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Em
curta visita ao Brasil, onde veio lançar seus dois últimos
livros - "Mensagens para Sempre" e "Fora de Mim" - na Bienal
Internacional do Livro, Richard Bach, 64 anos, concedeu uma
entrevista exclusiva para a Planeta na Web, contando um pouco
de sua vida e de suas idéias.
PNW
- Foi seu maior sucesso comercial, não foi?
Bach - Fernão Capelo Gaivota foi o meu livro que
vendeu o maior número de cópias. Foi traduzido em 45 línguas
e é para mim um livro de sucesso. Mas a definição de sucesso
para um escritor é quando ele alcança a última página de
seu manuscrito, vivencia todo o livro em torno da última
frase que escreve e sente que gosta. Naquele ponto o livro
é um sucesso. Se vai ou não vender, é uma história completamente
diferente, é sucesso comercial. Aquele princípio que eu
te falei é atraído por quem leva seu trabalho adiante, por
quem faz aquilo que realmente adora. Uma idéia para ser
expressa precisa de algumas pessoas. Fernão Capelo Gaivota
precisou de mim, porque havia a idéia de que alguma coisa
poderia ser dita sobre o espírito humano através da gaivota.
Então o princípio disse: pegue esta pessoa que adora voar,
que adora gaivotas e lhe dê esta história.
PNW - O ponto é fazer o que você quer fazer, o que
o fundo da sua alma deseja?
Bach - Não importa o que seja. Pode ser negócio,
publicidade, estrelas, qualquer coisa que nos puxe. Nós
pegamos a dádiva que é o nosso amor e aplicamos para qualquer
lado, e damos este presente para os outros que nos agradecem
comprando nossos livros, nossos produtos, indo ao cinema.
Temos que acreditar no que amamos. Somos levados. Mas também
temos a escolha de virar as costas para isso.
PNW - Como você caracterizaria teus livros?
Bach - Se há uma linha que corre por todos os meus
livros é a da descoberta daquilo que nós realmente somos,
dos dons e poderes que nós temos na ponta dos nossos dedos.
Todos nós sentimos isso quando crianças. Todo mundo se sente
de alguma maneira especial, mas assim que nós aprendemos
a falar e crescemos em sociedade, muito freqüentemente nós
somos rebaixados. Então nos dizem que há bilhões de pessoas
no planeta, que não somos nada de especial. Então muitas
pessoas jogam fora aquela pequena chama. E talvez aquela
chama seja diminuída e só sobre uma faísca. Mas nós podemos
em qualquer tempo da nossa vida lembrar dela, nos permitindo
fazer o que nós sempre quisemos fazer. O que cabe a nós
fazer não é o que as outras pessoas queriam que nós fizéssemos.
É o que nós sentimos que sempre amamos. Acho que esta é
a chave para viver uma vida alegre, mas não é uma vida fácil.
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