TRANSCENDENDO > Corpo
  Vitória alternativa

Tratamentos não-convencionais conquistam pacientes, convertem médicos e convencem a ciência

CARLA GULLO E CILENE PEREIRA

Foto: ALEX SOLETTO
A Du Pont oferece acupuntura
aos funcionários
Houve um tempo em que a palavra alternativa remetia a cabelos longos, batas, arroz integral e ervas exóticas. Hoje, para um número cada vez maior de pessoas, o significado mudou. Alternativa representa um outro caminho para se alcançar uma boa qualidade de vida, melhorar a saúde e, muitas vezes, se curar. Agora, quando se comemoram dois séculos da homeopatia, o que se vê em todo o mundo, inclusive no Brasil, é a expansão das chamadas terapias alternativas, um caleidoscópio de técnicas que aos poucos perdem o estigma de excentricidade e se consolidam como uma opção à medicina tradicional. Uma delas - a homeopatia - há seis anos ganhou o status de especialidade médica. Discute-se ainda no Congresso Nacional se a acupuntura seguirá o mesmo caminho. Em muitos casos, a eficácia de algumas dessas práticas chega a superar a majestade da ciência convencional. Talvez por isso, não só a homeopatia e a acupuntura mas os florais de Bach, a cromoterapia e outros métodos fascinam leigos e profissionais de saúde. Mecas da medicina ortodoxa, como o Hospital das Clínicas de São Paulo e a Universidade Federal Paulista, renderam-se à eficiência de algumas delas e as oferecem aos seus pacientes. Empresas também descobriram as suas vantagens e presenteiam seus funcionários com programas que utilizam essas terapias. Até um novo plano de saúde, o Qualis, surgiu no mercado para atender a imensa legião daqueles que procuram o alívio ou a cura de seus males na medicina alternativa. "É uma tendência mundial. Mesmo os médicos estão conciliando as medicinas alternativas e convencionais", afirma Elizabeth Bueno, uma das proprietárias da Homeopatia Cristiano, uma das maiores farmácias do gênero de São Paulo.

O sucesso dessas práticas não é milagre ou bruxaria. Está ancorado no fato de que as técnicas alternativas têm menos efeitos colaterais, são mais baratas (um remédio homeopático custa, em geral, no máximo R$ 20, enquanto um antibiótico, por exemplo, passa de R$ 30) e, mais do que isso, seus especialistas dão ao paciente uma sensação de conforto e atenção que em geral ele não recebe no corre-corre dos consultórios tradicionais. Em geral, o ambiente silencioso e de luz amena das clínicas alternativas é menos asséptico e transmite tranquilidade. Mas de nada adianta ir a uma sessão de acupuntura ou massagem na expectativa de receber explicações cartesianas para o tratamento. É preciso esquecer o pensamento ocidental e tentar compreender, pelo menos um pouco, a filosofia oriental, na qual está baseada a maioria dessas terapias. O segredo está no equilíbrio energético do organismo. Ao harmonizar essa energia, por meio das agulhas da acupuntura, dos remédios da homeopatia, do toque dos dedos nas massagens, melhora-se a capacidade de reação do corpo no combate às doenças.

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | próxima>>








 
© Copyright 1996/2000 Editora Três