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  A Arte do Seitai

Criado no Japão há 300 anos, o seitai – técnica que, a partir de 30 movimentos, cuida dos males da coluna – aos poucos ganha espaço no Brasil.

MILTON CORREIA JÚNIOR

Foto:  Carmina Sophia
No início dos anos 70, em nome da filosofia do conforto, os móveis de linha reta foram substituídos por enormes pufes, onde as pessoas se jogavam, e sofás pelos quais eram engolidas. Hoje em dia, além dos resquícios desse modo de vida, ainda há o agravante de se passar horas no trânsito, em bancos de carro que forçam o corpo a uma postura errada. Sentar-se por muito tempo diante do computador também faz com que seu usuário permaneça uma boa parte do tempo sentado em cadeiras que deixam a desejar quanto à melhor maneira de as costas e o pescoço se manterem equilibrados.

Tudo isso tem um preço: o aumento de problemas na coluna, torcicolos e nevralgias. Assim, técnicas para colocar ossos, articulações e músculos em ordem são cada vez mais procuradas, bem como os especialistas que as aplicam. Uma das menos conhecidas, mas que já está se difundindo pelo País, é o seitai, cuja origem remonta ao Japão. Há cerca de 300 anos, os guerreiros samurais, após treinos e batalhas, feridos e com membros deslocados, precisavam ser socorridos. Por isso surgiu, entre eles, uma técnica que, com movimentos suaves e precisos, deixavam os samurais novamente prontos para as lutas.

A técnica permaneceu restrita aos praticantes de artes marciais no Japão, onde, mesmo nos dias de hoje, ainda não se popularizou. Durante a Segunda Guerra, o massagista especializado em seitai Yoshitaka Onishi foi convocado pelas autoridades japonesas para fazer parte de um seleto grupo que iria dar atendimento aos feridos.

Com o término do conflito, Onishi resolveu tentar a sorte no Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, no bairro da Liberdade, onde está concentrada a maior parte da colônia japonesa no País. Nesse reduto, começou a praticar o seitai, treinando, no prazo de 27 anos, apenas 13 discípulos. Entre eles, destaca-se o único gai jin (brasileiro de origem não-oriental), Edvaldo Cruz, que em 1985 procurou Onishi para tentar um estágio. O fato de já ser especialista em do in e shiatsu e pertencer à Associação de Massagem Oriental (Amor) pesou na escolha. O jovem logo se destacou, sendo depois convidado para ser seu assistente direto. Nessa época, Edvaldo praticava o seitai de segunda a sábado, em período integral. A partir daí, resolveu pôr em prática um sonho antigo: o de cursar uma faculdade de fisioterapia. Pediu, então, permissão ao mestre para dar aulas, uma vez que o ensinamento estava restrito apenas à colônia japonesa.

“Faço parte de uma velha guarda de praticantes de terapias alternativas, com as quais lido desde 1979. Na época, não havia a grande quantidade de cursos de hoje em dia, e as pessoas com conhecimentos, dentro da colônia oriental – especialmente japoneses e chineses –, treinavam seus compatriotas e descendentes”, explica Edvaldo Cruz.

Segundo ele, o seitai possui 30 movimentos básicos, sendo indicado para problemas na região cervical (pescoço), coluna e articulações. Na verdade o seitai vai além das simples manipulações, pois estabelece uma relação entre a patologia (doença) e os fatores que a estão provocando. Por exemplo: problemas na região cervical (ou seja, do pescoço para cima), que incluem os órgãos responsáveis pelos sentidos, podem estar ligados a dificuldades em se perceber e decodificar informações.

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