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  Pitágoras: Mestre Esotérico

O sistema filosófico criado por Pitágoras agregava tanto a milenar tradição grega dos ritos órficos de iniciação como ensinamentos vindos do Egito e do Oriente Médio. Muitas de suas idéias ainda hoje influenciam o pensamento ocidental.

PAULO URBAN

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Foi em Crotona, cidade dórica da Magna Grécia situada no golfo de Tarento (no sul da península itálica), que Pitágoras, já por volta de seus 55 anos de idade, fundou sua Escola de Mistério. O pitagorismo fazia preservar tanto a milenar tradição grega dos ritos órficos de iniciação, como detinha outros segredos que o mestre fora buscar no Egito e no Oriente Médio ao longo de 34 anos de andanças e exílio.

O Senado de Crotona, em princípio contrário à fundação da escola, aquiesceu após ouvir de Pitágoras uma explanação acerca de seus propósitos de formar um instituto voltado à formação dos jovens, preparando-os para uma vida regrada nos princípios da moral e da justiça, para que melhor pudessem servir à sociedade e ao Estado. Por detrás dessa determinação pedagógica, estava a pretensão de melhorar sensivelmente o mundo a partir da transformação de cada ser humano; a intenção era fundamentar gradativamente sobre os ideais filosóficos e religiosos do orfismo toda uma complexa organização política que, começando por Crotona, poderia estender-se pelas demais cidades do império grego. Com sua eloqüência sincera, Pitágoras convencera a todos, mostrando que, longe de ameaçar a Constituição de Crotona, a criação de sua escola se prestaria mais a alicerçá-la.

Com o apoio dos cidadãos mais ricos e dos mil políticos mais influentes (os do Conselho de Crotona), em poucos anos o instituto pitagórico estava erguido. A população que o freqüentava batizou-o de Templo das Musas, posto que as nove musas das artes e das ciências achavam-se representadas em seus jardins, todas voltadas para a estátua de Héstia (Vesta para os romanos), musa central que simbolizava o fogo sagrado (para Pitágoras o princípio eterno de todas as coisas manifestas). No Templo de Héstia, a chama sagrada permanecia permanentemente acesa, alimentada pelos discípulos, a representar a luz da divindade maior, cuja imanência de vida a tudo sempre perpetrava. Se funcionasse hoje, o instituto pitagórico seria declarado serviço de utilidade pública, pois, além de servir como escola de jovens e academia de ciências, mantinha seus imensos pórticos sempre abertos. Seu amplo espaço, delimitado por cerca viva de heras, recebia diariamente pessoas que ali vinham passear e ouvir preleções, principalmente se proferidas por seu enigmático mestre, cuja personalidade se mostrava ao mesmo tempo austera e carismática, e cuja sabedoria sustentava-se sobre verdades milenares.

Pitágoras nasceu por volta de 580 a.C., em Samos, uma das ilhas gregas do mar Egeu. Mnesarco, seu pai, era ourives; sua mãe, Partênis, cuidava do lar. Durante a gravidez, o casal foi se consultar com o Oráculo de Delfos acerca do esperado nascimento, e a pitonisa lhes teria dito: “Vosso filho será aquele que nos será útil a todos e por todos os tempos!” Tendo completado seu primeiro ano de vida, em cumprimento à promessa que fizera em Delfos, sua mãe levou o menino para ser abençoado no Templo de Adonai, situado em terras que hoje são o Líbano. Ali, o sacerdote soltaria a semente de seu destino: “Foi dos céus que tu vieste, e tua alma banhar-se-á na luz que nasce no Oriente.”

Dezoito anos mais tarde, sempre educado por bons professores que a profissão de seu pai garantia pagar, e notado por muitos como gênio precoce, já que discutia com Tales e Anaximandro, ambos mestres em Mileto, Pitágoras sentiu o forte desejo de procurar a fonte da sabedoria, o berço de onde saíra o primeiro rebento da verdade. Refletindo sobre a máxima do Templo de Adonai, inúmeras vezes sussurrada por sua mãe em seus ouvidos, o jovem decidira-se: “Vou para o Egito!”

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