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Reiki na cadeia
Detentos
de São Bernardo do Campo aprendem a técnica
oriental de cura que é uma alternativa profissionalizante
e pode melhorar a convivência e até diminuir
o número de rebelião e mortes nos presídios.
Débora
F. Lerrer
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| Aula
de Reiki na cadeia feminina de S. Bernardo do Campo. |
A
megarebelião que sacudiu 29 presídios em 22 cidades
de São Paulo, em março, evidenciou a bomba-relógio
que existe no sistema prisional paulista. Com 43% da população
carcerária do País, o Estado tem o pior déficit
de vagas, em números absolutos, e a maior quantidade
de condenados presos em delegacias, locais onde eles deveriam
permanecer só temporariamente.
Para
pelo menos amenizar o clima pesado que existe dentro das cadeias
e oferecer uma alternativa de profissionalização
aos presos, uma técnica de energização
oriental, o Reiki, esta sendo introduzida pelo mestre Marco
Antonio Aguilar, 43, e pelo delegado Antonio Carlos Rennó
Miranda, 33, em duas cadeias municipais de São Bernardo
do Campo, no ABC paulista. A iniciativa é voluntária
e a idéia é melhorar o ambiente e o clima entre
os presos. O Reiki foi descoberta por Mikao Usui, um monge
japonês cristão e é transmitido pelo toque
de mãos. Ele age em diversos níveis, estabelecendo
e fortificando a harmonia física, emocional, mental
e espiritual.
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| Mestre
Marco Antônio Aguilar, o professor, e
a aluna Marli Ferreira. |
Idealizador
dos cursos de Reiki na cadeia, Rennó passou a se interessar
por conhecimentos esotéricos desde que se tornou delegado
há nove anos atrás. "Nós lidamos
com todos os problemas da sociedade e o ocultismo aumenta
o leque de opções para tratar dos problemas
sociais, psicológicos, obsidiantes", explica.
Depois de fazer cursos de magia, astrologia, Rennó
encontrou-se com o Reiki. "Fiquei encantado com a força,
porque dá uma diferença brutal em nível
energético. A gente se sente mais bem disposto, a mão
pega fogo. Você abre um canal, absorve e transmite essa
energia".
Já
acostumado a fazer aplicações de Reiki em seu
trabalho no 1º Distrito Policial de São Bernardo,
Rennó teve a idéia de promover um curso para
os detentos da cadeia que, com problemas de superlotação,
sempre foi palco de rebelião e morte. "Eles vivem
em um antro de obscuridade, uma carga negativa muito grande".
Sua
idéia, entretanto, só foi encarada por Marco
Antonio Aguilar, mestre Reiki que já desenvolvia trabalhos
com 25 portadores de HIV. "O pessoal tem medo de dar
curso na cadeia. Ninguém sequer me ajuda a trabalhar
com aidéticos", lamenta Aguilar.
Voluntário, o terapeuta deu dois cursos para 24 presos
do 1º DP, em novembro do ano passado arcando com os custos
das apostilas e dos certificados recebidos pelos detentos.
"É um curso profissionalizante. O preso sai daqui
com uma profissão que é reconhecida pela OMS
(Organização Mundial da Saúde) e pelo
CRT (Conselho Regional de Terapia)", diz Marcos.
Coincidência
ou não, desde que houve o curso na cadeia masculina,
não houve mais rebelião, mortes e iniciou-se
um processo de desativação com o objetivo de
reformar o local, que já abrigou 550 presos, quando
tinha capacidade para 108.
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