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  Interniche: divulgando as alternativas


DÉBORA F. LERRER

Modelo usado para treinar entubação

Fundada em 1988, na Europa, a Interniche (antes Euroniche) transformou-se em referência internacional na luta contra o sofrimento e a morte desnecessária de animais em testes e aulas. Com representantes em cerca de 30 países, a Interniche vem divulgando alternativas viáveis aos experimentos com animais através de vídeos, livros e mesmo emprestando equipamentos para que os professores e universidades conheçam as inovações na área, antes de comprá-las.

"A principal razão para vivisecção é somente aprender uma teoria que já é conhecida", diz a sueca Ursula Zinko, que atua na Interniche e faz doutorado em biologia. "No caso de estudantes de veterinária que realmente têm que aprender a anatomia dos animais, você pode pegar os que morreram naturalmente, ou em acidentes de carro, ou fazer um contato com clínicas veterinárias que geralmente sacrificam animais já muito velhos, ou sem salvação", sugere ela. Mesmo no caso do treinamento em cirurgias, ela acha mais adequado que o aprendizado seja feito a partir da observação, passo a passo, chegando a assistência cirúrgica e só depois, auxiliado por seus professores, partir para a cirurgia propriamente dita e já com o objetivo de curar os animais doentes.

"Experimentos com animais são antiquados, porque hoje existem várias outras maneiras de ensinar e mais e mais alunos estão reclamando contra a vivisecção", diz Ursula. Ela diz que hoje em dia existem programas de computador que simulam esses experimentos, bem como modelos e manequins construídos exatamente para que os estudantes treinem diversos procedimentos comuns a suas futuras profissões. Um exemplo dos instrumentos disponíveis hoje em dia é um boneco que reproduz a um cachorro, usado para os estudantes de veterinária treinarem a entubação.

Para divulgar esses procedimentos alternativos, a Interniche publicou um livro com mais de 400 alternativas de experimentos que dispensam o uso de animais, e agora está preparando uma segunda edição mais atualizada. Eles também constituíram um sistema de empréstimo dos modelos e programas que eles consideram os melhores para facilitar a implementação de alternativas de experimentos educacionais. "Muitos dos programas e modelos são caros. Então nós os emprestamos para os professores darem uma olhada e mandá-los de volta. Assim eles podem decidir se querem comprar ou não".

Outra frente de atuação da Interniche é a divulgação de um vídeo que mostra de maneira bem prática e didática as alternativas que eles julgam melhores para alguns dos experimentos mais comuns com animais. Graças à dedicação de voluntários, como, por exemplo, a de um único estudante australiano de veterinária que não queria fazer experimentos com animais, o vídeo chegou a todas as universidades da Austrália e da Nova Zelândia.

Para Ursula, a vivisecção é contraditória e desnecessária para a maioria dos estudantes, pois eles decidiram se tornar médicos e veterinários para ajudar, mas quando chegam na universidade aprendem a ferir e a matar animais. "Os professores que encorajam os estudantes a fazer experimentos com animais, na realidade, ensinam os estudantes a não terem compaixão e ficarem mais frios, a perder o sentimento de que ele está trabalhando com um ser vivo", diz Ursula. Outros estudantes ainda por cima nem sequer irão usar animais em suas futuras carreiras, mas mesmo assim são obrigados ou coagidos a fazer disecação e vivisecção muitas vezes dolorosas e contrárias a suas crenças pessoais.

Outra vantagem do uso dessas alternativas educacionais é o custo. Embora alguns dos equipamentos a princípio sejam caros, como eles permanecem sendo usados e reutilizados, o custo alto acaba se amortizando ao longo do tempo, ao contrário dos animais que têm que ser adquiridos, mantidos e alimentados constantemente. Além disso, observa Ursula, "Muitas vezes as coisas dão errado, não funcionam e você só tem um animal, não pode fazer de novo", diz. "Ao invés de o professor se concentrar na teoria que está por trás do experimento, ele tem que ajudar os alunos a fazê-lo funcionar."




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