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Alimentando o próximo
No
Brasil, 26,3 milhões de toneladas de alimentos acabam no lixo
anualmente. Mesmo com toda essa comida sobrando, ainda existe
gente passando fome. Mas iniciativas de ONGs, governos e entidades
começam a reverter essa situação
Por
Alexandre Bello
Alguém
aqui está com o olho maior do que a barriga. O
Brasil desperdiça 26,3 milhões de toneladas
de alimentos por ano, enquanto uma grande parcela de pessoas
passa fome. A quantidade de comida jogada no lixo poderia
alimentar mais de 10 milhões de brasileiros diariamente.
O desperdício começa na hora do plantio, colheita
e armazenamento dos alimentos e continua dentro de casa. Que
tal fazer uma reflexão sobre os impactos positivos
e negativos do seu hábito consumo?
De
acordo com a Associação Brasileira de Empresas
de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe),
grande parcela da população brasileira tem o
hábito de comprar alimentos in natura (não processados
industrialmente), prepara a comida em casa e acaba jogando
no lixo cerca de 60% do que compra. Resultado: mais da metade
do lixo produzido no Brasil anualmente é composta por
restos de alimentos.
Uma
das causas pode estar na própria mania do brasileiro,
que costuma encher os carrinhos de supermercado, lotar as
despensas de casa e servir grandes comilanças à
mesa. A "sobra" de tudo isso, ao invés de
alimentar, vai para outra boca: a do lixo. "A conscientização
das pessoas com relação ao desperdício
de comida só traria benefícios. Haveria uma
diminuição da geração de lixo
e os alimentos poderiam ter um outro destino, ajudando quem
realmente precisa", afirma o presidente da Abrelpe, Tito
Bianchini.
O consumidor também peca na hora de aproveitar
o alimento de forma integral. Muitos alimentos são
jogados fora sem necessidade. "Talos, cascas e algumas
folhas têm o seu valor nutritivo e podem ser aproveitados
para fazer boas refeições e bons pratos",
recomenda a nutricionista da ONG Banco de Alimentos, Suzete
Raimondi. Outra dica importante é sempre estar atento
ao prazo de validade dos produtos. Frutas, legumes e verduras,
por exemplo, não podem esquentar lugar nas prateleiras.
Senão, viram lixo.
Bancos
Solidários - Existem no Brasil algumas instituições
que pegam o que não iria ser aproveitado e colocam
no prato de quem está com fome. As iniciativas são
realizadas por organizações não-governamentais
(ONGs), governos e entidades como o Serviço Social
do Comércio (Sesc). O trabalho consiste basicamente
em recolher as sobras de comercialização em
empresas, sacolões, mercados municipais, padarias e
centrais de abastecimento, e depois, selecionar estes alimentos
para distribui-los nas entidades sociais. São produtos
bons para o consumo e inadequados para a venda, como frutas
com pequenas manchas e massas que ficaram fora do padrão
da embalagem.
Entre as instituições está a ONG
Banco de Alimentos, uma iniciativa civil contra a fome e o
desperdício de alimentos, que funciona desde de 1998,
em São Paulo, e inspirou projetos governamentais. "A
gente pega onde sobra e leva onde falta", diz a economista
e presidente da ONG, Luciana Chinaglia Quintão. A iniciativa
arrecada 30 toneladas de alimentos e beneficia 18,5 mil pessoas
na Grande São Paulo.
Do
outro lado, a atitude acaba sendo favorável, inclusive,
aos próprios estabelecimentos comerciais. Um bom exemplo
é o Supermercado Simonica, em São Paulo, que
chegava a jogar fora produtos em bom estado para consumo ou
que estavam próximos do fim da data de validade. "Formavam-se
filas e tinha de impedir as pessoas de pegar o lixo. Fiquei
com a consciência pesada", lembra o gerente da
loja, Eduardo Gutierrez. O problema é que pela lei
os donos são responsáveis pela qualidade desta
comida, mesmo que seja uma doação.
A
solução encontrada foi doar a comida para
um banco de alimentos, que cuida da qualidade do produto destinado
às instituições carentes. Agora, o supermercado
consegue ajudar outras pessoas, juntando cerca de 300 quilos
de alimentos por dia. Assim, o que é lixo para alguns,
vira um cardápio de primeira para outros.
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no lixo
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