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Meditação como ação social
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Dada
Amitavidyananda conduzindo meditação em
oficina do FSM
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Um
grupo paramentado de turbantes e túnicas cor-de-laranja
chamou atenção no Fórum Social Mundial:
eram os monges e monjas do movimento de meditação
Andanda
Marga.
Ao contrário do que se poderia supor, esse movimento
não tem nada de apolítico. Além de manterem
trabalhos sociais espalhados em todo o mundo, representantes
da Ananda Marga foram participantes ativos dos protestos em
Seattle e em Washington. Lá, participaram das marchas
e enfrentamentos - mas também ensinaram práticas
de meditação para dar tranqüilidade aos
ativistas.
Dada Amitavidyananda, monge espanhol encarregado de
divulgar a Ananda Marga na América Latina, explica
que seu movimento aposta no desenvolvimento da espiritualidade
das pessoas engajadas em movimentos políticos e sociais.
"Uma pessoa pode ter idéias revolucionárias
quando está na universidade e esquecê-las quando
começa a trabalhar. É preciso encontrar uma
força para continuar seguindo adiante". Para eles,
essa força é obtida através da meditação.
Ele explica que o objetivo da Ananda Marga é conciliar
o encontro com o desenvolvimento espiritual e a luta por um
mundo melhor. "É importante ter prática
espiritual para ser mais efetivo no mundo".
Mas nem só de meditação vivem os monges-militantes
do Ananda Marga. Seu fundador, o indiano Prabhat Rankan Sarkar,
elaborou uma teoria sócio-econômica cuja sigla
PROUT foi traduzida para o português como Teoria da
Utilização Progressiva. Em fase de divulgação,
Dada Amitavidyananda entregou exemplares da teoria para líderes
como Lula e Fidel Castro. Veja aqui as propostas da Ananda
Marga:
Planeta
na Web - Por que a Ananda Marga esteve no Fórum
Social Mundial?
Dada - Porque nosso lema é auto-realização
e serviço para a Humanidade. Temos uma filosofia de
transformação social e queremos trabalhar junto
com todos os ativistas que estão lutando por um mundo
melhor. Queremos ajudá-los a se desenvolver e a não
esquecer a dimensão espiritual. A Ananda Marga também
propõe uma alternativa. Temos uma teoria sócio-econômica
que se chama PROUT, a Teoria da Utilização Progressiva.
É um socialismo embasado em valores espirituais, e
é uma alternativa, tanto ao neoliberalismo quanto ao
marxismo. O marxismo tem uma proposta econômico-social,
mas filosoficamente não tem muita diferença
com o liberalismo, pois a filosofia básica é
materialista. É como se o homem fosse um animal-objeto,
que só existe no mundo material.
PnW
- Como é a base filosófica do PROUT?
Dada - Na PROUT, o humano é
um ser psíquico, mental e espiritual. Tem pessoas que
tem muitas coisas materiais, mas ainda não são
felizes, se sentem frustradas. Falta algo. Falta sentir que
veio para o mundo para fazer algo. O ser humano tem que significar
a sua existência, desenvolver e expandir a sua mente.
Uma sociedade não é feliz quando os seres humanos
têm tudo no plano material. Na Suécia todo mundo
tem casa e trabalho, é um país muito organizado
no plano material, mas é onde há o maior índice
de suicídio de toda a Europa. Isso não traz
felicidade. O ser humano é alma.
PnW - Como desenvolver a proposta de vocês em
um país como a Suécia?
Dada - A primeira etapa é buscar
o que você é, o que há além da
sua mente, o que é a sua alma. É uma proposta
baseada na prática da meditação. A meditação
é uma necessidade básica do ser humano. Tinha
que ser ensinada nas escolas, para as crianças.Temos
que parar a mente completamente para poder entrar em contato
com a nossa parte interna. A meditação cria
um ser humano mais íntegro, mais sadio, e é
o instrumento mais efetivo para um mundo melhor.
PnW - E para países como o Brasil e a Índia,
cheios de problemas sociais, qual é a receita da Ananda
Marga?
Dada - O primeiro passo é resolver
as questões sociais e econômicas. Não
somos utópicos. A nossa receita para o Brasil é
trabalhar com todo mundo que está procurando soluções
para os problemas econômicos e sociais. Para uma pessoa
que tem problema de sobrevivência, que não tem
o que comer, não se pode propor que ela se desenvolva
espiritualmente. Nós ajudamos a desenvolver espiritualmente
as pessoas que já têm um pouco de espírito
solidário, revolucionário, e indignação
pelas injustiças..
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entrevista continua na próxima página>>
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