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A Farmácia Viva das mulheres
do MST
Assentadas
em Itapeva (SP) há oito anos, mulheres em busca de uma medicina
"da terra" montam uma farmácia de medicamentos fitoterápicos,
vendem para fora e mostram o caminho para a autonomia frente
aos remédios industrializados.
Débora
F. Lerrer
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| A
produção da Farmácia Viva: buscando
a medicina na terra |
Já
passou o tempo em que os sem-terra organizados pelo MST
(Movimento Sem Terra) contentavam-se só com a terra
e a produção de seus assentamentos. Depois de
desenvolver projetos bem-sucedidos na área da educação,
premiados até pela Unicef, eles agora querem minimizar
a dependência dos remédios "comprados em
farmácia". Com esta finalidade, estão criando
laboratórios fitoterápicos para atender as demandas
da organização.
Hortas medicinais são comuns nos assentamentos
do MST, e sempre tem alguém que entende de ervas -
mas o empurrão definitivo para a produção
de remédios fitoterápicos foi dado pelo projeto
"Farmácia Viva", iniciativa de um grupo de
18 mulheres assentadas em Itapeva, no interior de São
Paulo. Com a ajuda de Isabelle Plomb, enfermeira suíça
da ONG E-change que morou e trabalhou como voluntária
na região por três anos, as assentadas começaram
a produzir mais de 50 tinturas, pomadas, xaropes e até
xampus anti-caspa com as plantas de sua pequena horta medicinal.
Entre seus produtos estão as pomadas de salsa (para
rachadura de pele), calminex (para massagem), a milagorosa
(limpeza, anti-infectante e anti-inflamatória), a pomada
contra manchas (provocadas pelo sol ou pela gravidez), tinturas
de mil-folhas, que é a matéria-prima da Novalgina,
de atroverão, para dor e cólicas, de tintucan,
para contusões e sinusite e de tanchagem, que serve
de anti-inflamatório.
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| Mais
de 50 fitoterápicos são produzidos a
partir das plantas da horta |
Zezinho
Ramos, diretor da Cooperativa Regional dos Assentados
da região de Itapeva, a Coapri, conta que as mulheres
já tinham a idéia de trabalhar com ervas medicinais,
mas foi Isabelle quem sugeriu concentrar a produção
numa horta e buscou ajuda técnica para que o grupo
aprendesse a manipular as ervas para produzir os medicamentos.
"Achamos magnífico buscar na terra a nossa medicina.
É uma atividade fundamental para as famílias",
diz o dirigente, contando que o MST só está
aguardando a liberação de uma verba do governo
federal para instalar os laboratórios fitoterápicos
em Itapeva e em outros estados onde a organização
atua.
Em
Itapeva, a produção de remédios naturais
começou com um grupo de assentadas na área V,
mas hoje já existe na área III, I e está
se iniciando nas áreas IV e VI. Todo esse assentamento,
iniciado a partir de uma ocupação ocorrida em
maio de 1984, é localizado onde outrora foi a fazenda
Pirituba, que era de propriedade do Estado. Ele tem ao todo
cerca de 7.000 hectares onde hoje vivem mais de 400 famílias.
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