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Shimon
Bar Yohai foi um dos grandes de sua geração. Ele escreveu
e interpretou muitos temas cabalistas e é conhecidos até
hoje. Entretanto, de acordo com a lenda, o Zohar desapareceu
depois dele, sendo mantido escondido em uma caverna nas
vizinhanças de Safed em Israel. Achado depois pelos árabes
que residiam na área, o Zohar foi reconhecido por um cabalista
de Safed, que havia comprado um peixe embrulhado naquele
papel de incalculável valor no mercado. Depois de comprar
o resto daquela páginas preciosas, ele as reuniu em um volume.
Somente no século XIII é que estes escritos vieram à luz,
publicados pelo Rabino Moisés de Leon, de Castela, durante
o florescimento da Cabala na Penísula Ibérica. Até então
o estudo do Zohar vinha sendo conduzido secretamente por
pequenos grupos. Hoje em dia, estudos mais acadêmicos, como
o de Gershom Sholem, apontam que o autor de fato do Zohar
teria sido o próprio De Leon.
Outro grande momento da Cabala foi o período de Ari, o rabi
Yitzhak Luria. Nascido em Jerusalém, mas criado no Egito,
ele trabalhava com comércio, mas devotou grande parte de
seu tempo ao estudo da Cabala. Uma lenda conta que ele passou
sete anos isolado na ilha da Roda no Nilo, onde além do
Zohar estudou livros dos primeiros cabalistas e escritos
de outro grande sábio de sua geração, o Rabi Moshe Cordovero,
o Ramak.
Em 1570 ele foi para Safed, em Israel. Bastaram somente
dois anos, já que ele morreu em 1572, aos 38, para que Luria
tivesse sua grandiosidade reconhecida a ponto de todos os
estudiosos de Safed terem ido estudar com ele. Exemplos
de seus escritos famosos são "A Árvore da Vida", "O Portal
das Intenções", "O Portal da Reencarnação". Em seus estudos,
Ari desenvolveu o primeiro mito cabalista conhecido, que
compreende o primeiro auto-desenvolvimento de Deus, a criação
do universo e da humanidade, as origens do mal e, o mais
importante, um método para reparar o mal (tikkun) e restaurar
a unidade original de Deus e da criação. No fim, ele instituiu
um sistema elaborado de meditação e práticas rituais para
conectar a humanidade com o divino. Alguns dos hinos e práticas
da escola de Luria são usados até hoje. Através da larga
publicação do trabalho de seus discípulos, a Cabala de Ari
se espalhou por todo o mundo judaico, tornando-se não somente
a forma mais aceita da Cabala, mas de todo o Judaísmo, na
medida em que isso é possível.
"A religião judaica incorporou muito da parte mística",
explica o rabino Adrian Godfrid, da Comunidade Shalom, de
São Paulo. Segundo ele, o serviço de sexta-feira à noite,
realizado em todas as sinagogas do mundo, o chamado Kabbalah
Shabat, foi instituído pelos místicos de Safed. Até mesmo
um dos hinos mais conhecidos deste ritual, o Leha Dodi,
foi concebido por Shlomo Alevi, um destes místicos, durante
um transe.
No século XIII, foi a vez do movimento Hassídico inspirar
nova vida no misticismo judaico, tornando-o acessível para
uma larga audiência. O Hassidismo vem da palavra hebraica
hasid, que quer dizer pio, e é baseado nos ensinamentos
do curandeiro judeu polonês Israel Bem Eliezer (1700-1760),
conhecido como Baal Shem Tov. Ele ganhou o respeito dos
judeus pobres e oprimidos socialmente por insistir que a
melhor maneira de alcançar Deus não era através do estudo
avançado do Talmud ou das complicadas fórmulas de meditação
de Luria, mas pela prática simples e sincera da devoção
na reza, associada a alegres canções, danças e histórias.
Embora ele não fosse rabino, Shem Tov conseguiu atrair muitos
rabinos para seu círculo. Após duas gerações, centenas de
rabinos elaboraram os ensinamentos de Shem Tov, atraindo
mais discípulos e fundando "dinastias" de sucessão, assim
promovendo o nascimento do movimento hassídico. Na época
do auge deste movimento, quase todo grande rabino era um
cabalista. Com o passar dos anos, o hassidismo foi se tornado
exatamente o contrário, esquecendo-se de sua fonte original
e tornando-se praticamente indistinguível do judaísmo tradicional.
Junto a esta descaracterização da essência do hassidismo,
a crescente secularização do judaísmo contribuiu novamente
para isolar o misticismo judaico, cujo interesse veio a
renascer novamente no final do século XX.
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