Internet. "Hoje em dia
todo mundo fica dentro de casa, não vai mais ao cinema, fica
trabalhando ou se comunicando através da Internet. Há uma
sobrecarga de informações em cima das pessoas, que acabam
depressivas".
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