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O
duende da astrologia
Há
quase meio século desvendando os astros, Assuramaya vive semi-recluso
na Serra dos Órgãos, de onde sai de vez em quando para iluminar
a vida de alguns seletos alunos e clientes da alta sociedade.
Por
Betina Piva
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Muita
gente já viu duende na Serra dos Órgãos,
no interior fluminense. Ali, à beira de um lago a 1300m
de altitude mora um baixinho, com barba e cabelos compridos,
casaco até o joelho e gorro vermelho na cabeça,
alegre, voz doce e sabedoria de vovô. Assim é
o canceriano João Batista Assuramaya, um vovô
da astrologia. Aos 72 anos, dos quais quase 50 foram dedicados
aos astros, ele se define como um potencializador das virtudes
da alma das pessoas que o procuram. A apenas 25 quilômetros
da cidade de Lumiar, esse gigante de 1,54m transformou sua
residência em uma espécie de santuário
- onde recebe, aos finais de semana, grupos seletos de cerca
de dez alunos e fiéis seguidores para retiro espiritual,
aulas e palestras sobre astrologia, mitologia e filosofia.
Em
entrevista à Planeta na Web, Assuramaya desabafa
e diz que não é fácil ser astrólogo.
"Carrego um fardo muito pesado". Em sua maratona
astrológica, que já dura quase 50 anos, ele
explica que seu trabalho não termina depois de feita
a leitura do mapa. Segundo ele, as pessoas vêem na sua
figura um ser milagroso. "Sou capaz de desvendar a ciência
da astrologia, mas não posso fazer milagres. As pessoas
me ligam no meio da noite dizendo que estão com câncer,
esperando que eu as cure, mas não tenho esse dom"
- diz um sentimental Assuramaya.
Quando
tinha 18 anos, Assuramaya era laboratorista e, em certa
ocasião, espalhou protozoários por toda sua casa, para analisá-los.
Observou que suas curvas formavam senóides de 28 dias,
períodos de maior ou menor proliferação.
Tal constatação o fez acreditar que as curvas
estavam associadas às fases da lua. A partir daí,
começou seu duradouro relacionamento com a astrologia.
Viver
com sabedoria é uma de suas premissas. Por isso
desenvolveu a Crya Yoga, uma técnica de relaxamento
que divide com seus hóspedes de finais de semana e
sua mulher Regina. Além disso, como cidadão
do cosmo que é, vive em interação com
a natureza, tem alimentação regrada e medita.
Sua busca envolve honra e sabedoria. "Sabedoria para
não ser enganado e honra para não enganar jamais".
Com este conhecimento, Assuramaya diz que o ser humano só
alcançará a liberdade quando deixar de viver
prensado entre o passado e futuro. "O que faço
é romper essa barreira e libertar".
De
seus momentos de meditação, Assuramaya carrega
diversas teorias e uma delas versa sobre a cura do câncer.
Analisando a transformação das plantas na ocasião
da fotossíntese, o astrólogo diz que se substituirmos
o Carbono por Hélio é possível criar
um átomo que necessite de determinada célula
para se alimentar. E essa determinada célula pode ser
uma célula cancerosa. (Ouça trecho da entrevista
em que Assuramaya explica sua teoria)
O
professor é discreto e pouco conhecido pelo grande
público, mas já escreveu cinco livros - em um
deles, A gênese do homem-Deus, expõe seu
conceito da evolução humana - e é um
dos astrólogos preferidos da da alta sociedade paulistana
e carioca. Durante sua consulta, que custa R$ 200, ele garante
que não faz previsões, mas facilita a compreensão
do momento na vida da pessoa. "Ajudo as pessoas a descobrirem
seu potencial para que, quando se deparem com esse ou aquele
problema, saibam, através de seu livre-arbítrio,
optar pelo caminho mais adequado", esclarece o astrólogo.
A
dramaturga e escritora Maria Adelaide Amaral é
uma das que se encantaram com o duende da astrologia. Em seu
último romance, O Bruxo, criou um personagem
astrólogo, inspirado em Assuramaya. Maria Adelaide
o conheceu em novembro de 1997, quando o procurou por indicação
da atriz Mila Moreira. Na ocasião, o astrólogo
insistiu com a escritora para que ela procurasse logo seu
médico, pois um nódulo que tinha no seio direito
teria de ser retirado. Deu até a data da cirurgia.
Assuramaya
formou algumas centenas de astrólogos e atende
outras centenas de clientes, mas não tece um só
comentário sobre eles. Quem o ciceroneia em São
Paulo é a socialite
Maria Alice Mendes Caldeira - o que garante agenda cheia nas
poucas vezes em que ele deixa seu retiro na Serra dos Órgãos.
As consultas com Assuramaya levam a marca da exclusividade
e seu anonimato está cada dia mais ameaçado.
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