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Intrinsecamente
associado à fertilidade e ao prazer, o sexo pode ser uma alavanca
para a evolução interior. Basta saber domar este poderoso instinto
de vida para conseguir canalizar esta energia para você.
DÉBORA
LERRER
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| Purushâyita |
Historicamente, sexo e espiritualidade foram parceiros de cama
complicados - enquanto algumas religiões da antiguidade incluíam
a sexualidade em seus ritos, outras procuravam controlá-la, tanto
pela supressão ou por severas limitações de sua expressão. A maioria
das religiões dominantes no mundo hoje prega a sublimação das
necessidades sexuais ou sua canalização para formas socialmente
aceitáveis, como o casamento.
Na contra mão dessa tendência de limitar a alma à igreja e a carne
à cama, a sexualidade sagrada é uma forma de espiritualidade que
vê sexo como um meio de experimentar a comunhão com o divino.
O sexo sagrado aproveita o poder da sexualidade com o objetivo
de acelerar a transformação pessoal e intensificar o crescimento
espiritual.
Várias tradições antigas incluíram a sexualidade em ritos religiosos.
Por volta de 3.000 a.C., os Sumérios encenavam ritualmente o Casamento
Sagrado - a união entre uma sacerdotisa de sua deusa Inanna e
um sacerdote-príncipe, como um meio de obter favores da deusa
para suas cidades. Na Grécia, esse tipo de sexo ritual teve continuidade
e era chamado de hiero gamos, que consiste na tradicional reconstituição
do casamento da deusa do amor e da fertilidade com seu amante,
o jovem e viril deus da vegetação. Várias fontes antigas sugerem
que este tipo de prática também deveria fazer parte dos Mistérios
de Eleusis, dedicado à deusa Deméter. Há evidências de que este
rito também fosse praticado pelos Egípcios no culto da Ísis e
ele tenha permanecido até a era Romana.
Prostituição Sagrada
Na Antiguidade, em várias civilizações do Oriente Médio também
era comum a prática da prostituição sagrada, pela qual os homens
visitavam templos, onde tinham relações sexuais com o objetivo
de comungar com uma deusa particular. Por esta concepção a prostituta
sagrada encarnava a deusa, tornando-se responsável pela felicidade
sexual, "a veia através da qual os rudes instintos animais são
transformados em amor e na arte de fazer amor", explica Nancy
Qualls-Corbett, autora do livro "A prostituta sagrada", da Editora
Paulus.
Nesse período em que existia a prostituição sagrada, as culturas
constituíram-se sobre um sistema matriarcal que, muito mais do
que mulheres em cargos de autoridade, significava um foco em valores
culturais diferentes.
"Onde o patriarcado estabelece lei, o matriarcado estabelece costume;
onde o patriarcado estabelece o poder militar, o matriarcado estabelece
autoridade religiosa; onde o patriarcado encoraja a areteia (valor,
força e perícia) do guerreiro individual, o matriarcado
encoraja a coesão do coletivo, algo que tem a ver com a tradição".
(William Thompson, The Time Falling Bodies Take to Light)
Em outras palavras, o que diferencia matriarcado de patriarcado
não é o fato de que o poder esta na mão da mulher ou do homem,
e sim uma diferente atitude.
De acordo com Nancy Qualls-Corbet, em matriarcados antigos a natureza
e a fertilidade consistiam no âmago da existência. Suas divindades
comandavam o destino, proporcionando ou negando abundância à terra.
Desejo e resposta sexual, vivenciados como poder regenerativo,
eram reconhecidos como dádiva ou bênção do divino. A natureza
sexual do homem e da mulher era inseparável de sua atitude religiosa.
Em seus louvores de agradecimento, ou em suas súplicas, eles ofereciam
o ato sexual à deusa, reverenciada pelo amor e pela paixão. Tratava-se
de ato honroso e respeitoso, que agradava tanto ao divino quanto
ao mortal. A prática da prostituição sagrada surgiu dentro desse
sistema religioso matriarcal e, por conseguinte, não fez separação
entre sexualidade e espiritualidade.
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