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Em
curta visita ao Brasil, onde veio lançar seus dois últimos
livros - "Mensagens para Sempre" e "Fora de Mim" - na Bienal
Internacional do Livro, Richard Bach, 64 anos, concedeu uma
entrevista exclusiva para a Planeta na Web, contando um pouco
de sua vida e de suas idéias.
PNW
- Liberdade e livre-arbítrio são valores muito importantes
para você. Você acredita que todo mundo pode fazer escolhas
e buscar a liberdade?
Bach - Eu acredito que todos nós ganhamos um presente
quando nascemos, e isso pode fazer a gente transformar o
mundo a nossa volta. Este presente é chamado imaginação.
Muitas vezes nós damos muita importância para o que as pessoas
dizem sobre nós e achamos que temos que viver a vida como
elas gostariam que nós vivêssemos. É nossa escolha. Se fizermos
isso, iremos sentir que "alguma coisa está faltando". Se
chegarmos aos 100 anos, continuaremos a sentir que alguma
coisa está faltando. Por outro lado, nós também temos a
escolha de seguir o que o nosso coração manda. É claro que
há um custo, um preço a pagar. No início será muito difícil,
a primeira coisa que nós veremos serão obstáculos. E vamos
nos perguntar por que erramos ao tomar esta decisão. Encontraremos
um caminho cheio de tempestades e neve, mas é tudo parte
de um teste, para vermos se realmente estamos dispostos
a colocar a nossa vida nisso. Se eu resolver ir por este
caminho, mesmo correndo o risco de morrer congelado, alguma
coisa mágica irá acontecer. É como fala Paulo Coelho no
"Alquimista". É importante saber que vamos morrer congelados,
mas irmos mesmo assim. Estarei demonstrando minha verdade,
meu amor, e aquilo se tornará uma bênção. Aí vem o próximo
passo, cujo obstáculo pode ser fogo, mas nesse momento nós
já teremos aprendido com a neve e não teremos mais tanto
medo do fogo. Assim nos tornaremos imunes ao gelo, à prova
de fogo e o aprendizado terá crescido dentro de nós até
que chegaremos a um tipo de serenidade que nada poderá atingir.
Quando uma pessoa sabe qual é a sua missão e diz que quer
fazer isso, não há nada que poderá paralisá-la.
PNW - Você tem religião? Você acredita em Deus?
Bach - Religião para mim é um meio para achar o que
é verdade. Por trás da religião pura está a verdade. Para
as pessoas que amam a ciência, por trás da ciência há também
a verdade. Cada um de nós tem uma intuição que nos conta
o que é verdade. Meu jeito de encontrar a verdade é voando.
Voar me fez transcender muitas ilusões de ótica. A partir
deste tipo de perspectiva, literalmente falando, eu fui
capaz de ultrapassar várias das minhas ilusões de quando
eu era criança. Esta é minha religião: acreditar em um princípio
que eu não posso ver, mas que está lá, guiando a mim e aos
meus ideais. Uma das verdades que aprendi voando é de que
não há desastre que não possa ser uma bênção e que não há
benção que não possa vir a ser desastre também.
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