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Em
curta visita ao Brasil, onde veio lançar seus dois últimos
livros - "Mensagens para Sempre" e "Fora de Mim" - na Bienal
Internacional do Livro, Richard Bach, 64 anos, concedeu uma
entrevista exclusiva para a Planeta na Web, contando um pouco
de sua vida e de suas idéias.
DEBORA LERRER
Quem imaginaria que o maior sucesso do escritor, "Fernão
Capelo Gaivota", publicado em 1970, foi recusado por todas
as editoras de Nova York? Para ele, entretanto, obstáculos
como esse, que surgem quando buscamos realizar aquilo que
amamos, fazem parte do aprendizado. O que importa, segundo
ele, é seguir o que o coração está pedindo, pois a vida
se encarregará de nos dar de presente pequenas coincidências
que nos ajudarão a perseverar em nossa caminhada.
Planeta na Web - Voar está presente na maioria dos
seus livros. O que voar significa para você?
Bach - Para mim, é uma expressão do que nós somos.
Voar é um passo para expressar o espírito que todos nós
sentimos e que é ilimitado. O avião é um meio de descobrir
este espírito que está em mim e que não quer estar amarrado
pela gravidade ou pelos limites. Somos expressões puras
e ilimitadas de vida e de amor. A mágica do avião é um espelho
da mágica do nosso espírito. Para voar qualquer avião, você
deve acreditar em algo que não vê, na aerodinâmica. Isto
é um grande princípio espiritual. Como isso voa, se é mais
pesado que o ar? Graças à aerodinâmica. É só nos movermos
a 15 milhas por hora e esta mágica acontece, este princípio
nos levanta no ar. E quanto mais nós aprendemos sobre aerodinâmica,
mais liberdade, vôo e poder nós temos. E quando aprendemos
sobre nós mesmos e sobre o que está nos guiando, seguindo
aquilo o que realmente amamos, um princípio irá nos sustentar.
PNW - Que princípio seria esse?
Bach - Nós sempre vivenciamos coincidências em nossas
vidas. Há um princípio nestas coincidências. Se nós estamos
fazendo o que nós amamos, tentando dar o máximo de nós mesmos
para dar de presente para o mundo aquilo que nós aprendemos,
aquele princípio pode nos ajudar. Fernão Capelo Gaivota
foi rejeitado por todos os grandes editores de Nova York.
Mas a coincidência veio para mim na forma de duas pequenas
correspondências que chegaram no mesmo dia. Em uma delas,
havia meu manuscrito de Fernão Capelo Gaivota e uma nota
do meu agente dizendo: "Richard, eu gosto da sua história
e eu sei que você ama seu pequeno Fernão, mas ninguém em
Manhattan vai imprimir esta história. Vamos deixa-la de
lado". A outra correspondência era de uma editora de Nova
York e dizia "Richard Bach, eu li alguns de seus livros
e os achei interessante. Por acaso você tem algum manuscrito
que não esteja comprometido com outra editora?". E, claro,
eu tinha. Essa carta era de um editor diferente de uma editora
que já havia rejeitado a história. Contei que ela já havia
sido rejeitada, mas a moça foi cobrar esta decisão. De tanto
que insistiu, a editora decidiu publicar, mas deram um orçamento
bem baixo. Foram impressas somente 5.000 cópias. Depois
que a história foi vendida, a editora pediu para eu encontrar
um jeito de ilustrar a história. Então o princípio da coincidência
veio novamente. Tenho um grande amigo que é fotógrafo e
eu costumava dormir em seu estúdio quando ia para Nova York.
Contei a ele que precisava ilustrar o livro e ele perguntou
se poderia ser com fotografias. Eu disse que ficaria bem,
mas que tínhamos um orçamento muito pequeno e não daria
para contratá-lo para fotografar gaivotas. Ele não disse
nada, só sorriu, pegou uma caixa e trouxe para eu abrir.
Dentro havia 36 fotografias, todas de gaivotas. Dois anos
antes, quando ele estudava fotografia, seu instrutor, que
gostava do trabalho dele, lhe deu recursos para que tirasse
as fotografias que quisesse, onde bem entendesse. Ele sentiu
vontade de tirar fotografias de gaivotas. Nunca as tinha
usado ou publicado. Estavam guardadas naquela caixa até
que eu cheguei perguntando como é que eu ia ilustrar o meu
livro. Foi inacreditável.
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