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Alimento
vivo: o chip da vida
Suco
verde, grãos germinados, arte na horta: a professora
Ana Branco ensina a brincar com a comida e depois comer a
arte que revitaliza o corpo e a alma
Por
Alessandra Nahra
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| Ana
Branco: altas conversas com o reino vegetal
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Ana
Branco é uma professora diferente. Para começar,
ela desafia a antiga lei doméstica que sempre proibiu
as crianças de brincar com a comida. Ao contrário,
Ana Branco é uma mãe para esses "arteiros":
ela ensina e estimula seus alunos (já bem crescidinhos)
a brincar de fazer arte com a comida. Uma brincadeira com
muito amor e respeito pela Terra, a mãe de todos nós
e de frutos que oferece tão generosamente para que
tenhamos o alimento, a vida, a brincadeira.
Professora
do Departamento de Artes da PUC-Rio desde 1981, Ana Branco
orienta o BioChip, grupo que investiga as cores e a recuperação
da informação através do desenho com
modelos vivos. Estes modelos vivos são rabanetes, abacates,
mangas, alfaces, cenouras - sementes, frutas e hortaliças,
de preferência fresquinhos. Com os alunos, Ana vai até
hortas orgânicas onde "conversar" com os vegetais.
Trocando e recebendo informações direto da fonte
original, a arte nasce da vida. "Através da interação
dos modelos vivos com o observador, são feitas leituras
quanto às suas formas, cores, sabores, texturas e odores.
Os frutos da Terra recuperam no nosso corpo informações
matrísticas, que podem ser decodificadas a partir do
contato direto, não verbal, presente nos alimentos
vivos", explica o folheto do BioChip. Em outras palavras,
os alunos fazem arte com a comida viva e depois apreciam com
todos os sentidos, incluindo o paladar, o gosto que a arte
tem.
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| Desenhos
com frutas: o trabalho dos arteiros depois é
servido para o deleite de todos
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Mas
por que se chama BioChip? "Chips de computadores
são moléculas de água que contém
silício. Sementes também. Dentro delas, há
informações sobre a vida na Terra. O contato
com o chip vivo recupera o processo criativo do humano, nos
reconectando com os outros, com os animais e com o planeta",
explicou Ana em recente palestra em Porto Alegre, durante
o Fórum Social Mundial.
As idéias de Ana ultrapassam os limites da academia,
gerando arte viva que flui para dentro das pessoas. É
isso que se percebe ao vê-la em ação,
explicando com o corpo e coração a missão
da sua vida. Ana Branco come diferente da maioria dos humanos
contemporâneos e economiza um dinheirão em gás.
É que ela nunca cozinha - mas isso também não
quer dizer que come fora todos os dia. Ana só come
Alimentos Vivos, ou seja, crus e brotados. Segundo ela, cozinhar
alimentos rompe a molécula de água que reveste
o silício - e aí, já viu: adeus informação,
adeus BioChip. O chip perde a água molecular e a informação
não é mais acessada. O que equivale dizer que
a conexão com a Terra se rompe e o homem se mantém
em processo de dormência. "E isso é interessante
para a manutenção da guerra em que vivemos,
para a relação de ataque e defesa que estabelecemos
dentro de nosso eco-sistema, de nosso corpo. Só que
agora acabaram-se as guerras e vamos ter que re-aprender a
viver em paz, como nascemos".
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