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  Vitória alternativa - continuação

Tratamentos não-convencionais conquistam pacientes, convertem médicos e convencem a ciência

A descoberta foi feita no final do século XVIII pelo médico alemão Cristian Frederic Samuel Hahnemann, o pai da homeopatia. O pesquisador surpreendeu-se ao constatar que a quina, um arbusto sul-americano usado no tratamento para a malária, causava os mesmos sintomas da doença - febre intermitente e calafrios - em pessoas sãs. Ou seja, a mesma substância que provoca sintomas também pode curar. Os remédios, que são à base de plantas, animais e minerais, passam por uma diluição e sucussão (agitação), formando o chamado processo de dinamização realizado com o objetivo de potencializar os efeitos. Eles quase sempre são ministrados em apenas uma dose. Muitas vezes, essas técnicas são usadas em parceria com outras. O presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, submete-se periodicamente a sessões de acupuntura e shiatsu com a terapeuta Edna Nishiya, de São Paulo, para aliviar seus problemas de coluna. Na medicina ayurvédica - uma modalidade de origem hindu, segundo a qual a doença advém da ignorância do que seja a vida em harmonia -, mesclam-se dieta equilibrada, respiração correta e exercício físico com a fitoterapia, uma ciência baseada no estudo e aplicação de plantas no combate às doenças. É essa terapia, aliás, que mais atrai a comunidade de baixa renda da cidade-satélite de Planaltina, a 45 quilômetros de Brasília, onde funciona uma Unidade de Saúde Integral no Hospital Regional de Planaltina, ligado ao SUS. Cerca de 100 pessoas, entre pacientes do hospital e membros da comunidade, diariamente vão ao guichê do laboratório de manipulação pegar ervas e receitas de chás caseiros. "Incentivamos a cultura popular. Fornecemos as plantas tanto com indicação de um dos nossos médicos quanto para a receita da vovó", explica Marcos Freire, coordenador da unidade, que inclui ainda acupuntura, homeopatia e unibiótica, a associação de conhecimentos da medicina oriental e ocidental.

Sem dúvida, grande parte do avanço das terapias alternativas se deve ao gradual fim da trincheira de preconceito que até há alguns anos separava alternativos de um lado e alopatas de outro. Hoje, não só médicos convencionais indicam sessões de acupuntura, por exemplo, como homeopatas são capazes de receitar antibióticos. Na área da pesquisa, a tendência é a mesma. A Central de Medicamentos (Ceme) do Ministério da Saúde distribuirá comprimidos feitos à base de espinheira santa, indicada para males do aparelho digestivo, e de quebra-pedra, que teve sua eficiência comprovada para a eliminação de cálculos renais. Na Universidade Luterana do Brasil, em Canoas, no Rio Grande do Sul, comprovou-se a eficácia da babosa contra a acne juvenil e um novo creme à base de camomila foi lançado no País pelo laboratório Asta Médica contra assaduras. "Na medida em que se comprova a eficácia científica do método, temos o dever de mostrar para a sociedade e os alopatas esses benefícios, sem o menor pudor de incorporá-los", afirma o presidente do Conselho Federal de Medicina, Waldyr Mesquita. A frase do presidente do órgão máximo dos médicos do País é emblemática e animadora. Indica um caminho pelo qual é possível evitar o charlatanismo e reconhecer como eficazes técnicas que não constam dos manuais da medicina tradicional.

Colaboraram: Celina Côrtes, do Rio, e Eliane Trindade, de Brasília


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