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Durante
sua passagem pela Terra, Jesus instituiu rituais e sacramentos
que visavam a expansão da consciência e foram secretamente
ensinados a seus discípulos. Embora modificadas, algumas
dessas práticas chegaram até os nossos dias.
RAUL
BRANCO
O texto a seguir é um excerto do capítulo
24 do livro Os Ensinamentos de Jesus e a Tradição Esotérica
Cristã, lançado recentemente pela Editora Pensamento
Todas as tradições religiosas e esotéricas valem-se de rituais
para estabelecer uma vibração elevada e direcionar energias
para facilitar a expansão da consciência dos participantes.
A milenar tradição dos mistérios sempre se valeu de rituais,
ou teurgia, para a realização de seus propósitos. Com o
passar do tempo, algumas dessas tradições julgaram por bem
instituir não só Mistérios Menores, de caráter preparatório
para os Mistérios Maiores, mas também cerimônias abertas
para o grande público. Nessas, obviamente, não havia exigência
de segredo.
Pouco se sabe a respeito dos rituais e dos mistérios das
verdadeiras tradições ocultas, pois os praticantes sempre
mantiveram em respeitoso segredo suas práticas, em obediência
ao juramento de total sigilo que devia ser feito como condição
de acesso aos mistérios. Por isso, sabemos simplesmente
que existiam e ainda existem mistérios, e naquelas sociedades
em que algumas práticas exotéricas, ou populares, foram
instituídas, algo mais é conhecido pelo público, mas nunca
os detalhes dos rituais, principalmente as palavras e sinais
de poder que são transmitidos de boca a ouvido pelos oficiantes.
Durante seu ministério, Jesus instituiu rituais e mistérios,
ou sacramentos. Seguindo a antiga tradição oculta, ele também
exigia de seus discípulos estrito segredo sobre esses mistérios,
como atesta a seguinte passagem: “Jesus disse: ‘Eu digo
meus mistérios aos que são dignos de meus mistérios. Que
a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita!’”
(Evangelho de Tomé, vers. 62).
Com isso, Jesus indica que os mistérios só eram concedidos
aos discípulos mais avançados, que estavam suficientemente
purificados e comprometidos com a vida espiritual. O mestre
pedia discrição, a fim de que os irmãos da mão esquerda
não pudessem se valer dos conhecimentos que conferem poder
para seus fins nefastos.
Mais tarde a Igreja romana, herdeira da tradição externa
dos ensinamentos populares, resolveu adaptar alguns dos
rituais e sacramentos internos ao uso público, resultando,
com o passar do tempo, na missa e nos sete sacramentos conhecidos
atualmente. Esses rituais apresentavam várias características
regionais. Ainda hoje os rituais da Igreja Ortodoxa Oriental
são consideravelmente diferentes dos rituais da Igreja Católica
Romana, particularmente depois das reformas recentes. É
sabido que uma das razões da Reforma protestante instituída
por Lutero e Calvino dizia respeito à natureza do ritual
da Igreja romana. Com a Reforma, as diferentes seitas protestantes
passaram a oferecer a seus fiéis um “serviço religioso”,
e não o ritual da missa.
Os rituais internos da tradição cristã – Jesus, como todo
hierofante, instituiu alguns rituais secretos, visando facilitar
a expansão da consciência de seus discípulos. Além da menção
da instituição do batismo e da eucaristia (Mt 26:26-28;
Mc 14:22-25; Lc 22:14-20; Jo 6:52-59), um importante registro
que temos desses rituais na Bíblia é a curta e enigmática
menção do hino cantado por Jesus e seus discípulos: “Depois
de terem cantado o hino, saíram para o monte das Oliveiras”
(Mt 26:30 e Mc 14:26).
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