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Reconectando: Jornadas

 

O Jardim do Éden
Eco-turismo e esoterismo no interior de Goiás

Alessandra Nahra

Dos milhares paraísos que o Brasil abriga, Alto Paraíso foi o eleito para ser a capital do esoterismo. Num lugar de extrema beleza natural - a Chapada dos Veadeiros, incrustada no Planalto Central - a pequena cidade de 8.000 habitantes surge como uma flor de estranha beleza na paisagem difícil do cerrado. Olhando, assim, não se vê nada demais. Mas porquê, então, toda essa gente se muda para lá procurando o encontro espiritual com a criação e consigo mesmo? O segredo de Alto Paraíso está escondido nas entrelinhas, e é preciso um pouco de pesquisa e paciência para desvendá-lo. Alem, é claro, de reverência.

As belezas naturais dão uma pista. Com todas aquelas cachoeiras e paisagens, a vocação para o eco-turismo era natural, e o desenvolvimento dessa área só podia acontecer mais cedo ou mais tarde. "Desde 1996 o turismo é a principal fonte de renda" afirma o prefeito, "seu" Jair Pereira Barbosa, 63 anos, nascido e criado em Alto Paraíso. Onde antes a industria da guerra alimentava a economia local, movida pela extração do cristal de rocha usado em equipamentos bélicos, agora a preservação do cerrado sustenta a maior parte das famílias. O mesmo ar puro que atrai os turistas também faz com que alguns deles fiquem de vez. Porém a migração que explica a diversidade cultural da região começou muito antes.

Diz a lenda que os primeiros habitantes da Chapada dos Veadeiros - assim chamada pela quantidade de veados que havia no local - foram os povos da pré-história do Brasil. Dessa época restou a Pedra Escrita, com inscrições ancestrais, encontrada no sítio arqueológico de São Miguel. Os índios Goyases e Araes lá viveram em paz até que as Bandeiras Paulistas atravessaram seus sertões em busca de ouro e pedras preciosas. As primeiras famílias de colonizadores chegaram em 1750, e a região prosperou com o cultivo de trigo. Do século XVIII ficou como lembrança uma cruz de malta incrustada na pedra, guardando a entrada da Gruta da Igrejinha, escavada na rocha pelos escravos para benzer o ouro retirado de minas das vizinhanças.

Seu Jair, o prefeito

Depois, já neste século XX, os chamados "barbudos" chegaram primeiro. Eram pessoas cansadas da vida em cidades grandes, tentando levar uma existência diferente: os famosos hippies. As comunidades alternativas encontraram ali campos férteis, e os grupos espiritualistas e esotéricos começaram a chegar por volta da mesma época - sendo o maior deles a Cidade da Fraternidade, um núcleo kardecista. Hoje em dia o misticismo já se dilui e se mistura com eco-turismo. O resultado é uma interessante mistura do tradicionalismo do povo local com jeitos alternativos de viver. Os novos moradores da Chapada buscam qualidade de vida, tempo para a busca espiritual e um dia-a-dia holístico. A cidade se presta a essas simples ambições: indústrias, lá, estão proibidas. "Principalmente as poluidoras", afirma o prefeito. Alto Paraíso é um prato cheio para quem quer fugir da loucura das grandes cidades.

Serviço:
Centro de Atendimento ao Turista: (0xx61) 646-1159
Associação de Condutores de Visitantes: (0xx61) 646-1690



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