| |
BioChip
Gaia - continuação
PUC-RIO
- DEPTO. DE ARTES - LOTDP - LIVING DESIGN
BIO CHIP - GRUPO DE ESTUDO, PESQUISA E DESENHO
ORGANIZADORA: ANA BRANCO
Nossa
Terra, Gaia, há muitos milhões de anos atrás
era coberta de vegetação. Tanto verde, tanto
oxigênio que a qualquer momento poderia pegar fogo.
Quando então de forma natural, organicamente a espécie
animal se expandiu compensando a fotossíntese ao respirar
oxigênio e liberar gás carbônico, o alimento
principal do verde.0A interdependência de fotossíntese
e respiração, de sedentariedade e mobilidade
evidenciam uma interligação nesse equilíbrio
dinâmico. Assim como o verde e o vermelho são
cores complementares, a clorofila e a hemoglobina também
são complementares dentro do organismo humano.
Este
trabalho tem como objetivo investigar as cores nos modelos
vivos recém colhidos em hortas de cultivo orgânico,
isto é modelos ainda integrados ao Grande Processo
Vital. Observamos que nós também nos regeneramos
pela contemplação do verde e dentre todas as
cores, esta é a que percebemos um maior número
de tonalidades. Com auxílio de algumas técnicas
de desenho, podemos observar a beleza gerada pelas alterações
de cores nesses modelos vivos. A ação do tempo,
variações de corte, o desencadear do processo
de germinação, mudanças de temperatura,
são alguns exemplos desse recursos.
Quando
nosso olhar se encanta com a beleza de um girassol pleno em
flor, nos sentimos atraídos por essa beleza e, nos
aproximando, recuperamos nossa inocência e sorrimos.
Esse sentimento é o mesmo que a Lua sente pela Terra,
que a Terra sente pelas Estrelas. Faz parte de nossa condição
humana essa atração, esse fascínio, essa
relação de complementariedade que constituem
a trama da vida, quando então recordamos em nós
a beleza. O vermelho recém colhido de uma beterraba,
por exemplo, proporciona uma experiência não
somente para o nosso espaço cromático percebido
pelos olhos, como também para nosso universo saboroso,
impresso em nossa boca por muitas experiências vividas.0O
desenho interativo com o modelo vivo investiga a variação
de cores e de sabores que as hortaliças, as sementes
e as frutas podem promover. A palavra sabedoria tem sua origem
na palavra sabor.
Para
facilitar essa dinâmica, abrigos, equipamentos, utensílios
e ferramentas vêm sendo projetados e construídos
privilegiando a utilização de materiais naturais,
a partir das experimentações geradas pelo uso.
Esse conjunto de objetos compõem o Laboratório
Itinerante de Pesquisa do Aprendizado com Modelos Vivos. O
Laboratório é construído com uma estrutura
autotensionada de bambu sem fundações, e sua
forma promove a liberdade, favorecendo a aventura e a permeabilidade
com o entorno, refletindo a qualidade encontrada nos movimentos
do ar, das pessoas, e dos saberes revelados na utilização
do objeto. Pela forma como foram projetados, os objetos sinalizam
nos ambientes a presença de grupos em atividade, circunscrevendo
o espaço da ação e enfatizando os resultados
do desenho coletivo. Através de sua utilização,
os objetos contribuem para promover a consciência das
singularidades através, por exemplo, da divisão
dos trabalhos de montagem, desmontagem e transporte. A organicidade
e leveza do material, oferecem o exemplo da atitude necessária
à leitura dos códigos não-verbais presentes
na natureza, fornecendo também a oportunidade de se
recuperar a conexão do homem com a terra.
Durante essa atividade o participante tem a oportunidade de
restaurar algumas de suas funções vitais, visto
que se estimula a expressão singular do aluno através
de postura ereta leve, com a movimentação ativa
de todo o corpo. Isso é proposto, por exemplo, pelo
balanço dos Apoios Compartilhados que dividem a função
de sustentação do peso do corpo entre o usuário
e o solo. Depois de instalado o Laboratório Itinerante,
uma tenda azul circunscreve um espaço de aproximadamente
25m2 e abriga grupos de até 25 pessoas desenhando com
os pigmentos recém colhidos.0Podemos então caminhar
pelo entorno, buscando colher as cores atraentes ao nosso
olhar. Os modelos vivos: rabanetes, cenouras, beterrabas,
brócolis e quiabos são, simultaneamente, elementos
de investigação e material para os desenhos
e composições. Através da interação
do modelo vivo com o observador são feitas leituras
quanto as suas formas, cores, sabores, odores e texturas.
As informações contidas nas hortaliças
recém colhidas, consideradas modelos vivos completos,
são absorvidas através do contato direto, capacitando-nos
para leitura de códigos não-verbais presentes
na natureza.
próxima>>
Leia
mais:
Alimento
vivo: o chip da vida
Receitas:
Suco de Luz do Sol e Como Germinar
Sobriedade
- uma palestra de Ana Branco
Celebrando
o Educador
|