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O começo de uma Nova Era
Mera
convenção numérica ou não, 2001 concretiza enfim a chegada
do terceiro milênio e do século 21. É fato que houve alguns
mal-entendidos. Para muitos, o novo milênio já chegou
neste ano que finda. Para outros, esse processo começou há
algum tempo atrás. De qualquer maneira, recolhemos aqui a
opinião de algumas personalidades sobre as perspectivas para
essa virada - a ser vivenciada, sobretudo, com muita esperança.
Débora
Lerrer
Chegamos
a 2001, ano celebrizado pelo clássico de Stanley Kubrick.
Como não temos naves interplanetárias e computadores
oniscientes, estamos felizmente distante da Odisséia
descrita no filme. Mas chegamos, enfim, ao século 21
e à porta de entrada do novo milênio. Mas então,
o que é que isso pode nos trazer - se é que
traz alguma coisa?
"Do ponto de vista cristão, não há
expectativas extraordinárias pelo milênio que
entra, porque se acredita que o tempo é qualitativamente
igual. É tudo tempo de graça depois da encarnação
e presença de Deus na história", diz
o teólogo e frei Clodovis Boff.
Ele explica que, para o cristão, desde o evento histórico
do nascimento de Jesus Cristo na Terra todos anos são
de graça, mesmo que surjam as eventuais desgraças.
"Onde há muita desgraça, a graça
super abunda, porque existe essa aposta fundamental de que
Deus é mais forte do que qualquer força negativa.
Será, portanto, o terceiro milênio da encarnação,
um evento não só histórico, mas teológico,
uma história de salvação", explica.
Para Rogério Duarte, poeta e artista gráfico
que recentemente traduziu o clássico indiano Bhagavad
Gita, o novo milênio será uma época apocalíptica.
"Em grego, apocalipse quer dizer revelação,
ou seja, será uma época de revelação.
Não com a luz de uma religião primária
escravizante, mas com a luz de um misticismo mais visceral",
acredita ele.
Para
Boff, de fato, não há porque ter medo do apocalipse,
mesmo que ele de fato venha a ocorrer, tal como o descrito
na Bíblia. "Esses que falam do apocalipse se
esquecem que os dois últimos capítulos desse
livro acabam em um novo Céu e uma nova Terra. O anti-Cristo
é poderoso, mas o Cristo é ainda mais".
Duarte, que foi um dos pais intelectuais da Tropicália,
analisa que desde a década de 60 o ocidente tem vivenciado
um novo paradigma que se caracteriza pela diminuição
da oposição entre ciência e religião
e uma maior aproximação com a cultura oriental,
o que já revela uma interpenetração de
Eras. "Hoje temos uma visão
mais aberta, menos etnocêntrica, menos eurocêntrica.
O próprio sucesso do Paulo Coelho, que faz uma literatura
banal, é um sinal de que a humanidade está cansada
desse paradigma mecanicista, grosseiramente materialista,
e está adotando uma visão mais holística,
em que o homem se vê como parte do universo".
Para ele, enquanto o período anterior tem que ser considerado
como o alvorecer dessa terceiro milênio, 2001 tem que
ser visto como se o sol já tivesse nascido, já
visível no horizonte e direcionando as pessoas para
um processo de iluminação. "Essa
Era do terceiro milênio será o início
dessa passagem do homem, que com empáfia e ilusão
considerava-se sozinho, para esse novo homem que tem mais
contato com sua natureza divina", diz ele.
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