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Os Sem-Natal
O
cotidiano do Brasil, maior país católico do mundo, está muito
mesclado com as datas cristãs. Imagina-se que todo mundo comemore
o Natal, sempre esperado ansiosamente, sobretudo pelas crianças.
Entretanto, para alguns brasileiros, o Natal não tem o mesmo
sentido e, não fossem as festanças da vizinhança, as decorações
feéricas das casas e lojas e as propagandas nos meios de comunicação,
passaria como um dia normal. De religiões diferentes, cada
uma dessas pessoas tem uma impressão distinta dessa data que
celebra o nascimento de Jesus.
Débora
Lerrer
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| Sheik
Abdouni: "Jesus foi um dos grandes profetas" |
A
chegada do Natal enche as ruas das cidades brasileiras
de enfeites, as lojas ficam abarrotadas e o dia-a-dia das
pessoas se transforma, com as festas e presentes que anunciam
a chegada do dia 25 de dezembro, data em que se comemora o
nascimento de Jesus Cristo.
Entretanto, praticamente invisíveis no meio
dessa onda festiva, há milhões de brasileiros
que simplesmente não comemoram o Natal. Para eles,
ou tem um sentido diferente, ou não tem sentido algum.
"Para
nós, o Natal e o Ano Novo são dias normais.
O nascimento de qualquer profeta é um dia normal",
diz o sheik Ali Abdouni, 36 anos, diretor do Departamento
Religioso da Mesquita Brasil, de São Paulo. Ele explica
que, para os muçulmanos, Jesus foi um dos grandes profetas,
assim como Adão, Abraão e Maomé (que
eles chamam de Muhammad). "Se fôssemos comemorar
nascimentos de profetas, teríamos uma festa por hora,
pois são ao todo 124 mil profetas (de acordo com o
Alcorão)".
O sheik explica que tanto os cristãos como os
muçulmanos acreditam em Jesus como vindo de Deus, mas
os cristão acreditam que ele é um Deus ou um
filho de Deus - e para os muçulmanos ele é um
profeta igual aos outros. "Não fazemos distinção
alguma entre os mensageiros de Deus". Segundo ele, nenhum
de seus quatro filhos se ressente de não ganhar presente
de Natal, pois estão acostumados a ganhar presentes
nas duas únicas datas religiosas do Islã: o
dia do desjejum, que marca o fim do Ramadan, o mês em
que os muçulmanos não se alimentam durante o
dia, e o dia da peregrinação à Meca,
que ocorre 70 dias após o fim do mês do jejum.
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