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Depois surgiu Padmasambhava
(não nascido de mãe humana,
mas manifestado numa flor de
lótus), considerado o segundo
Buda, que viajou por todo o
Tibete estabelecendo o Budismo
por toda parte. Foi o fundador
da mais antiga Escola, a Nyingmapa
(Chapéus Vermelhos), que permite
aos monges casar-se e mantém-se
próxima da vida cotidiana das
pessoas. Depois vieram as Escolas
Kargyupa, iniciada por Marpa
e seu discípulo, o poeta Milarepa.
Os Sakyapas foram fundados em
1073, e os Gelukpas surgiram
muito depois, convertendo-se
na Escola principal. Também
conhecidos como Chapéus Amarelos,
foram fundados por Tsongg Khapa
(1367-1419). Ao contrário das
outras escolas, a Gelukpa preconiza
a disciplina monástica e o celibato.
A ESSÊNCIA DO BUDISMO TIBETANO
Imagem fundamental do budismo
tibetano, a roda da vida simboliza
os seis reinos da existência,
com suas dores e prazeres. Todos
eles fazem parte do samsara,
e estão sujeitos à aniquilação
e à morte, mesmo sendo o reino
dos deuses. A Roda da Vida é
segura por Yama, o Senhor da
Morte. São o reino humano (o
melhor de todos para nascer),
o reino dos semi-deuses e finalmente
o reino dos deuses. No centro,
as emoções negativas mais importantes:
a cobiça (porco), o ódio (serpente)
e a ignorância (galo). Para
o inferno vão os assassinos
e criminosos, aqueles movidos
pelo ódio e pela ira; eles são
torturados e morrem milhares
de vezes até purificar seu karma,
podendo renascer depois em outros
reinos. O inferno tibetano não
é eterno - há possibilidade
da redenção, após a purificação
do karma. São 18 os infernos
gelados e 18 os infernos quentes.
O reino dos fantasmas famintos
é formado por aqueles avarentos
que nunca ajudaram ninguém;
o reino dos animais já é visível
para nós, e é um reino de medo
e caçada permanente, e total
stress. Os que vão para lá são
aqueles dominados pelos sentidos
e pela luxúria. O reino humano
é movido pelo desejo - o desejo
de conquista. É o único reino
onde se pode trabalhar o ser,
fazer uma prática espiritual,
onde a dor não é tão profunda
como nos reinos inferiores ou
a auto-indulgência não é tão
alienadora quanto nos reinos
superiores, que não se possa
fazer a prática.
O reino superior ao humano é
o dos semi-deuses. Invejosos
e desesperados, os que quase-chegaram-lá
morrem de inveja dos deuses,
que podem enxergar do seu reino.
Aliás, a árvore dos desejos
nasce no reino dos semi-deuses,
mas apenas dá frutos no reino
dos deuses. Os semi-deuses vivem
em guerra permanente com os
deuses, e sempre perdem. Mas
o reino dos deuses também tem
suas complicações. Vivendo no
paraíso, em total prazer e realização
de todos os desejos, os deuses
vivem centenas de anos, mas
um dia...também morrem. E sua
morte é solitária e triste,
pois compreendem a inutilidade
das suas vidas e são evitados
pelos outros deuses, que não
querem nem ver esse tipo de
cena. Esse reino é habitado
por aqueles movidos pelo orgulho.
A VISÃO PSICOLÓGICA DA RODA
DA VIDA
Alguns estudiosos como Chogyan
Trumgpa colocam que os seis
reinos são estados da alma pelos
quais passamos diariamente,
em nossa vida. Quem já não sentiu
inveja, ira, orgulho, desejo?
A visão psicológica desses reinos
é a sua existência como uma
manifestação da nossa psique,
da nossa mente. Nós somos o
que percebemos. Então o simples
elemento água pode ser percebido
como lava fervente pelo reino
dos infernos; bebida impossível
de beber, para os fantasmas
famintos; meio-ambiente para
os animais, como o peixe, por
exemplo. Água de beber para
os humanos, um novo tipo de
armamento para os semi-deuses,
e finalmente néctar para os
deuses. Tudo uma questão de
percepção psicológica. Isso
vem de acordo com as descobertas
da moderna ffísica, que comprova
que nós criamos a nossa realidade
a partir de que vemos e percebemos.
PADMASAMBHAVA, AQUELE QUE
NASCEU DO LÓTUS
Nascido de uma flor de lótus,
no centro de um lago e já com
oito anos de idade, Padmasambhava
é o segundo Buda, o que estabelece
o budismo no Tibet, em meados
do século VIII, exercendo poderes
para subjugar os demônios. União
de sabedoria e compaixão, nunca
falha aos que pedem ajuda cantando
seu mantra: OM AH HUM BENZA
GURU PEMA SIDDHI HEM
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