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Reconectando: A Grande Teia

publicado em 04/01/2001
 

Ampliando o projeto

A horta de Itapeva: matéria prima para todos os medicamentos

No início os trabalhos eram realizados na casa onde Isabelle vivia, e as assentadas da área V queriam aprender a fazer as tinturas, pomadas e xampus somente para consumo próprio. Testados e aprovados por técnicos da Fiocruz, os medicamentos da Farmácia Viva passaram a ser vendidos aos visitantes do assentamento, na feira da região e na loja da Reforma Agrária, em São Paulo. Além disso, são a moeda de troca que os assentados estão usando para pagar o atendimento de uma médica, a Dra. Elaine Moreira. "Ela atende dois assentamentos, as áreas III e V, e recebe como pagamento remédios e pomadas que repassa aos pacientes mais carentes da Santa Casa de Itaberá, onde ela também trabalha", conta Zezinho.

Para ele, entretanto, o mais importante não são as vendas dos medicamentos. "Para nós, que estamos em um processo de luta e resistência na terra, a saúde é o mais importante. Gastar menos com remédios convencionais já é um resultado positivo. Pode não representar mais dinheiro no bolso, mas é uma economia. O importante é o pessoal entender essa necessidade de explorar melhor a terra, tirando dela o próprio medicamento", diz Zezinho.

Alessandra participa da Farmácia Viva e da fábrica de doces

O resultado econômico da Farmácia Viva fez com que o grupo pioneiro de mulheres da área V de Itapeva esteja se tornando a maior atração do assentamento, o que provoca até uma pequena ciumeira em seus maridos, sócios da cooperativa de trabalho coletivo que existe nessa área. Além disso, não contentes com o sucesso da farmácia, as mulheres e filhas dos assentados resolveram reinvestir o dinheiro que recebem em outro empreendimento: uma fábrica de doces. Trabalhando três, no máximo quatro tardes por semana na farmácia ou na produção de doces, as agricultoras também não descuidam da roça. Alessandra da Silva Carvalho, 17 anos, que é filha de assentados e participa do grupo, plantou todo o seu lote com abóbora para revendê-las para a fábrica de doces a preço compatível. "Vendendo sua produção para ela, todos os assentados valorizam mais a nossa fábrica de doces", diz ela.

Hoje o lucro da Farmácia Viva e dos doces Sabor do Campo ainda não estão indo para o bolso dessas incansáveis empreendedoras, pois elas estão o aplicando na construção de uma Ciranda Infantil, um espaço para que seus filhos sejam cuidados enquanto elas estão trabalhando. De fato, essa mulherada pensa longe.

 

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