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A
visita do Dalai Lama ao Brasil
reacende desejos de melhorar a
realidade e põe em evidência esforços
para tornar o ser humano mais
solidário. Afinal, como lembrou
o monge budista, instrução é fundamental,
mas cérebros brilhantes também
causam sofrimento. É preciso educar
os corações
| Fotos:
LIZ WOOD |
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ENTRE
OS 1.800 espectadores
que lotaram a Ópera de
Arame para ver o Lama,
uma tibetana e um índio
txucarramãe
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Em que pese o misticismo
de boa parte da platéia, o Dalai
Lama não acredita em magia, mas
em trabalho árduo e em resultados
lentos. "Cada um de nós é responsável
por tornar o mundo melhor", disse
o monge. "E isso deve começar
por reformar o nosso próprio íntimo",
enfatizou. "A importância da educação
já foi compreendida, mas cérebros
brilhantes também podem produzir
grandes sofrimentos. É preciso
educar os corações", recomenda
o monge. Em sua opinião, não é
preciso ser religioso para engajar-se
nessa tarefa: cada um dos seis
bilhões de habitantes do planeta
pode ajudar. "Quando olhamos para
conflitos como o de Kosovo, sentimo-nos
impotentes", ele comenta. "Mas
quando nos voltamos para os nossos
conflitos internos e para a luta
contra o egoísmo e pela compaixão,
vemos que há muito a fazer. Podemos
nos tornar mais felizes, criar
famílias mais felizes e, da mesma
forma, comunidades, países, um
mundo melhor".
Antídoto contra raiva O caminho
budista exige atenção para sentimentos
como a raiva, que nos fazem perder
o controle. O antídoto contra
ela é a consciência permanente
dos prejuízos que provoca. "Pode
ser que um gesto de ódio faça
mal a um inimigo, mas com certeza
traz muito mais prejuízos a nós
mesmos", ensinou o Dalai Lama,
a um público de lamas, socialites
(o fotógrafo de Caras procurava
insistentemente Yara Baumgart),
atrizes (as emocionadas Christiane
Torloni e Maitê Proença), ecologistas,
índios e professores.
| Foto:
JADE |
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A
ATRIZ Christiane Torloni
ouviu atenta e emocionada
os ensinamentos do mestre
budista
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Esse mestre lépido e sorridente
é a melhor confirmação da eficácia
do que ele prega: compaixão, persistência,
autoconfiança, contentamento.
Mal refeito das quase 24 horas
de viagem da Índia a Curitiba
e depois de uma manhã de seminário,
gargalha ao perceber que cochichou
em tibetano na orelha de um perplexo
tradutor de inglês-português.
Seus olhos passeiam pelas dezenas
de gravadores à sua frente, durante
a entrevista coletiva, e detectam
os que param de girar. A alegria
infantil e a insistência em se
apresentar como mortal comum fazem
dele um comunicador poderoso.
O rabino Henry I. Sobel, presidente
do Rabinato da Congregação israelita
de São Paulo, que esteve com ele
em Brasília, observa: "As qualidades
humanas do mensageiro são tão
importantes quanto a mensagem.
Ser gente é a maior qualidade
de um ser humano que quer tocar
corações".
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