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Mais
empática do que premonitória
Na época que Marina começou, ela conta que as pessoas
iam escondidas consultar videntes e cartomantes. "Era visto
como coisa de gente ignorante. Agora, com essa Nova Era, ficou
chique ir na mulher que dá florais, na vidente, na taróloga.
Agora está nas agendas".
Apesar do modismo, Marina não se envolve com o chamado
"neo-esoterismo" e todos os seus apetrechos e literaturas.
Prefere ler psicanálise, ir ao cinema, continuar sua formação.
Doutoranda na USP, é formada em Pedagogia, Letras, é mestre
em Semiótica pela PUC, fluente em inglês, alemão e iídiche
(língua que era falada pelos judeus na Europa Oriental) e
considera que sua profissão oficial é professora universitária.
Além desse currículo considerável, é dona da Labortexto Editorial,
que recentemente publicou Capão Pecado de Ferrez e
a tradução do Cântico dos Cânticos do grego, feita
pelo professor Antônio Medina Rodrigues, da USP, com gravuras
de Ênio Squef.
"Cultura me alimenta para entender melhor o ser humano",
diz ela, que não se considera mística. "Meu procedimento é
mais de profissional liberal", diz ela. "Sou simplesmente
uma pessoa que tem um treino para fazer determinado serviço
que, em 98% das vezes dá certo, faz excelentes prognósticos
para o futuro".
Foi há pouco tempo, ao assistir o filme Experiência
I que Marina descobriu que seu dom está mais para "empática"
do que premonitória. No filme há um personagem que alega ter
a capacidade de saber o que o monstrengo pensava, onde estava
e o que ia fazer a seguir. "Me achei inteira naquele filme
B de Hollywood, pois eu percebo o outro com uma clareza tão
grande que posso mostrar os vários futuros possíveis", diz
ela.
Ao contrário da maioria das pessoas que tem para-percepção,
Marina prefere Lacan a Jung e usa seus conceitos para explicar
o que consegue "ler" das pessoas. Segundo ela, existe uma
programação na cabeça das pessoas que implica nas vivências.
É o que Lacan chama de point de capiton. Esse termo em francês
indica os botões que existem nos sofás e que fazem uma certa
pressão em seu estofamento. Marina explica "bem rudimentarmente"
que, para Lacan, o inconsciente é como um sofá onde os point
de capiton seguram a pessoa na sua trajetória psicológica.
"São os pontos críticos que prendem emocionalmente a pessoa
e não passam para o estado consciente. Eles são filtrados
pelo superego", explica ela. "Eu vou buscar esses pontos da
pessoa, desde a infância, e a partir disso se descortinam
os futuros possíveis, que cumpre à pessoa escolher". Por esse
processo, ela garante que seus atendimentos podem equivaler
a alguns anos de análise. "Eu não só indico esses pontos como
eu os solto também. Na hora que você põe a mão, solta no psicológico
e no espiritual, quando o caso for cármico". Ao enxergar e
falar dos embates psicológicos de alguém, ela os vai soltando
por meio de energia. "Às vezes, a pessoa tem uma cicatriz
psicológica imensa, e eu vejo fechar. Mas se ela é cética
e não acredita que exista uma ordem espiritual, trabalho apenas
a ordem psicológica. Mesmo que eu esteja trabalhando no espiritual
eu não preciso dizer para ela".
Ciente de que isso gera dependência, quando a pessoa
está precisando de terapeuta Marina não titubeia em indicá-los.
"Eu sei muito bem onde é o limite da minha sensibilidade e
onde começa um tratamento psicológico, e eu sei o que é para
quem." No caso de pessoas perturbadas espiritualmente, Marina
envia para centros espíritas. "Sou espiritualista. De nascença
eu sou judia, mas também não professo. Sou ecumênica".
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