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Reconectando: Ambiente

publicado em: 26/02/2002
 

BioChip Gaia - continuação

PUC-RIO - DEPTO. DE ARTES - LOTDP - LIVING DESIGN
BIO CHIP - GRUPO DE ESTUDO, PESQUISA E DESENHO
ORGANIZADORA: ANA BRANCO

Nossa Terra, Gaia, há muitos milhões de anos atrás era coberta de vegetação. Tanto verde, tanto oxigênio que a qualquer momento poderia pegar fogo. Quando então de forma natural, organicamente a espécie animal se expandiu compensando a fotossíntese ao respirar oxigênio e liberar gás carbônico, o alimento principal do verde.0A interdependência de fotossíntese e respiração, de sedentariedade e mobilidade evidenciam uma interligação nesse equilíbrio dinâmico. Assim como o verde e o vermelho são cores complementares, a clorofila e a hemoglobina também são complementares dentro do organismo humano.

Este trabalho tem como objetivo investigar as cores nos modelos vivos recém colhidos em hortas de cultivo orgânico, isto é modelos ainda integrados ao Grande Processo Vital. Observamos que nós também nos regeneramos pela contemplação do verde e dentre todas as cores, esta é a que percebemos um maior número de tonalidades. Com auxílio de algumas técnicas de desenho, podemos observar a beleza gerada pelas alterações de cores nesses modelos vivos. A ação do tempo, variações de corte, o desencadear do processo de germinação, mudanças de temperatura, são alguns exemplos desse recursos.

Quando nosso olhar se encanta com a beleza de um girassol pleno em flor, nos sentimos atraídos por essa beleza e, nos aproximando, recuperamos nossa inocência e sorrimos. Esse sentimento é o mesmo que a Lua sente pela Terra, que a Terra sente pelas Estrelas. Faz parte de nossa condição humana essa atração, esse fascínio, essa relação de complementariedade que constituem a trama da vida, quando então recordamos em nós a beleza. O vermelho recém colhido de uma beterraba, por exemplo, proporciona uma experiência não somente para o nosso espaço cromático percebido pelos olhos, como também para nosso universo saboroso, impresso em nossa boca por muitas experiências vividas.0O desenho interativo com o modelo vivo investiga a variação de cores e de sabores que as hortaliças, as sementes e as frutas podem promover. A palavra sabedoria tem sua origem na palavra sabor.

Para facilitar essa dinâmica, abrigos, equipamentos, utensílios e ferramentas vêm sendo projetados e construídos privilegiando a utilização de materiais naturais, a partir das experimentações geradas pelo uso. Esse conjunto de objetos compõem o Laboratório Itinerante de Pesquisa do Aprendizado com Modelos Vivos. O Laboratório é construído com uma estrutura autotensionada de bambu sem fundações, e sua forma promove a liberdade, favorecendo a aventura e a permeabilidade com o entorno, refletindo a qualidade encontrada nos movimentos do ar, das pessoas, e dos saberes revelados na utilização do objeto. Pela forma como foram projetados, os objetos sinalizam nos ambientes a presença de grupos em atividade, circunscrevendo o espaço da ação e enfatizando os resultados do desenho coletivo. Através de sua utilização, os objetos contribuem para promover a consciência das singularidades através, por exemplo, da divisão dos trabalhos de montagem, desmontagem e transporte. A organicidade e leveza do material, oferecem o exemplo da atitude necessária à leitura dos códigos não-verbais presentes na natureza, fornecendo também a oportunidade de se recuperar a conexão do homem com a terra.

Durante essa atividade o participante tem a oportunidade de restaurar algumas de suas funções vitais, visto que se estimula a expressão singular do aluno através de postura ereta leve, com a movimentação ativa de todo o corpo. Isso é proposto, por exemplo, pelo balanço dos Apoios Compartilhados que dividem a função de sustentação do peso do corpo entre o usuário e o solo. Depois de instalado o Laboratório Itinerante, uma tenda azul circunscreve um espaço de aproximadamente 25m2 e abriga grupos de até 25 pessoas desenhando com os pigmentos recém colhidos.0Podemos então caminhar pelo entorno, buscando colher as cores atraentes ao nosso olhar. Os modelos vivos: rabanetes, cenouras, beterrabas, brócolis e quiabos são, simultaneamente, elementos de investigação e material para os desenhos e composições. Através da interação do modelo vivo com o observador são feitas leituras quanto as suas formas, cores, sabores, odores e texturas. As informações contidas nas hortaliças recém colhidas, consideradas modelos vivos completos, são absorvidas através do contato direto, capacitando-nos para leitura de códigos não-verbais presentes na natureza.

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