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Reconectando: Ambiente

publicado em 13/03/2002
 

Quando o dinheiro não
compra a felicidade

Ninguém precisa ser rico para ser feliz. E o esbanjamento às vezes traz mais dor de cabeça do que alegrias. O jornalista Odir Cunha fez essa descoberta da maneira mais doída - e então resolveu compartilhar a riqueza da sabedoria de simplesmente viver

por Betina Piva

Odir Cunha: livre, leve, solto - e vivendo com pouco

Foi no fundo do poço que o jornalista Odir Cunha descobriu que era possível ser feliz com pouco dinheiro. Sua primeira noite sozinho foi longa. Depois de 18 anos ao lado da esposa, se sentia sufocado pelo silêncio da casa vazia. Não aquela casa com quatro suítes que precisou ser vendida antes mesmo de terminada, mas o apartamento onde havia morado com a mulher e os dois filhos. Sua empresa quebrou e seu casamento fracassou. Não bastasse tudo isso, os amigos também se afastaram. Estava na berlinda e começava a se dar conta disso.

Cunha mudou radical e imediatamente todos os seus hábitos. Precisava se adaptar a nova situação. Não tinha fogão, por isso só comia frutas e verduras - que comprava com cerca de R$ 5 no fim da feira e que duravam a semana toda. Conclusão: emagreceu bastante e se tornou um grande adversário no tênis - esporte que não praticava há muito tempo. Retomou antigos hobbies e se despediu do consumismo de forma triunfal: um cruzeiro com os dois filhos. "Foi minha última extravagância. E fiquei pagando as parcelas dessa viagem durante três anos", lamenta Cunha.

Com o orgulho ferido e auto-estima em baixa, dois pensamentos rondavam a mente do autor. Primeiro, só há uma forma de você não se sentir inferiorizado pelo dinheiro: não se deixe seduzir por ele. "Percebi que as coisas simples, em geral, são as mais profundas, e que as coisas materiais são passageiras", emociona-se. A outra conclusão foi a de que é preciso tirar partido de seus reveses. "Por que não contribuir para o bem estar coletivo contando minha estória? Foi então que resolvi escrever o livro."

Em seu livro Dinheiro: é possível ser feliz sem ele, da Editora Elevação, Cunha explica que o mito da riqueza deve ser substituído pela busca de uma vida simples, saudável e prazerosa. Segundo ele, é importante sonhar a curto prazo e planejar as finanças a longo prazo. "Ao dirigir nossas ações para aquilo que nos faz bem, ao reservarmos nosso tempo e esforço para as atividades que mais nos agradam e gratificam, estaremos descobrindo que não precisamos colocar a felicidade onde não estamos, que não precisamos empurrar a vida com a barriga até que a fortuna venha, que, enfim, podemos ser felizes com o que temos. Ou melhor ainda: descobrir, maravilhados, que já somos felizes."

Mas como ter uma vida econômica e feliz? Cunha fez de seu livro um verdadeiro manual de pão-durismo. "Gaste seu dinheiro com o necessário, não o use para ostentar status ou parecer o que não é", aconselha. "A felicidade custa pouco e só precisa de um corpo e hábitos saudáveis, uma mente curiosa e um coração sensível. Se eu consegui, você também consegue", garante o escritor. Planeta na Web selecionou algumas de suas dicas para que você também possa fugir dessas armadilhas. Pão duro sim, mas com classe!


Nas próximas páginas, dicas extraídas do livro Dinheiro: é possível ser feliz sem ele. Aprenda a economizar em:

Alimentação, vestuário, escola e educação dos filhos, automóvel, moradia, lazer, férias

Saúde, presentes, empregada doméstica, convivência com a família, cartão de crédito, celular, cheque especial, economia do lar

Afinal, dinheiro traz felicidade? Faça o teste, elaborado por Istoé Dinheiro, e confira!


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• Para entrar em contato com Odir Cunha: odir@jt.com.br

 



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