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Reconectando: A Grande Teia

publicado em 21/12/2000
 

Os Sem-Natal

O cotidiano do Brasil, maior país católico do mundo, está muito mesclado com as datas cristãs. Imagina-se que todo mundo comemore o Natal, sempre esperado ansiosamente, sobretudo pelas crianças. Entretanto, para alguns brasileiros, o Natal não tem o mesmo sentido e, não fossem as festanças da vizinhança, as decorações feéricas das casas e lojas e as propagandas nos meios de comunicação, passaria como um dia normal. De religiões diferentes, cada uma dessas pessoas tem uma impressão distinta dessa data que celebra o nascimento de Jesus.

Débora Lerrer

Sheik Abdouni: "Jesus foi um dos grandes profetas"

A chegada do Natal enche as ruas das cidades brasileiras de enfeites, as lojas ficam abarrotadas e o dia-a-dia das pessoas se transforma, com as festas e presentes que anunciam a chegada do dia 25 de dezembro, data em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo.

Entretanto, praticamente invisíveis no meio dessa onda festiva, há milhões de brasileiros que simplesmente não comemoram o Natal. Para eles, ou tem um sentido diferente, ou não tem sentido algum.

"Para nós, o Natal e o Ano Novo são dias normais. O nascimento de qualquer profeta é um dia normal", diz o sheik Ali Abdouni, 36 anos, diretor do Departamento Religioso da Mesquita Brasil, de São Paulo. Ele explica que, para os muçulmanos, Jesus foi um dos grandes profetas, assim como Adão, Abraão e Maomé (que eles chamam de Muhammad). "Se fôssemos comemorar nascimentos de profetas, teríamos uma festa por hora, pois são ao todo 124 mil profetas (de acordo com o Alcorão)".

O sheik explica que tanto os cristãos como os muçulmanos acreditam em Jesus como vindo de Deus, mas os cristão acreditam que ele é um Deus ou um filho de Deus - e para os muçulmanos ele é um profeta igual aos outros. "Não fazemos distinção alguma entre os mensageiros de Deus". Segundo ele, nenhum de seus quatro filhos se ressente de não ganhar presente de Natal, pois estão acostumados a ganhar presentes nas duas únicas datas religiosas do Islã: o dia do desjejum, que marca o fim do Ramadan, o mês em que os muçulmanos não se alimentam durante o dia, e o dia da peregrinação à Meca, que ocorre 70 dias após o fim do mês do jejum.

 

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