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  Palavra de Mestre

DeRose, o responsável pela codificação do yôga antigo, concedeu essa entrevista exclusiva para a Planeta na Web dias antes de partir para o Fest-Yôga 2000. Aqui, o mestre lança uma luz nos nem tão misteriosos mistérios do yôga.


MÚSICA: GÁYATRÍ MANTRA

ALESSANDRA NAHRA

Planeta na Web - Como alguém se forma professor de yôga?
Mestre DeRose - Há um curso de extensão universitária há quase 30 anos, nas universidades federais, estaduais e católicas praticamente do país inteiro. Existe também o curso de complementação de segundo grau, o curso livre, que é autorizado pelas secretarias de educação dos estados, e o curso técnico, que qualquer empresa pode dar. E agora existe uma quinta opção, que é o curso universitário. É a primeira vez no mundo que vai ocorrer um curso de yôga em nível de terceiro grau. Pela Universidade Estácio de Sá, Escola Superior de Terapias Naturais, é um curso seqüencial de 2 anos e 3 meses. Para se formar professor de yôga a pessoa pode optar por qualquer uma dessas opções. Nos quatro primeiros anos a pessoa trabalha com o título de instrutor assistente. Se ele concluiu quatro anos, prestando exames todos os anos, ele poderá se propor ao próximo certificado, que é o de docente. Então fará mais quatro anos como docente, todos os anos sendo revalidado, prestando seus exames. Depois, se ele quiser, poderá se propor ao mestrado.

PnW - Qual é a diferença entre o swásthya yôga e os outros tipos de yôga? (Clique aqui para a resposta em versão super completa)
DeRose - Todos os tipos de yôga são diferentes entre si. Existe um tronco que contém tudo: o yôga pré clássico, que mais tarde se dividiu em oito. As gerações seguintes subdividiram esses oito em até cem, o que deu um total de 108. No século XX, só na Califórnia surgiram centenas de tipos de yôga, e aqui no Brasil mais de 20. Todos esses são diferentes entre si, mas eles pertencem a quatro grandes grupos. Ou eles são do grupo pré clássico, ou eles são clássicos, ou medievais ou contemporâneos. O nosso swásthya yôga é o tronco do yôga pré clássico, que é o mais antigo, de onde surgiram aqueles oito primeiros. O yôga pré clássico era Tantra e Sámkhya, ou seja: o Sámkhya nos dizia que não era místico, espiritualista, mas sim naturalista. E Tantra nos dizia que era matriarcal, sensorial e desrepressor. Na pratica, a diferença é que o swásthya é muito completo, ele é como aquele meteoro que entrou na atmosfera e ainda não foi desgastado pelo atrito com as outras culturas, com as outras etnias que foram invadindo a Índia. Cada vez que vinha uma invasão, que vinham novos valores políticos, novos valores éticos, o yôga batia de frente, porque era diferente. Então ele ia atritando, gastando, perdendo substancia. Com o passar dos séculos e dos milênios sobrou um pedregulhinho de uma coisa que era um asteróide. Hoje o swásthya possui, na sua aula de iniciantes, muito mais conteúdo do que os outros tipos de yôga. É muito completo.

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