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Onde
encontrar absorventes reutilizáveis no Brasil?
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| aBiosorventes:
bonitinhos e ecologicamente corretos |
Bom,
sempre dá pra fazer você mesma - ou mandar
fazer na costureira ou na casa da avó, que tem máquina
de costura. Mas agora já dá para comprar pronto
aqui também, o que antes era um privilégio de
americanos e europeus. Bonitinhos e ecologicamente corretos,
os aBiosorventes são os primeiros absorventes reutilizáveis
produzidos em escala comercial no Brasil.
Quem
responde pela obra é Diana Hirsch, uma geógrafa
carioca de 26 anos que está se preparando para cursar
mestrado em Saneamento Ambiental. Tudo a ver com a função
de fabricante e divulgadora de absorventes reutilizáveis:
"Meu interesse é juntar a saúde da mulher
com a questão dos resíduos sólidos, atrávés
do aBiosorvente".
O
projeto iniciou depois que Diana assistiu a um vídeo,
produzido pelo curso de comunicação da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, chamado Conexão: Dioxina.
"Esse vídeo explicava o que era a dioxina, e mostrava
que na Alemanha as pessoas tinham a opção de
comprar produtos que não fossem branqueados. As meninas
da turma pensaram então em fazer um absorvente que
não precisasse conter dioxina".
Diana
então foi para a Internet, pesquisar. Achou dezenas
de opções de absorventes sem dioxina e reutilizáveis
- todos caros de importar. Sabendo costurar, ela resolveu
então fabricar seus próprios absorventes. "Algumas
amigas quiseram, e as amigas das amigas também, e aí
pensei que seria uma boa trazer essa discussão para
o Brasil".
Os
aBiosorventes custam R$ 4,00 - ou 3 unidades por R$ 10,00.
Para comprar, visite o site.
Diana
contou para Planeta na Web como é conviver intimamente
com os aBiosorventes:
Planeta
na Web - Como é a aceitação
de seu absorvente reutilizável?
Diana Hirsch - Bastante diversificada. Tem pessoas
que eu juro que vão entender de cara, e não
entendem, e tem outras que eu explico só porque elas
perguntam, pois acho que nunca entenderiam, e elas acham a
idéia fantástica! Isso vem sendo muito bom para
eu parar de julgar as pessoas só pelas aparências...
Venho descobrindo que a aceitação dos aBios
passa por uma discussão muito maior: desde uma auto-aceitação,
não ter nojo de lavar o próprio sangue, até
um envolvimento maior com o Planeta, de cada um ser consciente
da sua parcela de responsabilidade e de possibilidade. Olhando
com um olhar mais macro.
PnW
- Como fazer para lavar? Não é anti-higiênico?
Diana - É tão simples como lavar uma
calcinha, a única diferença é que você
precisará deixar de molho antes. Eu costumo deixar
de molho um ou dois dias, e depois coloco na máquina
de lavar, mas tem gente que depois do molho lava no banho.
Com relação à higiene: um absorvente
reutilizável não é mais anti-higiênico
do que uma calcinha. Se você se sente segura para usar
uma calcinha reutilizável, não tem porque não
se sentir segura para usar o absorvente. A única pergunta
é: você lava bem a sua calcinha?
PnW
- Menstruação ainda é um tabu,
e não deveria, já que toda a mulher menstrua.
Por que você acha que ainda é considerado impuro
ou sujo?
Diana - Acredito que ainda é resquício
da sociedade patriarcal que a gente vive. O homem não
menstrua, e, em geral, não se sente muito confortável
com essa situação. Colocar a menstruação
com esse status talvez tenha sido necessário para se
estabelecer a sociedade nos moldes como se encontra hoje.
Uma mulher que vê a sua menstruação e
sua condição feminina como algo de bom, certamente
é uma pessoa mais fortalecida e segura da sua condição.
Isso dificultaria muito o trabalho dos homens. Deve ter sido
necessário esse domínio patriarcal por algum
tempo, apesar de que eu não sei porquê. Mas acho
que já podemos nos fortalecer novamente. Não
para 'lutar' com eles, mas para podermos ser livres.
PnW - Qual o impacto que representa o cultivo
de uma relação mais saudável com a nossa
própria menstruação?
Diana - A nossa sociedade rejeita a menstruação,
mas não foi sempre assim. Durante muito tempo, até
a Idade Média, vários rituais de fertilidade
em adoração à Deusa eram feitos quando
as mulheres da tribo estavam menstruando. Até porque
elas menstruavam juntas, o que era muito comum. Aliás,
apesar do nosso distanciamento, ainda é possível
perceber isso: muitas mulheres, quando moram juntas, ou são
muito amigas, com muita afinidade, tendem a menstruar na mesma
semana! Isso é muito interessante ser notado: por mais
que evoluamos tecnologicamente, e cada vez mais nos afastemos
da nossa origem animal, acontece algo dentro de nós,
mulheres, todo mês, que tem uma estreita relação
com a Lua e com outras mulheres próximas a nós.
Isso pode nos trazer de volta a nossa condição
humana, enquanto seres que também fazem parte da natureza.
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