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Com
o objetivo de proteger as rotas de peregrinação, os Cavaleiros
Templários construíram, em menos de 200 anos, um império econômico
sem igual na Idade Média. Os anos de glória e a queda violenta
e injusta desta ordem de monges guerreiros deram vazão ao surgimento
de várias lendas e histórias sobre esses cavaleiros, que foram
a vanguarda da espiritualidade cristã da época
DÉBORA F. LERRER
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| Quartel-general
templário na Escócia |
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A
ordem dos monges guerreiros, que se tornou uma das mais poderosas
e controversas organizações na história da
Europa medieval, era conhecida com uma variedade de nomes: Pobres
Soldados de Cristo e do Templo de Salomão, Milícia
de Cristo ou, mais comumente, Cavaleiro Templários. Em
200 anos, a partir de seu objetivo de proteger as rotas de peregrinação,
eles construíram um império econômico que
pode ser considerado a primeira multinacional européia.
Devendo obediência apenas ao papa, os Templários
desenvolveram arrojadas técnicas de construção,
trouxeram tecnologias dos muçulmanos e se tornaram mais
ricos do que vários reinos, emprestando dinheiro para príncipes,
bispos e reis. Famosos por sua bravura nas batalhas travadas nas
Cruzadas, foram destruídos em menos de uma década
por um rei que, não por acaso, era altamente endividado
com a Ordem. Para o historiador Ricardo
da Costa, professor da Universidade Federal do Espírito
Santo, os templários podem ser considerados os fundamentalistas
da época. "Eles estavam na vanguarda da espiritualidade
cristã. Ser um padre e ao mesmo tempo combater o infiel
era considerado o máximo para a época".
A fundação da ordem
Em 1118, os cavaleiros Hugh de Payen e André de Montbard
(tio do abade Bernard de Clairvaux, famoso pregador da época),
junto com sete companheiros, se apresentaram para o Rei Balduíno
I de Jerusalém, anunciando que tinham a intenção
de fundar uma ordem de monges guerreiros e, na medida em que sua
força permitisse, manteriam seguras as estradas e caminhos
com especial atenção para a proteção
dos peregrinos. A nova ordem fez votos de pobreza pessoal, de
obediência e de castidade e jurou manter todo seu patrimônio
em comum.
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Localização
dos Templários em Jerusalém
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Os
primeiros Templários passaram nove anos na Terra Santa,
alojados em uma parte do palácio que foi cedida a eles
pelo rei, exatamente em cima dos estábulos do que outrora
foi o antigo Templo de Salomão. Daí veio o nome
de cavaleiros do Templo, ou Templários. Para Tim Wallace-Murphy,
responsável pela página da Rede Européia
de Pesquisa da Herança Templária (ETHRN), a principal
razão para a fundação da Ordem, ou seja,
a proteção das rotas de peregrinação,
não se sustenta - se analisados os primeiros anos da sua
existência. Seria fisicamente impossível que nove
cavaleiros de meia-idade protegessem as perigosas rotas entre
Jaffa e Jerusalém de todos os bandidos e saqueadores infiéis,
que acreditavam que os peregrinos que lhes garantiam roubos tão
fáceis eram um presente de Deus. Já os indícios
existentes das ações desses cavaleiros na região
fazem essa hipótese ser ainda mais improvável, pois
ao invés de patrulharem as rotas da Terra Santa para proteger
peregrinos, eles passaram nove anos na tarefa perigosa e exigente
de re-abrir uma série de túneis localizados sob
seus quarteirões no Templo do Monte.
Os
túneis explorados pelos Templários foram re-escavados
em 1867, por um oficial da coroa britânica. Ele não
encontrou o tesouro escondido do Templo de Jerusalém, mas
pedaços de uma lança e de uma espada, esporas e
uma pequena cruz templária, hoje guardados na Escócia.
O que os Templários estariam procurando e como eles sabiam
exatamente onde escavar?
No
exterior da Catedral de Chartres, na porta do norte, está
esculpida uma imagem no pilar que nos dá uma indicação
do objeto procurado pelos Templários: a Arca da Aliança,
representada sendo transportada em um veículo de rodas.
Várias lendas contavam que a Arca ficou escondida por muito
tempo embaixo da cripta da Catedral de Chartres. As mesmas lendas
alegam que os Templários teriam encontrado muitos outros
artefatos sagrados do velho templo judeu durante suas investigações,
bem como uma considerável quantidade de documentação.
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