TRANSCENDENDO > Religião
  Reforma nos corações - continuação

A visita do Dalai Lama ao Brasil reacende desejos de melhorar a realidade e põe em evidência esforços para tornar o ser humano mais solidário. Afinal, como lembrou o monge budista, instrução é fundamental, mas cérebros brilhantes também causam sofrimento. É preciso educar os corações

O consultor de empresas e ex-gerente de tecnologia informática Luiz Henrique Pontes, de São Paulo, tem feito bom uso disso em suas atividades. Ele sempre cuidou de desenvolver a espiritualidade e, recentemente, descobriu na Internet a ONG Centro para a Cura das Atitudes. Fundada em 1975 nos Estados Unidos, a ONG dispõe hoje de uma rede de mais de 150 grupos em todo o mundo. Seu objetivo é reduzir o medo e o isolamento de forma a facilitar o surgimento do amor. No ano passado, Luiz Henrique abriu o primeiro grupo brasileiro. Agora já são quatro e um deles funciona no Hospital Central do presídio do Carandiru. "O hospital é um lugar onde convivem doentes de Aids, pessoas encarregadas de impedir que eles fujam e pessoas encarregadas de impedir que eles morram. Lá estão pessoas que a sociedade considera irrecuperáveis em todos os sentidos, mas muitos deles podem ter uma nova oportunidade", diz Luiz Henrique. Nem todas conseguem mudar, ele admite. "Mas é uma escolha. Depende apenas de vontade", diz. Seu trabalho baseia-se num método de 12 princípios que são exercitados pelo grupo. Os primeiros: a essência do nosso ser é o amor; saúde é paz interior e cura é livrar-se do medo.

Foto: JUCA RODRIGUES
COM SEU Centro de Cura de Atitudes, Luiz Henrique apóia os funcionários do hospital carcerário
O medo é um freio da transformação e um dos primeiros alvos dos métodos destinados a mudar mentalidades. É assim nas empresas, onde começa a crescer a noção de que pessoas mais solidárias e menos competitivas produzem melhor. O psiquiatra Paulo Gaudêncio criou há dez anos um seminário que aplica em empresas e que se propõe a requalificar os impulsos das pessoas. "Todo impulso é saudável, mas aprendemos que uns são bons e outros maus, por isso os reprimimos, sobretudo a agressividade e o medo. Precisamos dos dois e temos de conviver com eles sem endurecer nem nos isolarmos".

Pais estressados Lidar melhor com as emoções no trabalho produz um grande impacto. "Como o homem não é um móvel de gavetas, mas sim um todo, quando ele muda no profissional, muda também no pessoal", constata o psiquiatra. Por sua estatística pessoal, ele calcula que um terço dos indivíduos nas empresas deseja mudanças, um terço não deseja e um terço espera para saber que lado vai ganhar. No livro que vai lançar em maio, Gaudêncio cita Maquiavel: "Nada é mais difícil de realizar do que iniciar a introdução de uma nova ordem, pois a inovação tem como inimigos todos aqueles que prosperam sob as condições antigas e como amigos aqueles que podem se beneficiar com as mudanças".

<<anterior | 1 | 2 | 3 | 4 | próxima>>





LEIA MAIS

Governo do Tibete no Exílio. Informações sobre o país e o budismo tibetano, além de notícias sobre a invasão chinesa.



Bodisatva, cyberzine budista.



Site oficial de Chagdud Rimpoche.



Site muito completo sobre budismo, bastante ilustrado.



SOS Tibet. Tudo sobre a invasão chinesa e como você pode ajudar.

 
© Copyright 1996/2000 Editora Três