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Ampliando o projeto
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| A
horta de Itapeva: matéria prima para todos
os medicamentos |
No
início os trabalhos eram realizados na casa onde
Isabelle vivia, e as assentadas da área V queriam aprender
a fazer as tinturas, pomadas e xampus somente para consumo
próprio. Testados e aprovados por técnicos da
Fiocruz, os medicamentos da Farmácia Viva passaram
a ser vendidos aos visitantes do assentamento, na feira da
região e na loja da Reforma Agrária, em São
Paulo. Além disso, são a moeda de troca que
os assentados estão usando para pagar o atendimento
de uma médica, a Dra. Elaine Moreira. "Ela atende
dois assentamentos, as áreas III e V, e recebe como
pagamento remédios e pomadas que repassa aos pacientes
mais carentes da Santa Casa de Itaberá, onde ela também
trabalha", conta Zezinho.
Para
ele, entretanto, o mais importante não são
as vendas dos medicamentos. "Para nós, que estamos
em um processo de luta e resistência na terra, a saúde
é o mais importante. Gastar menos com remédios
convencionais já é um resultado positivo. Pode
não representar mais dinheiro no bolso, mas é
uma economia. O importante é o pessoal entender essa
necessidade de explorar melhor a terra, tirando dela o próprio
medicamento", diz Zezinho.
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| Alessandra
participa da Farmácia Viva e da fábrica
de doces |
O
resultado econômico da Farmácia Viva fez
com que o grupo pioneiro de mulheres da área V de Itapeva
esteja se tornando a maior atração do assentamento,
o que provoca até uma pequena ciumeira em seus maridos,
sócios da cooperativa de trabalho coletivo que existe
nessa área. Além disso, não contentes
com o sucesso da farmácia, as mulheres e filhas dos
assentados resolveram reinvestir o dinheiro que recebem em
outro empreendimento: uma fábrica de doces. Trabalhando
três, no máximo quatro tardes por semana na farmácia
ou na produção de doces, as agricultoras também
não descuidam da roça. Alessandra da Silva Carvalho,
17 anos, que é filha de assentados e participa do grupo,
plantou todo o seu lote com abóbora para revendê-las
para a fábrica de doces a preço compatível.
"Vendendo sua produção para ela, todos
os assentados valorizam mais a nossa fábrica de doces",
diz ela.
Hoje
o lucro da Farmácia Viva e dos doces Sabor do Campo
ainda não estão indo para o bolso dessas incansáveis
empreendedoras, pois elas estão o aplicando na construção
de uma Ciranda Infantil, um espaço para que seus filhos
sejam cuidados enquanto elas estão trabalhando. De
fato, essa mulherada pensa longe.
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