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Paranormal: Propriedades Astrais

publicado em 11/01/2001
   


Mais empática do que premonitória

Na época que Marina começou, ela conta que as pessoas iam escondidas consultar videntes e cartomantes. "Era visto como coisa de gente ignorante. Agora, com essa Nova Era, ficou chique ir na mulher que dá florais, na vidente, na taróloga. Agora está nas agendas".

Apesar do modismo, Marina não se envolve com o chamado "neo-esoterismo" e todos os seus apetrechos e literaturas. Prefere ler psicanálise, ir ao cinema, continuar sua formação. Doutoranda na USP, é formada em Pedagogia, Letras, é mestre em Semiótica pela PUC, fluente em inglês, alemão e iídiche (língua que era falada pelos judeus na Europa Oriental) e considera que sua profissão oficial é professora universitária. Além desse currículo considerável, é dona da Labortexto Editorial, que recentemente publicou Capão Pecado de Ferrez e a tradução do Cântico dos Cânticos do grego, feita pelo professor Antônio Medina Rodrigues, da USP, com gravuras de Ênio Squef.

"Cultura me alimenta para entender melhor o ser humano", diz ela, que não se considera mística. "Meu procedimento é mais de profissional liberal", diz ela. "Sou simplesmente uma pessoa que tem um treino para fazer determinado serviço que, em 98% das vezes dá certo, faz excelentes prognósticos para o futuro".

Foi há pouco tempo, ao assistir o filme Experiência I que Marina descobriu que seu dom está mais para "empática" do que premonitória. No filme há um personagem que alega ter a capacidade de saber o que o monstrengo pensava, onde estava e o que ia fazer a seguir. "Me achei inteira naquele filme B de Hollywood, pois eu percebo o outro com uma clareza tão grande que posso mostrar os vários futuros possíveis", diz ela.

Ao contrário da maioria das pessoas que tem para-percepção, Marina prefere Lacan a Jung e usa seus conceitos para explicar o que consegue "ler" das pessoas. Segundo ela, existe uma programação na cabeça das pessoas que implica nas vivências. É o que Lacan chama de point de capiton. Esse termo em francês indica os botões que existem nos sofás e que fazem uma certa pressão em seu estofamento. Marina explica "bem rudimentarmente" que, para Lacan, o inconsciente é como um sofá onde os point de capiton seguram a pessoa na sua trajetória psicológica. "São os pontos críticos que prendem emocionalmente a pessoa e não passam para o estado consciente. Eles são filtrados pelo superego", explica ela. "Eu vou buscar esses pontos da pessoa, desde a infância, e a partir disso se descortinam os futuros possíveis, que cumpre à pessoa escolher". Por esse processo, ela garante que seus atendimentos podem equivaler a alguns anos de análise. "Eu não só indico esses pontos como eu os solto também. Na hora que você põe a mão, solta no psicológico e no espiritual, quando o caso for cármico". Ao enxergar e falar dos embates psicológicos de alguém, ela os vai soltando por meio de energia. "Às vezes, a pessoa tem uma cicatriz psicológica imensa, e eu vejo fechar. Mas se ela é cética e não acredita que exista uma ordem espiritual, trabalho apenas a ordem psicológica. Mesmo que eu esteja trabalhando no espiritual eu não preciso dizer para ela".

Ciente de que isso gera dependência, quando a pessoa está precisando de terapeuta Marina não titubeia em indicá-los. "Eu sei muito bem onde é o limite da minha sensibilidade e onde começa um tratamento psicológico, e eu sei o que é para quem." No caso de pessoas perturbadas espiritualmente, Marina envia para centros espíritas. "Sou espiritualista. De nascença eu sou judia, mas também não professo. Sou ecumênica".



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