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Apagão voluntário
Turismo
ecológico e transformador num sítio sem luz elétrica no bucólico
sul de Minas Gerais
Alessandra
Nahra
Nesses
tempos de crise energética, um apagão voluntário
pode ser muito interessante. Nem que seja para aprender a lidar
com uma vida no escuro. Este foi o espírito da nossa
visita ao Núcleo Metamorfose, no sul de Minas Gerais.
O Metamorfose é um sítio a 1.800 metros de altitude
entre as cidades de Monte Verde e Gonçalves, na serra
da Mantiqueira. Lá, a luz elétrica não
chega. Acostumados à vida na cidade grande, onde os estímulos
nos atropelam a cada minuto, como seria esta experiência
voluntária na mais completa escuridão?
O Núcleo Metamorfose recebe grupos para realizar
trabalhos terapêuticos, e a partir de julho/2001 também
funciona como pousada. Idealizado por quatro sócios,
o Metamorfose é administrado por Luis Rosado, 30 anos,
cinco dos quais dedicados ao sítio no sul de Minas. "Trabalhamos
com a qualidade de vida, a revitalização do ser,
a ecologia humana. Este é um lugar para o silêncio
e o descanso", explica Luis.
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O nome, Metamorfose, é inspirado na história
da fazenda. A mata nativa havia sido derrubada para a agricultura
intensiva, cujo único cultivo era o pinheiro para a produção
de madeira. Aos poucos, os pinheiros estão sendo derrubados
para que a mata atlântica de altitude nasça novamente
- o que dá ao lugar uma aura de constante mudança.
E isto reflete a mudança interior dos que visitam o lugar.
"O nome é Metamorfose porque toda a mata está
em transformação, a caminho do que já foi
um dia. Setenta por cento do sítio já está
em estado natural. As nascentes voltam, os seres da mata também",
diz Luis, ele próprio um ser em constante mutação.
Nascido
em São Paulo, foi criado no mato, no sítio da
família e nas aventuras como surfista, caverneiro e soldado.
Quando ficamos quietos nos percebemos melhor. Eu, por
exemplo, descobri que tenho medo de escuro. Os quatro dias no
sítio trouxeram lembranças da infância:
quando faltava luz, eu tinha verdadeiro pavor de que o dia nunca
mais voltasse, de que as trevas seriam eternas. Quando resolvi
me aventurar numa caminhada noturna, fiquei com medo e voltei
logo para casa, para o aconchego do fogo, a única fonte
de calor além daquele que temos dentro.
Experimentei, assim, a luz das estrelas
e do fogo, das quais estava esquecida - e que são luz
também, tanto quanto a elétrica. Para tomar banho,
tive que "ligar" o fogão à lenha, o
que aquecia a serpentina por onde passava a água, que
em meia hora estava no ponto. Acostumada a sempre ter algo para
fazer que invariavelmente depende de eletricidade, a falta dela
às vezes era tediosa. A única saída era
olhar para dentro, o que muitas vezes evitamos de qualquer a
maneira. TV,
computador, jornais, revistas, música: distrações
que usamos para evitar o confronto com o que há dentro
de nós. Segundo Luis, quando estamos em contato com a
natureza passamos a absorver a mídia natural em vez da
mídia urbana. "A gente gasta muita energia, e não
sobre nenhuma para o processo de transformação.
Mas se curarmos os nossos corações podemos curar
o planeta", diz ele.
A escuridão, no entanto, é opcional. Para
os que ficam na casa principal, o gerador oferece um alento
até certa hora da noite. A comida, preparada tanto em
fogão a gás quanto no fogão a lenha, é
o que Luis chama de "natural criativa". Pode ser totalmente
vegetariana ou pode também ter galinha caipira e truta.
As refeições são servidas no salão
onde uma lareira enorme está sempre crepitando, em grandes
mesas que promovem a integração entre os hóspedes.
Um dia típico pode começar com exercícios
respiratórios e meditações. Depois do café,
caminhadas pela mata. Mas tudo é muito espontâneo,
avisa Luis.
"Não
existem regras. As coisas acontecem com o compartilhar".
Voltei
à metrópole revigorada, e com a semente da transformação
plantada dentro de mim.
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Serviço
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O Núcleo Metamorfose pode ser contatado
pelo telefone (11) 5084-6378, com Fernando. Visite o
site
e saiba mais sobre o sitio.
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