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Paranormal: Propriedades Astrais

publicado em 18/01/2001
   


O santo ecumênico

Divisor de águas no espiritismo brasileiro, Chico Xavier é cultuado por pessoas de inúmeras religiões. A casa do médium - em Uberaba, Minas Gerais - se transformou em uma espécie de Meca, ou talvez uma nova Aparecida do Norte. Os fiéis são capazes de enfrentar longas viagens e intermináveis horas de espera na fila - para simplesmente ver, ouvir e cumprimentar este que é o médium mais prolífico de todos os tempos e que ainda vivo foi canonizado pela vontade popular.

Débora F. Lerrer

Arte: Alfer

"Você conta para pessoas de várias religiões que vem aqui ver o Chico Xavier, e todas abrem um sorriso", diz Rita Amaral, 33 anos, psicóloga carioca que chegou às 14 horas na fila que todo o santo sábado cerca o Centro Espírita da Prece, em Uberaba (MG), para ver o célebre médium brasileiro. Espírita, Rita esperava ter a oportunidade de ver, apertar a mão e, quem sabe, captar "as energias positivas" que emanam de Chico Xavier na sessão que se iniciaria por volta das 21 horas. Seu namorado, o relações-públicas Marco Antônio Marinho, 32 anos, sorridente acompanhava a maratona, fazendo a ressalva de que era católico. Mais tarde, graças "à sua luz", garantia a prima, a policial Elaine Guimarães, 45, Marco Antônio foi convidado a compor a mesa com Chico e outros médiuns durante a realização dos trabalhos.

Atrás deles na fila estava Carlos Eduardo da Silva, 21, programador e estudante universitário que encarou 20 horas de estrada, desde Florianópolis, para ver Chico pela segunda vez. "Venho agradecer a luz e a sabedoria que os livros que ele psicografou me deram, e o que ele representa na edificação e na consolidação do espiritismo em nosso país", explicou ele. Em sua primeira visita, Carlos Eduardo encontrou uma freira na fila, confirmando o que para ele é líquido e certo. "Chico Xavier é um mensageiro de Jesus na Terra. Ele é um missionário que veio aliviar as dores de muita gente e mostrar o verdadeiro caminho que conduz a Jesus. O caminho do amor, da verdade, da fraternidade", diz ele.

Um grupo que encheu um ônibus vindo do Recife também chegara naquele momento. A assistente social Lindalva Leita, 58, enfrentou gloriosamente, junto com suas companheiras, 36 horas de viagem. Para elas, entretanto, valia a pena: "Conhecer o Chico é desejo de todo mundo, principalmente de quem é espírita como nós".

A primeira pessoa na fila, Rosângela Maria Severino Silva, veio de Sabará (MG), e mostrava seu olhar transpassado de dor ao explicar porque tinha chegado à porta daquele modesto centro às 8 horas da manhã, com a perspectiva de enfrentar uma espera de mais de 12 horas. "A gente busca na psicografia de Chico Xavier os entes queridos mortos. Minha filha, a Roberta, de 25 anos, morreu há dois meses, assassinada por um traficante de drogas que queria violentá-la. Ele não conseguiu. Ela lutou até o final", disse debulhada em lágrimas e revoltada com a "justiça dos homens" - que no momento em que sua filha estava sendo enterrada soltou o acusado mediante o pagamento de nove mil reais de fiança.

Arte: Alfer
A casa, em Uberaba, onde Chico mora e recebe seus fiéis

Ela não sabia, mas sua espera seria infrutífera. Chico não tem mais forças para psicografar mensagens individuais. Seu corpo combalido já não suporta mais. Além dos dois infartos e de algumas pneumonias, ele sofre de angina, moléstia que matou sua mãe e que já lhe provocou muito sofrimento. Segundo um dos biógrafos de Chico, o jornalista Marcel Souto Maior, já na década de 70 Chico previu que seria o coração o órgão que o levaria a morte. "Vou morrer por causa do órgão do qual mais vivi: o coração", teria dito o médium. Segundo o médico Eurípedes Tahan Vieira, que o trata há mais de 30 anos, o quadro dele está estacionário, pois Chico é disciplinado. "Ele toma os remédios no horário certo, controla a alimentação, nunca abusou de nada, a não ser do trabalho que ele executa há muitos anos em benefício dos outros".

Fora os males do coração, Chico está praticamente cego do olho esquerdo, e o direito enxerga apenas com 30% da capacidade. Por esta razão, durante à noite, quando aparece no Centro Espírita da Prece, seus auxiliares insistem, sem grande sucesso, para que as fotos sejam tiradas sem flash. Sua amiga Fernanda Terra lamenta: "As pessoas não entendem. Mas no decorrer da semana, por causa do flash, o olhinho dele fica lacrimejando sem parar. Ele sente muita dor na vista".

Para se locomover, o médium precisa do apoio de outras pessoas. No sábado, dia 13 de janeiro, ele apareceu caminhando arqueado e apoiando-se firmemente em seus auxiliares. De acordo com o médico, essa dificuldade de locomoção é um efeito de sua idade. Chico está com 90 anos. No dia 2 de abril - dia em que morreu Allan Kardec, o criador da doutrina espírita - ele estará completando 91 anos. Apesar da saúde frágil, Chico mantém-se totalmente lúcido. "Ele tem uma cabeça melhor do que a minha", diz Fernanda.


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Paranormal

Fenômenos que os olhos não vêem. Experiências
que fogem à compreensão.
O dia-a-dia do mundo astral


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