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Reconectando: A Grande Teia

publicado em 21/03/2001
 

Reiki na cadeia

Detentos de São Bernardo do Campo aprendem a técnica oriental de cura que é uma alternativa profissionalizante e pode melhorar a convivência e até diminuir o número de rebelião e mortes nos presídios.

Débora F. Lerrer

fotos: Débora F. Lerrer
Aula de Reiki na cadeia feminina de S. Bernardo do Campo.
A megarebelião que sacudiu 29 presídios em 22 cidades de São Paulo, em março, evidenciou a bomba-relógio que existe no sistema prisional paulista. Com 43% da população carcerária do País, o Estado tem o pior déficit de vagas, em números absolutos, e a maior quantidade de condenados presos em delegacias, locais onde eles deveriam permanecer só temporariamente.

Para pelo menos amenizar o clima pesado que existe dentro das cadeias e oferecer uma alternativa de profissionalização aos presos, uma técnica de energização oriental, o Reiki, esta sendo introduzida pelo mestre Marco Antonio Aguilar, 43, e pelo delegado Antonio Carlos Rennó Miranda, 33, em duas cadeias municipais de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A iniciativa é voluntária e a idéia é melhorar o ambiente e o clima entre os presos. O Reiki foi descoberta por Mikao Usui, um monge japonês cristão e é transmitido pelo toque de mãos. Ele age em diversos níveis, estabelecendo e fortificando a harmonia física, emocional, mental e espiritual.

fotos: Débora F. Lerrer
Mestre Marco Antônio Aguilar, o professor, e a aluna Marli Ferreira.

Idealizador dos cursos de Reiki na cadeia, Rennó passou a se interessar por conhecimentos esotéricos desde que se tornou delegado há nove anos atrás. "Nós lidamos com todos os problemas da sociedade e o ocultismo aumenta o leque de opções para tratar dos problemas sociais, psicológicos, obsidiantes", explica. Depois de fazer cursos de magia, astrologia, Rennó encontrou-se com o Reiki. "Fiquei encantado com a força, porque dá uma diferença brutal em nível energético. A gente se sente mais bem disposto, a mão pega fogo. Você abre um canal, absorve e transmite essa energia".

Já acostumado a fazer aplicações de Reiki em seu trabalho no 1º Distrito Policial de São Bernardo, Rennó teve a idéia de promover um curso para os detentos da cadeia que, com problemas de superlotação, sempre foi palco de rebelião e morte. "Eles vivem em um antro de obscuridade, uma carga negativa muito grande".

Sua idéia, entretanto, só foi encarada por Marco Antonio Aguilar, mestre Reiki que já desenvolvia trabalhos com 25 portadores de HIV. "O pessoal tem medo de dar curso na cadeia. Ninguém sequer me ajuda a trabalhar com aidéticos", lamenta Aguilar.

Voluntário, o terapeuta deu dois cursos para 24 presos do 1º DP, em novembro do ano passado arcando com os custos das apostilas e dos certificados recebidos pelos detentos. "É um curso profissionalizante. O preso sai daqui com uma profissão que é reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelo CRT (Conselho Regional de Terapia)", diz Marcos.

Coincidência ou não, desde que houve o curso na cadeia masculina, não houve mais rebelião, mortes e iniciou-se um processo de desativação com o objetivo de reformar o local, que já abrigou 550 presos, quando tinha capacidade para 108.

 

Leia mais:

Reiki: um alívio na cadeia

Presas viram "terapeutas"

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Links relacionados

Página de Marco Antonio Aguilar que traz várias informações sobre o Reiki

 

 


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