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Morre
a Grande Deusa e nasce
o patriarcado
É
preciso mesmo parar de olhar com repulsa, vergonha e medo
para esse ciclo que acontece com todas as mulheres. Esse sentimento
de sujeira, na opinião de Diana Hirsch, é resquício
da sociedade patriarcal em que vivemos. Mas a humanidade nem
sempre viveu no patriarcado. Há muito tempo, existiam
sociedades de organização matriarcal, nas quais
as mulheres eram respeitadas e veneradas e Deus não
era Deus - e sim Deusa. Segundo Nadia MacLeod, na medida em
que o patriarcado começou a se expandir, as culturas
baseadas no culto à Grande Deusa ou à Mãe-Terra
foram dizimadas ou se esconderam. "Com isso, se perdeu
a reverência, conhecimento e poder inerentes ao ciclo
menstrual. Lara Owen, no livro Seu Sangue é Ouro
- resgatando o poder da menstruação, completa:
"Nos últimos milhares de anos, todas as principais
religiões do mundo tornaram-se patriarcais, e todas
elas valorizam o intelecto e o espírito acima do corpo
e dos instintos".
As
sociedades que cultuavam a Grande Deusa viam a menstruação
como um processo mágico, quando a mulher podia se conectar
com os ciclos do planeta e da vida. "Durante muito tempo,
até a Idade Média, vários rituais de
fertilidade em adoração à Deusa eram
feitos quando as mulheres da tribo estavam menstruando",
diz Diana. "O sangramento periódico das mulheres
era um acontecimento cósmico, como os ciclos da lua
e a subida e descida das marés", afirma Elinor
Gadon no livro The Once and Future Goddess. Nadia MacLeod
completa: "A menstruação, que já
foi considerada uma ferramenta de alto poder de cura para
as mulheres e suas comunidades, agora está confinada
ao banheiro".
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