Se
assassinato e tortura são crimes, porque, então, matar e torturar
animais "em nome da ciência" ainda é aceitável? A pergunta sequer
faz sentido a partir da visão antropocêntrica da sociedade ocidental
no século XX: os animais estão no mundo para serem usados pelos
humanos. Dessa maneira, nem se questiona o sacrifício de bichos
para uma suposta causa maior, a pesquisa médica. Assim, cruéis
e desumanos experimentos em animais são aplicados todos os dias.
Nas universidades, em cursos de biologia, veterinária e medicina.
Em centros de pesquisa que utilizam verbas públicas e em laboratórios
de fábricas de produtos químicos, de limpeza e cosméticos. Milhares
de animais morrem anualmente em nome da ciêcia. São, principalmente,
macacos, gatos, cães, ratos e coelhos.
Muita
gente, no entanto, está acordando para o fato de que testes em
animais são desnecessários. Na Europa, principalmente, muitos
dos experimentos foram banidos, e substituídos por outros "cruelty-free"
(sem crueldade). Estudantes de cursos nos quais a vivisecção é
obrigatória se mobilizam contra a prática. Por exemplo, Sérgio
Greif e Thales Tréz, autores do primeiro livro brasileiro sobre
o assunto, A Verdadeira Face da Experimentação Animal -
a sua saúde em perigo. Eles se formaram em biologia sem sacrificar
um animal sequer. Thales fez tanto barulho na Universidade Federal
de Santa Catarina que, na cadeira de Fisiologia Humana do curso
de biologia, a vivisecção foi substituída por um vídeo.
A
organização People for the Ethical Treatment of Animals (PETA),
uma das mais atuantes na área de direitos animais, afirma: "Animais
não são 'coisas' para serem usadas e depois descartadas em nome
do lucro, conveniência ou diversão; eles são indivíduos únicos
que valorizam suas vidas da mesma maneira que nós valorizamos
as nossas, e merecem viver sem serem molestados por seres humanos".
As idéias da PETA já fazem eco na sociedade americana. Em 1999,
o vice-presidente americano Al Gore anunciou um plano para testar
3,000 tipos de químicos usados em produtos caseiros. O plano,
chamado HPV Challenge (High Production Volume), utilizaria cerca
de 1 milhão e meio de animais. A PETA, conhecida por suas nada
sutis campanhas, imediatamente pôs um "coelho" de 6 pés a seguir
o vice-presidente, e convocou seus sócios à ação. Como resultado
da pressão da opinião pública, Gore anunciou em outubro de 99
uma série de novos requerimentos exigindo o uso de testes que
não involvam animais, sempre que possível. A vida de cerca de
800,000 animais será poupada.
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