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Reconectando: A Grande Teia

publicado em 24/07/2002
 

Alimentando o próximo
No Brasil, 26,3 milhões de toneladas de alimentos acabam no lixo anualmente. Mesmo com toda essa comida sobrando, ainda existe gente passando fome. Mas iniciativas de ONGs, governos e entidades começam a reverter essa situação

Por Alexandre Bello

Alguém aqui está com o olho maior do que a barriga. O Brasil desperdiça 26,3 milhões de toneladas de alimentos por ano, enquanto uma grande parcela de pessoas passa fome. A quantidade de comida jogada no lixo poderia alimentar mais de 10 milhões de brasileiros diariamente. O desperdício começa na hora do plantio, colheita e armazenamento dos alimentos e continua dentro de casa. Que tal fazer uma reflexão sobre os impactos positivos e negativos do seu hábito consumo?

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), grande parcela da população brasileira tem o hábito de comprar alimentos in natura (não processados industrialmente), prepara a comida em casa e acaba jogando no lixo cerca de 60% do que compra. Resultado: mais da metade do lixo produzido no Brasil anualmente é composta por restos de alimentos.

Debora F. Lerrer

Uma das causas pode estar na própria mania do brasileiro, que costuma encher os carrinhos de supermercado, lotar as despensas de casa e servir grandes comilanças à mesa. A "sobra" de tudo isso, ao invés de alimentar, vai para outra boca: a do lixo. "A conscientização das pessoas com relação ao desperdício de comida só traria benefícios. Haveria uma diminuição da geração de lixo e os alimentos poderiam ter um outro destino, ajudando quem realmente precisa", afirma o presidente da Abrelpe, Tito Bianchini.

O consumidor também peca na hora de aproveitar o alimento de forma integral. Muitos alimentos são jogados fora sem necessidade. "Talos, cascas e algumas folhas têm o seu valor nutritivo e podem ser aproveitados para fazer boas refeições e bons pratos", recomenda a nutricionista da ONG Banco de Alimentos, Suzete Raimondi. Outra dica importante é sempre estar atento ao prazo de validade dos produtos. Frutas, legumes e verduras, por exemplo, não podem esquentar lugar nas prateleiras. Senão, viram lixo.

Bancos Solidários - Existem no Brasil algumas instituições que pegam o que não iria ser aproveitado e colocam no prato de quem está com fome. As iniciativas são realizadas por organizações não-governamentais (ONGs), governos e entidades como o Serviço Social do Comércio (Sesc). O trabalho consiste basicamente em recolher as sobras de comercialização em empresas, sacolões, mercados municipais, padarias e centrais de abastecimento, e depois, selecionar estes alimentos para distribui-los nas entidades sociais. São produtos bons para o consumo e inadequados para a venda, como frutas com pequenas manchas e massas que ficaram fora do padrão da embalagem.

Entre as instituições está a ONG Banco de Alimentos, uma iniciativa civil contra a fome e o desperdício de alimentos, que funciona desde de 1998, em São Paulo, e inspirou projetos governamentais. "A gente pega onde sobra e leva onde falta", diz a economista e presidente da ONG, Luciana Chinaglia Quintão. A iniciativa arrecada 30 toneladas de alimentos e beneficia 18,5 mil pessoas na Grande São Paulo.

Do outro lado, a atitude acaba sendo favorável, inclusive, aos próprios estabelecimentos comerciais. Um bom exemplo é o Supermercado Simonica, em São Paulo, que chegava a jogar fora produtos em bom estado para consumo ou que estavam próximos do fim da data de validade. "Formavam-se filas e tinha de impedir as pessoas de pegar o lixo. Fiquei com a consciência pesada", lembra o gerente da loja, Eduardo Gutierrez. O problema é que pela lei os donos são responsáveis pela qualidade desta comida, mesmo que seja uma doação.

A solução encontrada foi doar a comida para um banco de alimentos, que cuida da qualidade do produto destinado às instituições carentes. Agora, o supermercado consegue ajudar outras pessoas, juntando cerca de 300 quilos de alimentos por dia. Assim, o que é lixo para alguns, vira um cardápio de primeira para outros.

Leia mais:

Receitas que utilizam partes dos vegetais que normalmente acabariam no lixo


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Serviço:

Confira os locais onde você pode doar alimentos:

ONG Banco de Alimentos (São Paulo): (11) 3862-7265

Programa Mesa São Paulo/Sesc:
0800 177-772

Banco Rio de Alimentos/Sesc-Rio: 0800 222-026

Prato Amigo/Prefeitura de Salvador: (71) 329-8065

Banco de Alimentos/Craisa Santo André: (11) 4997-2188, ramal 2038 ou 2039

Banco de Alimentos do Rio Grande do Sul


Para saber mais:

• No site do Instituto Akatu você pode aprender algumas dicas culinárias para aproveitar melhor os alimentos.

 

 


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